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O Papa Leão XIV conversa com jornalistas a bordo do avião papal com destino a Beirute. Foto © Vatican Media.
O Papa a bordo do avião papal com destino a Beirute. Leão XIV já revelara o desejo de "visitar os lugares de Santo Agostinho". Foto © Vatican Media.

De 13 a 23 de abril

Leão XIV em África, um “continente esquecido que precisa de ser ouvido”

| 11/04/2026

A paz, as alterações climáticas, as migrações, a família, a juventude e o colonialismo serão os grandes temas da viagem por quatro países africanos que Leão XIV inicia na segunda-feira 13 de abril e que terminará no dia 23. É a primeira vez que um Papa se desloca à Argélia e há 30 anos que Angola, Camarões e Guiné Equatorial não recebem uma visita papal. África, disse Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, ao apresentar a viagem aos jornalistas, é “um continente muitas vezes esquecido que precisa ser ouvido”.

Leão XIV chegará a Angola no dia 18 de abril (vindo dos Camarões) e deixará o país no aniversário da morte de Francisco (21 de abril), não tendo sido revelado que gesto fará por ocasião desse aniversário. Certo é que, entre outros locais, o Papa visitará o santuário de Nossa Senhora da Conceição de Muxima, na diocese de Viana, fundado em 1599.

“O Papa é um peregrino de esperança na casa de Mãe Muxima e vem rezar, pedindo a intercessão da Mãe de Deus para que aquilo que Angola espera se realize – rezando por si, pelo povo e por toda a humanidade”, afirmou o reitor do santuário, padre Mpindi Lubanzadio Alberto, ao jornal Acidigital, confessando que “o sentimento neste momento é de imensa alegria, honra e esperança para todos os cristãos em Angola, particularmente para os peregrinos e devotos de Mãe Muxima”.

Referindo-se a Angola, Bruni, sublinhou na conferência de Imprensa de dia 9 de abril, que a “esperança” e “alegria” do seu povo garantem que o país possa hoje ser considerado como “uma verdadeira fonte de inspiração espiritual e uma força para a mudança”. Apesar de “a tentação da tristeza e do desânimo” existir em Angola, a fé prevalece no seu povo, o que permite afirmar, concluiu Bruni, que o país “é o coração do cristianismo africano”.

No país, é provável que o Papa Leão se refira às recentes cheias que assolaram as regiões de Luanda e Benguela e que provocaram a destruição de muitas casas, estradas e infraestruturas.

Nos Camarões – “um país que atravessa provações complexas devido à convivência de diversas realidades”, desde os conflitos armados no Norte e Sudoeste, ou o “veneno do fundamentalismo”, particularmente entre os jovens – a visita papal procurará dar visibilidade aos processos portadores de esperança. Os esforços das religiões na construção da paz, o incentivo ao governo, à sociedade civil e às mulheres para que consigam a pacificação do país farão parte das intervenções de Leão XIV, bem como a chamada de atenção para as questões do meio ambiente e do desenvolvimento humano integral.

A viagem apostólica conclui-se na Guiné Equatorial (21 a 23 de abril), país em que a cultura e os costumes terão lugar proeminente e em que a poligamia – tema relevante nos debates do último o sínodo e nas últimas reuniões do episcopado africano – será abordada pelo Papa. Ali terminará a terceira viagem de Leão XIV que o levará, em 11 dias, a uma dezena de cidades de quatro diferentes países, onde falará em inglês, francês, português e espanhol.

 

À procura de Santo Agostinho

Mas tudo começará pela Argélia, terra de Santo Agostinho, patrono da ordem religiosa a que Robert Francis Prevost pertence. Esta será uma visita marcada por sentimentos fortes e inevitável emoção. Leão XIV já tornara público – no voo de regresso de Beirute – o seu desejo de “visitar os lugares de Santo Agostinho”, mas também de continuar “o diálogo, a construção de pontes entre os mundos cristão e muçulmano”.

Não será a primeira vez que este Prevost pisa terras de Santo Agostinho. Como superior geral dos Agostinianos já esteve várias vezes em Argel. Contudo, esta estadia de três dias (13 a 15 de abril) não se compara às anteriores. Na visita ao país, a comitiva papal integrará ainda vários agostinianos que se juntam aos dignatários que acompanharão o Papa durante todo o périplo africano: o cardeal Luís Antonio Tagle, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, cardeal George Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Interreligioso, e dois chefes eméritos de Dicastério, Peter Appiah Turkson e Robert Sarah, ambos africanos.

Na próxima segunda-feira, à chegada a Argel, o bispo de Roma vai homenagear os mártires da independência e reunir-se com o Presidente daquele país norte-africano, Abdelmadjid Tebboune, antes de seguir para Annaba, cidade que guarda o legado de Santo Agostinho. Na Basílica de Santo Agostinho presidirá à celebração eucarística prevista para o final da tarde de dia 13 de abril.

Mas Santo Agostinho não será a única figura cristã a ser invocada. Os cristãos do Norte da África na época romana, a vida e a espiritualidade de Charles de Foucauld no deserto do Sul do país, entre os tuaregues, os sete monges trapistas de Nossa Senhora do Atlas, assassinados na década de 1990, e os outros 19 religiosos de diversas ordens que foram beatificados pelo Papa Francisco em 2018, não deixarão de ser recordados.

Na sua passagem pela Argélia, o bispo de Roma visitará ainda a Grande Mesquita de Argel, onde apelará à renovação e ao aprofundamento do diálogo inter-religioso, reforçando a mensagem de paz e convivência num país de maioria muçulmana.

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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