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Aclamações de fiéis ao Papa Leão XIV em Saurimo, Lunda Sul (Angola). Foto reproduzida da página do FB do Governador Gildo Matias José.

Papa na Lunda Sul, Angola

Leão XIV: “Cristo ouve o clamor do povo” quando “a violência dos poderosos frusta a esperança”

| 20/04/2026

Na terra dos diamantes angolanos, Saurimo (província de Lunda Sul, leste do país), Leão XIV denunciou, como não se tem cansado de fazer desde o início desta viagem a África, “a violência, explorada pelos poderosos” que frusta “a esperança de muitas pessoas”. Mas, acrescentou perante mais de 40 mil pessoas, “Cristo ouve o clamor do povo e renova a nossa história, erguendo-nos de cada queda, consolando-nos em cada sofrimento e encorajando-nos na nossa missão”.

Aprofundando o seu pensamento, o Papa sublinhou que “quando a injustiça corrompe os corações, o pão de todos torna-se propriedade de poucos”; porém, “não viemos ao mundo para morrer”, nem nascemos “para nos tornarmos escravos da corrupção da carne ou da alma: toda a forma de opressão, de violência, de exploração e de desonestidade nega a ressurreição de Cristo, o dom supremo da nossa liberdade.”

Na mesma homília da missa celebrada sob um sol escaldante diante da Catedral de Nossa Senhora da Assunção, no seu oitavo dia de digressão africana, o bispo de Roma alertou também contra a substituição da “fé genuína” por “práticas supersticiosas, nas quais Deus se torna um ídolo que é buscado apenas quando nos convém e apenas enquanto” dá jeito. E referiu alguns “motivos errados para buscar Cristo”, como, por exemplo, “quando Ele é considerado um guru ou um amuleto da sorte”.

No fim desta segunda-feira, 20 de abril, já de novo em Luanda, durante um encontro com bispos, clérigos, religiosos e religiosas e agentes pastorais, o Papa destacou a coragem da Igreja angolana na “denúncia do flagelo da guerra” e advertiu: “esta responsabilidade não terminou!”. Por isso, exortou todos a contribuírem para a construção de uma sociedade fundada na liberdade e na justiça e sublinhou o valor dos catequistas, “uma inspiração para as comunidades católicas em todo o mundo”.

Construir “uma sociedade angolana livre, reconciliada, bela e grandiosa” é o objetivo essencial para o qual a Igreja local é chamada a contribuir, afirmou o Papa neste seu discurso de segunda-feira na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Luanda. Leão XIV falava após ouvir o presidente da Conferência Episcopal, o arcebispo de Saurimo, José Manuel Imbamba, e os testemunhos de um padre, de um catequista e de uma religiosa a quem encorajou a continuar a denunciar as injustiças, promover uma memória de reconciliação e a fomentar uma educação harmoniosa.

“O cuidado com os mais frágeis é um sinal muito importante da qualidade da vida social de uma nação. Não nos esqueçamos de que os idosos não só precisam de assistência, mas, antes de mais, precisam ser ouvidos, porque preservam a sabedoria de um povo” – disse o Papa no início deste seu último dia em Angola quando visitava pela manhã um lar de idosos administrado pelo Governo angolano na cidade de Saurimo, no nordeste do país.

O lar abriga 62 idosos (26 homens e 36 mulheres) a quem o Papa disse que Jesus habita com os idosos, especialmente quando eles se perdoam e buscam a reconciliação após uma pequena ofensa: “Ele habita entre vocês sempre que se esforçam para amar e ajudarem-se uns aos outros como irmãos e irmãs. Ou quando todos, ou mesmo só alguns de vocês, rezam juntos com simplicidade e humildade, Ele está entre vós.”

Nesta terça-feira, 21 de abril, o Papa voa para o último país deste périplo africano: a Guiné Equatorial, onde ficará até quinta, 23, regressando a Roma ao final da tarde desse dia.

 

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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