
Parte dos participantes no encontro de Leitores do 7MARGENS no Porto, no último sábado. Foto © António Marujo/7MARGENS
As dezenas de leitores do 7MARGENS da região Norte, que no último sábado, 12, se encontraram no Porto, tinham para partilhar duas grandes mensagens: uma forte gratidão pelo trabalho que o jornal tem vindo a fazer e a manifestação de algumas preocupações que gostariam de ver mais presentes, no futuro.
O Espaço Porta, que os Redentoristas decidiram abrir à cidade, na Rua da Firmeza, abriu-se desta vez para acolher, diante da grande mesa, os leitores de um jornal, que são também buscadores de sentido de diferentes azimutes, inquietos com os rumos do mundo.
A primeira roda de conversa centrou-se numa avaliação do trabalho do jornal e, ao mesmo tempo, na partilha de propostas e sonhos por parte dos leitores. O desafio foi que cada interveniente procurasse ter presentes as inquietações e esperanças “quanto ao que se passa hoje em Portugal, no mundo e nas religiões”.
Algumas dessas preocupações focaram aspetos como:
- o retrocesso societal em valores como a democracia, os direitos humanos, a justiça social e a paz e, em geral, o humanismo;
- os problemas do armamento e da deriva armamentista, ligados ao complexo militar-industrial, ao comércio de armas e às questões da guerra e da paz;
- as problemáticas ligadas ao papel e à igualdade das mulheres, na sociedade e nas igrejas;
- a degradação dos serviços públicos e ameaças ao estado social em vários países, em especial, do serviço nacional de saúde e as consequências que terá para os cidadãos, em especial os mais pobres;
- os direitos (e deveres) laborais e o trabalho digno;
- atenção às temáticas da vida quotidiana das pessoas, em diferentes contextos;

Um dos momentos do encontro de leitores, no Espaço da Porta, dos Padres Redentoristas. Foto © Ana Ponto Vasquez
Mais especificamente quanto ao jornal pretexto e congregador do encontro, que é para uma parte dos leitores, a primeira leitura da manhã, através da newsletter, por trazer informação “fiável e de qualidade”, algumas sugestões foram igualmente avançadas:
- atenção a novas temáticas como ativismo e vida espiritual; papel das religiões nas guerras; literacia sobre e para as religiões;
- mais espaço e voz a confissões para além da Igreja Católica;
- mais reportagens sobre como vivem as comunidades e movimentos
- mais atenção ao fenómeno religioso para além do cristianismo
- mais reportagem, mais em cima da atualidade, sentido de oportunidade
- maior aposta nas diferentes áreas da cultura;
- valorização do ativismo emergente da cidadania;
- na medida do possível investir em mais profissionais;
- organização de iniciativas que permitam chegar a outros/novos públicos.
No final da primeira ronda de conversa, com quase duas dezenas de contributos, refletiu-se sobre o significado do que se estava a propor ao 7MARGENS: uma tarefa que pode ser tanto do jornal como das iniciativas que os próprios leitores podem tomar, no âmbito da rede que o jornal vai sendo. Afinal, o próprio encontro – acontecimento raro no quadro da atividade de órgãos de comunicação social – é parte do projeto do 7MARGENS e da construção de uma rede de partilha, informação e debate, mas também de relações.

Encontro de Leitores, no momento da apresentação do novo projecto gráfico do jornal. Foto © Eduardo Jorge Madureira/7MARGENS.
A segunda roda de conversa do encontro foi lançada. A intenção foi e é procurar formas de dinamizar a presença e cobertura do 7MARGENS na área metropolitana do Porto e, mais amplamente, no Norte. Ainda foi relatada uma experiência de como isso já começa a acontecer. Mas verificou-se que, dado o adiantado da hora, seria assunto para continuar nas preocupações dos leitores, que podem ir sinalizando matérias e até pessoas para ajudar a enriquecer o projeto do jornal.
Antes do lanche em torno do que os participantes trouxeram para colocar sobre a mesa, houve ainda tempo para a “surpresa” da tarde: a apresentação de um novo projeto gráfico para o 7MARGENS, elaborado por Sara Urbano, finalista do mestrado em Design de Comunicação na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa. A recetividade parece ter sido boa. Falta agora ir passando da parte gráfica à informática, um trabalho que levará certamente ainda algum tempo.
No início do encontro, o diretor, António Marujo, deu conta de alguns projetos desenvolvidos pelo 7MARGENS, desde há um ano, quando idêntico encontro aconteceu em Guimarães. Referiu-se, nomeadamente à cobertura do Sínodo da Igreja Católica, com um enviado a Roma (o que voltará a acontecer ainda este mês); aludiu ao programa de entrevistas com o nome do Jornal, que foi emitido na Antena 1 da Rádio pública; o protocolo com a Cáritas para a investigação e escrita de três livros sobre a ação de três presidentes da instituição; o projeto 7MONTES, aproveitando um financiamento europeu para projetos jornalísticos em zonas do interior do país; a ativação de uma aplicação que permite a audição automática dos conteúdos do 7MARGENS; a exposição organizada pela Assembleia da República sobre os Caminhos da Liberdade Religiosa em Portugal; a criação da tribuna À Margem, às quintas-feiras, entre outros aspetos.
Durante a tarde do dia 9 de Novembro, uma iniciativa semelhante decorrerá em Lisboa. Daremos mais notícias em breve.










