Ler, imaginar, sobreviver
Para vos distrair um pouco do assunto que a toda a hora é notícia, e talvez vos divertir, ofereço este fragmento do romance As Intermitências da Morte, de José Saramago [cujos dez anos da morte passaram no dia 18]. Imaginem que a morte deixava de existir no nosso país. As circunstâncias e as circunstâncias dariam muito que falar. Melhor do que assistir a uma série da Netflix é ler este delicioso livro.
Saramago morreu há dez anos. É nome controverso, frequente motivo de discussão nos salões. Porque fez, porque não fez, porque disse ou não disse… Quer se goste ou não da figura real, fica-nos o seu texto literário e a consagração pelo Prémio Nobel. Não era homem de fé nem crente, mas sendo comunista, reconhecia (e conhecia) a cultura cristã em que foi educado, menino de coro que foi na Azinhaga, a aldeia onde passou a infância. Agora, que tanto falamos de crentes e não-crentes, penso nas diferenças que se anulam quando estamos unidos na fragilidade da nossa natureza, em face do sofrimento, dos medos e sustos, das perdas e preocupações que nos afligem.
E penso na universalidade da caridade que é amor. Amor, fraternidade, solidariedade. A vida é um dia e cada dia é um caso. Deixo-vos uma historinha verdadeira, para reflexão, a colorir um pouco a escuridão destes tempos que vivemos. Talvez um leve sentimento de ternura pelos dois envolvidos vos traga um sorriso ou até um leve riso.
Situem-se no Inverno de 2019. Olhem a cena: o João, filho da minha amiga Ana, deu 50 cêntimos a um pobre, antes de tomar o comboio do Porto para Lisboa. Quando foi pagar um café faltavam-lhe 15 cêntimos. Voltou ao pé do pobre e pediu-lhe: – Ó pá, empresta-me aí 15 cêntimos. O pobre, encantado por alguém lhe pedir 15 cêntimos, levou a mão ao bolso. – Eh pá, toma lá 50, que te podem fazer falta.
A alegria de dar e receber, num dia qualquer.
A imitar o que dizem os comentadores da televisão, aqui vai uma última nota:
O tema é torturante. Conheço e cumpro as três regras de conduta para a sobrevivência. Sabão/álcool. Máscara. Distância. Sofro por saber os lares para despejo de velhos. Sofro por crescerem barrigas vazias. Desejo almoço e jantar à mesa, para todos os desgraçados deste mundo. Espero que isto passe, que haja a salvífica vacina. Que o futuro chegue, com urgência e muitas mudanças para melhor.
Leonor Xavier é escritora e jornalista e integra o movimento Nós Somos Igreja – Portugal
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NAZA estreou nos cinemas
O filme israelita que documenta o genocídio em Gaza novidade
Os realizadores Yuval Abraham e Rachel Szor trazem-nos um filme, NAZA, que é um objeto de cinema que ultrapassa os limites do ecrã e nos coloca frente a frente com a máquina de morte que Israel montou para destruir Gaza – cometendo genocídio.
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Breves
José Allamano e a Consolata
Exposição fotográfica revela 100 anos de história das missões
Por ocasião dos 100 anos da morte de São José Allamano, assinalados este ano, o Consolata Museu, em Fátima, tem patente ao público uma exposição dedicada a este fundador dos dois institutos missionários. [Texto de Juliana Batista].
Relatório Centro Rossing
Jerusalém: ataques violentos a cristãos quase duplicaram em dois anos
Os ataques violentos a cristãos em Israel e em Jerusalém oriental ocupada estão a tornar-se cada vez mais frequentes, tendo quase duplicado nos dois últimos anos, de acordo com organizações israelitas citadas pelo órgão público de rádio alemão Deutsche Welle (DW).
Apelo ao Governo
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Um cordão humano com mais de 100 pessoas exigiu, durante toda a manhã de dia 31 de março, em frente ao Clube Nacional de Imprensa, em Daca, que o Domingo de Páscoa fosse reconhecido pelo Governo do Bangladesh como feriado nacional. A concentração organizada pela Associação Cristã de Bangladesh reivindicou também lugares na vida pública reservados à representação dos cristãos e de outras minorias.
