Leigos para o Desenvolvimento: “Procuram-se pessoas para mudar o mundo”

| 9 Fev 20

Teresa e Sofia com Cláudia, em Vila Malanza (Porto Alegre, São Tomé), uma das missões dos Leigos para o Desenvolvimento, em Novembro 2019. Foto Arquivo LD

 

Trata-se de lançar sementes que poderão vir a ser colhidas só daqui a dois ou três anos. Os Leigos para o Desenvolvimento (LD), organização não-governamental ligada à Companhia de Jesus, promovem, a partir do final deste mês, uma formação intensiva para voluntários que desejem partir em missão. E procuram, diziam a propósito de uma acção de sensibilização promovida a 28 de Janeiro, “pessoas para mudar o mundo”.

Nessa acção, que decorreu em Lisboa e Porto, participaram mais de 40 pessoas. Dessas, algumas poderão partir em Setembro/Outubro para missões em Angola, São Tomé e Príncipe, talvez Moçambique – e também na Caparica/Pragal que, apesar de ser em Portugal, implica o mesmo compromisso de longa duração por cerca de um ano.

Chegando através de amigos ou familiares, redes sociais ou média, acontece, por vezes, que as pessoas que participam nas acções de informação ou sensibilização não estão informadas plenamente sobre o que são os LD: há pessoas que têm disponibilidade, mas não para um ano; outras, não sabem bem que os Leigos são uma organização católica ou não estão preparadas para assumir essa dimensão das missões. Por isso, entre a sensibilização e as acções de formação podem realizar-se entrevistas, para perceber se cada candidato tem interesse em participar nas missões dos LD e vice-versa.

 

Há sempre música a tocar em todo o lado”

Em Moçambique, explica Rita Fonseca, responsável pela comunicação dos LD, a última missão foi em Cuamba (Niassa, no Norte interior, perto da zona do lago Malawi). Foi concluída em 2019, depois de duas décadas a trabalhar na localidade. Mas, em Moçambique, os LD já estiveram também em Lichinga e na Fonte Boa (onde, em 2006 chegou a morrer uma voluntária, na sequência de um assalto, alegadamente vindo do Malawi).

“Agora, estamos numa fase de diagnóstico, para decidir onde intervir no território moçambicano”, explica Rita Fonseca. Depois disso, alguns dos voluntários que agora irão iniciar a formação, poderão ir para a nova missão, se ela avançar já este ano, o que é o mais provável.

Os Leigos para o Desenvolvimento, que em 2020 completam 34 anos de existência, tiveram já 500 voluntários nas suas missões locais, de entre os 1655 que participaram nas acções de formação. As missões atingem, em média, cerca de 50 mil pessoas e 150 organizações locais por ano e apoiaram, até agora, 66 negócios.

As missões estão centradas nos países lusófonos africanos e em projectos de desenvolvimento comunitário, em áreas como as mulheres e os jovens, educação, formação ou empreendedorismo, “sempre a partir da realidade de cada comunidade”.

Em cada lugar, as missões são sempre realizadas em comunidade. Neste momento, há sete voluntários em duas missões em São Tomé (uma na cidade, outra na roça de Porto Alegre), mais três na Ganda (Benguela, Angola) e outros três na Caparica (Almada). “Cada voluntário tem o seu projecto, além de um trabalho pastoral” na comunidade cristã – seja na catequese, com o grupo de jovens, na animação da celebração da palavra quando não há presbítero ou outros…

“A missão dos LD é continuada no tempo. O projecto em que agora trabalho é fruto do trabalho de voluntários anteriores a mim e assim sucessivamente, existindo uma lógica evolutiva – e de sustentabilidade – nos projectos”, diz Diogo Pimentel, licenciado em Direito e em missão em São Tomé, desde Setembro, no depoimento publicado noutro texto do 7MARGENS.

“Sou feliz porque o caminho para o trabalho é bonito e foi lá que aprendi a guiar, porque há sempre música a tocar em todo o lado, porque há pão quente pela tarde e a luz vem quando menos se espera”, relata, por seu turno, Francisca Caldeira Cabral, 23 anos, em missão desde há quase quatro meses na Ganda (Angola).

E são grandes as expectativas do lado de lá: Josefina, soba no bairro do Alto da Catumbela (município da Ganda, Benguela, Angola), espera que o trabalho dos LD dê atenção aos problemas do desemprego e da ocupação dos jovens, da saúde e da salubridade – os problemas que considera mais urgentes no seu bairro. A sua história pode ser lida também em outro texto publicado no 7MARGENS.

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