Ao segundo dia da sua visita a Espanha, o Papa Leão XIV defendeu que “tecer redes é um diálogo entre instituições centrado na dignidade humana”, o que “implica, por exemplo, que a universidade não viva de costas para o mundo do trabalho nem renuncie à verdade; que a atividade empresarial não veja o empregado como mais um fator na equação dos seus interesses; que a arte não tenha como fim apenas as elites; que o desporto não seja reduzido a espetáculo ou convertido em mero negócio; e que o progresso tecnológico tenha em conta os idosos, os pobres e aqueles que não têm voz”.
Foi um Papa rendido à “marca de criatividade” da Espanha, ovacionado de pé durante mais de sete longos minutos, como uma qualquer estrela pop que costuma atuar na Movistar Arena, em Madrid, onde se reuniram gentes da cultura, arte, economia e desporto, como descreveu a edição digital Vida Nueva. “Nem precisa de falar para que Espanha lhe demonstre o seu carinho”, apontou o jornalista da publicação.
Para Robert Presvot, o primeiro bispo de Roma americano, tecer redes também “significa criar juntos” e “servir de forma desinteressada”. Segundo o Papa, “a nossa sociedade possui uma extraordinária capacidade de produzir, inovar e comunicar; no entanto, parece que ainda precisamos de aprender a guardar a alma daquilo que ela gera. Caso contrário, corremos o risco de ser especialistas nos meios de comunicação e eficazes na produção, mas incertos quanto ao porquê, para que, com quem e para quem se produz”.
No encontro “Tecer redes com a cultura, a arte, a economia e o desporto”, Leão XIV afirmou que “a Igreja anseia por permanecer em diálogo com o mundo contemporâneo”, citando como exemplos Lope de Vega, Teresa de Jesus, João da Cruz, Calderón de la Barca e Tomás de Aquino, deixando também duas questões em aberto para todos os presentes: “Que herança estamos a deixar para o futuro e, por conseguinte, que tipo de comunidade estamos a construir?”

Por 800 metros, o Papa Leão XIV percorreu em procissão o centro de Madrid. Foto © Vatican Media.
“Um diálogo social como a arte de tecer redes”
Leão XIV socorreu-se de Paulo VI mas também da sua primeira encíclica Magnifica humanitas, divulgada em maio, para se questionar: “O que significa ser verdadeiramente humano?” O Papa deixou logo ali uma resposta a essa pergunta: “É necessário um diálogo social que podemos comparar com a arte de tecer redes, que implica encontro, escuta, diálogo e respeito.”
“Nos vários setores da atividade humana, devemos cuidar da linguagem utilizada: escrita, oral e, no ambiente digital, também a das imagens; porque a comunicação nunca é neutra. Toda expressão fala, transmite; pode ferir ou curar, destruir expectativas ou abrir horizontes, semear divisão ou despertar a esperança na possibilidade de construirmos juntos algo genuinamente humano”, notou Leão XIV.
Na missa do Corpo de Deus, celebrada na Praça de Cibeles, no centro da capital espanhola, que terá sido acompanhada por mais de um milhão de pessoas (a Vida Nueva refere 1,2 milhões), o Papa voltou a sublinhar: “Ninguém pode ajoelhar-se perante o Senhor e desprezar o irmão.”
Depois de, na véspera, à chegada, ter denunciado a polarização da sociedade espanhola, na homilia deste domingo exortou os católicos espanhóis a “não esquecerem quem é o Senhor, para não caírem na tentação de confiar noutros ídolos e alimentarem-se de um pão que não sacia”, Leão XIV dirigiu uma mensagem aos crentes de Espanha: “Que a religiosidade que há séculos anima este país não seja um museu do passado a visitar, mas sim uma escola de fé da qual nos possamos inspirar também hoje”.
O Papa sublinhou que escola é essa: é aquela “que nos ensina a ajoelhar-nos perante Deus e perante o próximo; uma escola que nos ensina a gratuidade do amor que se torna dom, para que circule entre nós e quebre as correntes de todo o egoísmo; uma escola na qual aprendemos que Deus é presença real e que também nós somos chamados a estar presentes nas situações e nos desafios da sociedade, a não fugir, a comprometer-nos pessoalmente na construção do bem comum”.

O Papa Leão XIV recebeu bispos espanhóis em novembro de 2025. Foto © Vatican Media.
A Igreja espanhola em alguns números
Pessoas
122 bispos
14.994 presbíteros
31.503 religiosos/as 23.865 religiosas + 7.638 religiosos
82.106 catequistas
34.494 professores de religião
1.036 seminaristas
599 diáconos permanentes
9.648 missionários
7.449 monges/jas de clausura
82.106 catequistas
407.356 leigos comprometidos
79 associações e movimentos laicais nacionais
48.833.642 horas que dedicam padres, voluntários e leigos à actividade pastoral
Mais de 8.236.000 pessoas vão regularmente à missa
Mais de 9.500.000 eucaristias celebradas anualmente
Atividade pastoral e voluntariado
26.449.416 horas dedicadas pelos presbíteros ao trabalho paroquial
11.479 paróquias rurais
11.443 paróquias urbanas
48.675 grupos de catequese (crianças, jovens e adultos)
51.779 grupos de fé / pastoral (crianças, jovens e adultos)
10.670 voluntariado em colégios (crianças, jovens e adultos)
Celebração da fé
146.370 batismos
154.677 primeiras comunhões
103.535 crismas
13.323 batismos de maiores de 7 anos
31.462 matrimónios
26.013 unções de doentes
Atividade caritativa e assistencial
9.060 centros sanitários e assistenciais da Igreja
3.812.235 pessoas beneficiadas
Financiamento das dioceses
Ofertas voluntárias dos fiéis: 28,6%
Consignação fiscal: 23,4%
Receitas de património e outras atividades: 12,1%
Outras receitas correntes: 31,1%
Receitas extraordinárias: 4,8%
Total de receitas: 1.395.773.749,00
Despesas
Ações pastorais e assistenciais; 18,7%
Ordenados do clero: 15,6%
Ordenados do pessoal secular: 20,4%
Financiamento dos centros de formação: 2,8%
Conservação de edifícios e despesas de funcionamento: 33,2%
Despesas extraordinárias: 9,3%
Total de despesas: 1.262.688.363,00
Fonte:
Desdobrável La Iglesia Católica en España Abril 2026, incluído em diversos jornais / Portal de Transparencia de la Conferencia Episcopal Española