Sexta-feira Santa
Papa carrega a cruz e meditações da Via Sacra dão voz ao sofrimento dos povos do Médio Oriente
O Papa presidirá a todas as 14 estações da Via Sacra no Coliseu de Roma, carregando a cruz pessoalmente durante toda a liturgia, que será marcada pelas meditações escritas pelo frei franciscano Francesco Patton, ex-Custódio da Terra Santa (2016-2025) e que atualmente vive no santuário do Memorial de Moisés no Monte Nebo, na Jordânia.
Bíblia da CEP
Naum e Malaquias, mais dois livros proféticos com nova tradução
A comissão coordenadora da tradução da Bíblia da Conferência Episcopal Portuguesa acaba de divulgar as propostas de texto para o Livro de Naum e o Livro de Malaquias e aguarda agora o contributo dos leitores para melhorar a compreensibilidade dos textos.
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Boas notícias
Apelo de Metz
Com Leão XIV, líderes das grandes religiões assumem compromisso de união pela paz e dignidade humana
Os representantes das principais tradições religiosas presentes em França comprometeram-se esta segunda-feira, na cidade de Metz, a aprofundar o diálogo entre si, a educar as novas gerações para o conhecimento mútuo e a permanecerem unidos na promoção da justiça e da paz.
É notícia
Entre margens
[Entre Margens]
Jesus salva-nos de nós mesmos novidade
Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].
[Entre Margens]
Estafetas no fio da navalha
Há uma situação que, para mim, começa a ser difícil de explicar sem recorrer à ironia: centenas de estafetas têm conseguido, nos tribunais portugueses, o reconhecimento do seu vínculo laboral com as plataformas digitais. Ou seja, a Justiça diz, em determinadas decisões, que ali existe uma relação de trabalho. [Texto de Marcel Borges, presidente da Associação dos Imigrantes e Trabalhadores por Aplicação]
[Entre Margens]
Nem que seja uma só criança
Ontem, 27 de setembro, as comunidades católicas de todo o mundo assinalam o 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. O Papa Leão XIV escolheu o tema: “Mesmo uma só destas crianças”. [Texto de António de Almeida-Ribeiro].
Cultura e artes
Cinema
Pela primeira vez, um filme produzido com o Vaticano entra na corrida aos Óscares
É um feito inédito: uma produção realizada em colaboração com o Vaticano está a iniciar o processo de qualificação para os prémios da Academia de Hollywood. Trata-se de Green Lava, documentário de 39 minutos realizado por Lia Beltrami e Ali Aksu, que acompanha a vida de Giacomo Mattivi, um jovem italiano com distrofia muscular de Duchenne.
Em 17 de outubro
Arquitetura e artes para a liturgia: arcebispo de Braga convida para encontro
Arquitetos, engenheiros, artistas, presbíteros, responsáveis de comunidades paroquiais e todos os envolvidos na construção e adequação de espaços litúrgicos estão convidados a participar no I Encontro Diocesano de Arquitetura e Artes para a Liturgia, que se realiza no próximo dia 17 de outubro, em Braga.
a importância que uma farda tem (1)
“Tomo um verso de Guimarães Rosa: todo o dia é véspera, para breves glosas da nossa circunstância”, diz Luís Soares Barbosa, poeta e professor na Universidade do Minho, que a 24/25 de cada mês, assinalando a data da implantação da democracia em Portugal, publica um poema que é, “uma espécie de comentário sobre a nossa circunstância portuguesa”.
Projeto recorre a IA
Evangelhos em rock, Salmos em jazz, Apocalipse em hip-hop: chegou a Bíblia cantada
Toda a Bíblia pode agora ser ouvida em modo cantado, num novo projeto que recorre à Inteligência Artificial (IA) para reproduzir os textos em 16 estilos musicais diferentes.
Sete Partidas
7Partidas
Vinte e cinco anos depois
Em 2001, vivíamos em San Francisco. Naquela segunda-feira, dia 11 de Setembro, fomos acordados pelo meu sogro, que nos ligava da Alemanha para avisar que os EUA estavam a ser atacados. Em San Francisco era ainda madrugada; em Nova Iorque passava das nove da manhã, e as duas torres já estavam a arder. [Texto de Helena Araújo].
Aquele que habita os céus sorri
[Entre o quadro e o mundo (30)]
A democracia também se aprende na escola, mas estará a ser ensinada?
A democracia não começa quando se entra numa assembleia de voto. Começa muito antes: quando se espera pela vez de falar, se escuta uma opinião diferente, se aceita uma regra que também se aplica a nós ou se perde uma votação sem deixar de fazer parte da comunidade.
Agenda
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