Leigos de S. Bento, buscando Deus no dia-a-dia

| 31 Jul 2022

O tempo é sempre um fator importante quando pensamos em reflexões. Foto © DR

O tempo é sempre um fator importante quando pensamos em reflexões. Foto © DR

 

Na Galiza, entre a Ria de Pontevedra e a Ria de Arousa, à beira do Caminho Português de Santiago, encontramos o Mosteiro Cisterciense de Armenteira.

É um formoso mosteiro românico, do séc. XII, na concepção austera da ordem beneditina. Ali vivem nove monjas. Desde 2021 pertenço à sua Fraternidade de Leigos. Durante este ano a Fraternidade aprofundou as temáticas de Cister, em encontros mensais, presenciais ou à distância.

A Fraternidade de Leigos do Mosteiro de Armenteira foi criada em 2016 e agrupa 20-25 pessoas, compartindo a busca de Deus e o sentido de Fé, no quotidiano, onde vivemos e trabalhamos, guiados pelo carisma cisterciense e os seus três princípios base (Ora, Lê e Labora) que nos chamam a viver na harmonia do Espírito e de pés assentes na terra.

A Fraternidade está intimamente ligada ao seu mosteiro, à reflexão sobre a Regra de S. Bento, à vivência da Lectio Divina, ao carisma que emana da Ordem, vivendo-se a experiência de vida da comunidade monástica, na sua Liturgia das Horas, desde as Vigílias às Completas, até aos momentos de trabalho manual. O grupo encontra-se uma vez por mês para aprofundar os princípios da vida beneditina com a monja responsável pela Fraternidade, acontecendo o caminho espiritual pela Palavra, pela Oração, pelo Trabalho…

A Ordem Cisterciense dinamiza comunidades de leigos porque acredita na conexão dessas formas distintas de viver (a monacal e a laica). Por sua vez, os leigos envolvidos vêm na espiritualidade cisterciense um modo de viver e intervir no Mundo, guiados por uma finalidade: a busca de Deus! Os valores cistercienses animam as Fraternidades e têm como centralidades a Eucaristia, a Lectio Divina, o acolhimento, a transformação pessoal por uma via espiritual, convocando-se também o Trabalho, como traço de união ao seu Mosteiro.

Desde 2015 que criei o hábito de viver um tempo de silêncio numa hospedaria de um mosteiro cisterciense… Assim conheci o Mosteiro de Samos e o Mosteiro do Sobrado.

O passo a passo na percepção da vida monacal, a partilha das refeições com a comunidade num refeitório austero enquanto um monge, no púlpito, faz a sua leitura de textos significativos, dos Evangelhos ou de uma encíclica de Francisco, ou o poder participar, ao longo do dia, nesses momentos silenciosos (a Liturgia das Horas), que acontecem na Capela da Comunidade, culminando com as Completas, criam um silêncio que ultrapassa a ausência das palavras e do ruído; transcende-nos e faz acontecer a nossa caminhada interior.

Como diz o prior do Mosteiro do Sobrado: El monje, la monja, buscan siempre el silencio, necesitan del silencio, desean el silencio, porque saben que en el silencio habita el Silencioso, el Absoluto, el Inefable.”

 

Procurar Deus no silêncio e na contemplação
Pormenor exterior da capela da comunidade cisterciense do Mosteiro de Armenteira. Foto © Júlio Ricardo

Pormenor exterior da capela da comunidade cisterciense do Mosteiro de Armenteira: aqui foi possível redescobrir a regra de S. Bento. Foto © Júlio Ricardo

 

Em 2021, os meus passos chegaram ao Mosteiro de Armenteira. Mais uma vez uma hospedaria monacal, aberta “não só para quem participa da mesma fé, mas também para todos os homens de boa vontade”. Apercebi-me que a Comunidade de Monjas Cistercienses organizava todos os anos as Jornadas Monásticas e inscrevi-me.

Em agosto de 2021, oito pessoas chegaram ao Mosteiro de Armenteira para as Jornadas Monásticas (de Saragoça, Corunha, Santiago, La Palma e Portugal). A Irmã Paula fez o acolhimento e acompanhou o grupo no estudo, compreensão do carisma e na prática da Lectio Divina. No trabalho manual, fomos para a cerca do mosteiro com a Irmã Nieves e a Irmã Lourdes. Arrumámos lenha para o Inverno, varremos o claustro e descascámos sementes de camélia para as monjas elaborarem os óleos essenciais e sabonetes. A Priora Ana fica uma manhã com o grupo e envolve-nos no quotidiano da Comunidade.

A Liturgia das Horas foi respeitada por todos os participantes, desde as Vísperas, às 5h da madrugada, até às Completas, pelas 21h. A leitura da Palavra, os salmos, os hinos e os tempos de meditação definem um ambiente de silêncio interior e de escuta. Há harmonia, tempo para rezar e tempo para silenciar. Também um ténue vislumbrar do que é o ritmo do tempo das monjas. Mesmo sem querer, esse silêncio envolve todas as atividades que aconteceram naqueles três dias…

Poderá parecer banalidade, mas confirmo um “antes” e um “depois” da vivência das Jornadas Monásticas. Não apenas pela meditação ou pelo silêncio, mas pela proximidade ao exemplo de vida da Comunidade, pela possibilidade da verdadeira peregrinação interior, pela busca Interior de Deus…

Sabendo que a comunidade animava a “sua” Fraternidade de Leigos, a maior parte dos participantes manifestaram o desejo de adesão à Fraternidade, a proximidade à Comunidade e à Regra de S. Bento.

A pandemia, no final de 2021 e princípio de 2022, ainda obrigou ao trabalho à distância. Antes de cada sessão mensal, o grupo recebia os textos para reflexão e conversa. Durante o ano trabalhámos os textos do livro El Monasterio del Corazon, da monja beneditina Joan Chittister, e a Regra de S. Bento. No dia 21 maio aconteceu a reunião das Fraternidades do Mosteiro do Sobrado e do Mosteiro de Armenteira, com o acolhimento, eucaristia e trabalho de grupos. O monge Henrique e a monja Paula apresentaram duas comunicações sobre a visitação ao longo da Bíblia, os mosteiros como casas de acolhimento e partilha; bem como a fé, a meditação e a experiência de comunidade.

No dia 2 de julho, no Mosteiro de Armenteira, a sua Fraternidade concluiu o percurso deste ano, com a reflexão sobre os últimos capítulos do livro de Joan Chittister e sobre a Regra de S. Bento. Voltámos ao tema do autoconhecimento, relevando a mística e a contemplação como caminho para a unidade em Deus. É, afinal, o desafio quotidiano de uma comunidade de monjas que assumiu a contemplação como experiência de vida, como escuta orante!

 

Júlio Ricardo é professor do 1º ciclo e faz parte da Fraternidade de Leigos do Mosteiro de Armenteira.  

 

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