Com a marcação de um consistório para os dias 26 e 27 de junho próximo, o Papa Leão XIV confirma a intenção que já tinha anunciado, em janeiro deste ano: os cardeais serão convocados regularmente – tendencialmente uma vez por ano – para colaborarem com ele na definição dos rumos da Igreja Católica.
Numa carta dirigida a todos os purpurados, datada de domingo, 12, e divulgada esta terça-feira pela Sala de Imprensa da Santa Sé, o Papa recorda o consistório extraordinário de janeiro, dizendo-se especialmente satisfeito com as trocas que aconteceram nos trabalhos de grupo, assim como com a qualidade das intervenções então apresentadas em plenário.
Tendo nessa altura centrado as suas considerações finais na sinodalidade, o bispo de Roma propõe-se, agora, pôr em destaque o que os grupos trabalharam sobre a Evangelii Gaudium, exortação apostólica do Papa Francisco, publicada em novembro de 2013, e na qual este enunciou o programa do seu pontificado.
“A partir das vossas contribuições, realça Leão XIV, fica claro que esta Exortação continua a representar um ponto de referência decisivo: não se limita a introduzir novos conteúdos, mas centra tudo no querigma como coração da identidade cristã e eclesial”. Mais ainda: “ela foi reconhecida como um verdadeiro ‘sopro de novidade’, capaz de iniciar processos de conversão pastoral e missionária, em vez de produzir reformas estruturais imediatas, orientando assim profundamente o caminho da Igreja”, salienta.
Essa perspetiva desafia a Igreja a todos os níveis. Ao nível pessoal, apela a que cada batizado passe “de uma fé simplesmente recebida para uma fé verdadeiramente vivida e experimentada”, também quanto “à qualidade da vida espiritual”.
No nível comunitário, o desafio reside, segundo a carta papal, na “mudança de um ministério pastoral de conservação para um ministério missionário, no qual as comunidades são agentes vivos da mensagem: comunidades hospitaleiras, capazes de compreender a linguagem, atentas à qualidade dos relacionamentos e aptas a oferecer espaços de escuta, orientação e cura”.
Finalmente, no plano diocesano, a responsabilidade dos pastores de “apoiar decisivamente a ousadia missionária emerge claramente”, na medida em que garante que tal ousadia “não seja sobrecarregada ou sufocada por excessos organizacionais e fomentando um discernimento que ajude a reconhecer o que é essencial”.
Desse caminho, emerge a “compreensão unificada” da missão – “cristocêntrica e querigmática” – que nasce, assim, de “um encontro transformador com Cristo e difundida pela atração, e não pela conquista”.
Os cardeais serão assim convidados a considerar a necessidade de relançar a Evangelii Gaudium, para avaliar o que foi de facto recebido e o que permanece desconhecido e não implementado”, nomeadamente no referente à reforma dos programas de iniciação cristã; à valorização das visitas apostólicas e pastorais; bem como à reconsideração da eficácia da comunicação eclesial, inclusive no âmbito da Santa Sé, a partir de uma perspetiva mais claramente missionária.










