Ler para crescer espiritualmente: católicos descobrem livros e autores

| 9 Jan 20

A sensibilização para o gosto pela leitura, contribuindo para o enriquecimento espiritual, o amadurecimento psíquico e a intervenção na sociedade, são algumas das motivações presentes nas iniciativas de comunidades cristãs que, através do livro, por vezes não especificamente religioso, cruzam fé e cultura.

O prazer de ler e pensar e o Clube de Leitura São Tomás de Aquino constituem exemplos de iniciativas que, em 2020, prosseguem um itinerário de formação e descoberta aberto a crentes e não-crentes.

Fernando Savater, Alberto Caeiro, Viriato Soromenho-Marques, Dulce Maria Cardoso, Thomas Mann, Mário de Carvalho, Agustina Bessa-Luís, Sophia de Mello Breyner, Kalil Gibran, Yuval Harari, Aldous Huxley, Virginia Woolf, Tomáš Halík e Georges Bernanos são os autores “convidados” para o ciclo O prazer de ler e pensar, organizado pela comunidade da Capela do Rato, em Lisboa.

Na iniciativa, que começa a 13 de janeiro, comparecem especialistas nos domínios da literatura e da espiritualidade cristã, para comentar títulos como O Valor de Educar, A Montanha Mágica, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Profeta, Homo Deus, O Admirável Mundo Novo, Paciência com Deus e Diário de um Pároco de Aldeia.

Os encontros realizam-se às segundas-feiras, das 18h15 às 20h00, na capela do Rato. As inscrições podem ser feitas presencialmente, no final das missas de domingo (que começam às 11h30), ou por correio eletrónico.

“A palavra nas periferias” é o tema do Clube de Leitura São Tomás de Aquino, na paróquia homónima de Lisboa, que nesta quarta edição, com entrada livre, volta a centrar-se em autores portugueses e obras contemporâneas.

“De uma maneira simples, podemos ver que os livros tocam temas como os refugiados, as pessoas com deficiência, a guerra colonial, a violência doméstica, a velhice. Todavia, a narrativa e o ensaio literário permitem-nos uma imersão que nos leva mais longe e nos aproxima das contradições da nossa própria fragilidade, dos nossos medos, das nossas inquietações”, refere uma nota enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

As sessões, com a presença dos autores, prosseguem a 18 de fevereiro com Furriel não é nome de pai (Catarina Gomes) e Preciosa (Nelson Nunes), a 28 de abril, sempre às 21h00. Está por confirmar a participação de Valter Hugo Mãe, para comentar A Máquina de Fazer Espanhóis. O ciclo começou em 2019, com Deixar Aleppo, de Manuela Niza Ribeiro, e O Meu Irmão, de Afonso Reis Cabral.

(Notícia original publicada na página do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura)

Artigos relacionados

Semana Laudato Si’ (9): Exigências para o equilíbrio ecológico (e agora vem aí um ano Laudato Si’)

Semana Laudato Si’ (9): Exigências para o equilíbrio ecológico (e agora vem aí um ano Laudato Si’) novidade

“O cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade de viver juntos e de comunhão. Jesus lembrou-nos que temos Deus como nosso Pai comum e que isto nos torna irmãos.” Foi com esta referência que o Papa anunciou a sua adesão ao ano especial dedicado à Laudato Si’, a encíclica sobre o cuidado da casa comum que neste domingo, 24 de Maio, assinalou o quinto aniversário de publicação.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Igreja Ortodoxa Russa: Número de voluntários duplica para responder aos pedidos de ajuda novidade

Cerca de 7 mil voluntários, 96 linhas telefónicas e mais de 100 projetos sociais: estes são alguns dos números que resumem a ação caritativa da Igreja Ortodoxa Russa nos últimos dois meses, em resposta à pandemia de covid-19. Em algumas das dioceses, o número de voluntários cresceu para mais do dobro, tornando assim possível dar resposta ao número também crescente de pedidos de ajuda naquele que é o terceiro país do mundo com mais casos registados de infeção.

Covid-19: Maior estátua católica do mundo passa a usar máscara para incentivar prevenção

A maior estátua católica do mundo, representando Santa Rita de Cássia e situada num santuário no interior do Nordeste do Brasil, passou esta sexta-feira a usar máscara, com o objetivo de alertar para a importância da prevenção durante o período de pandemia. O gesto simbólico foi promovido pela paróquia onde se localiza o santuário e ocorreu no dia em que se celebrava a memória desta santa, conhecida como a padroeira das causas impossíveis.

Igrejas evangélicas negam ligação ao partido Chega

Na sequência de uma reportagem publicada na revista Visão desta quinta-feira, onde se refere que o partido Chega, liderado por André Ventura, é apoiado por “lóbis evangélicos”, a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) divulgou um comunicado garantindo que “as igrejas evangélicas não promovem partidos políticos, nem angariam militantes para movimentos desta natureza”.

Suíça: Mulher leiga nomeada como delegada episcopal

A diocese de Lausana-Genebra-Friburgo, na Suíça, terá uma mulher leiga como delegada episcopal, um cargo que, na Igreja Católica, tem sido quase exclusivamente ocupado por padres. Marianne Pohl-Henzen foi nomeada pelo bispo Charles Morerod e assumirá funções em agosto, ficando responsável por gerir diversas entidades eclesiais e respetivos recursos humanos na parte alemã de Friburgo (uma das cinco vigararias daquela diocese).

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Inimigos e rivais de longa data unem-se contra um adversário maior

Inimigos e rivais de longa data unem-se contra um adversário maior

Ofertas de material hospitalar ou de protecção, troca de pessoal médico, um judeu e um muçulmano que param ao mesmo tempo para rezar juntos e uma música gravada para apoiar uma organização de voluntários judeus, muçulmanos e cristãos. A pandemia serve também para que rivais, inimigos ou “diferentes” colaborem uns com os outros e esqueçam divergências.

É notícia

Entre margens

Lares de idosos no fio da navalha novidade

Por más razões, os lares saltaram para as primeiras páginas da comunicação social. Ao longo das últimas semanas, os mortos nestas instituições, legais e ilegais, motivados pela pandemia do covid-19, atingiram cerca de 40% do número total das vítimas mortais (e cerca de 50% em toda a Europa). Trata-se de um elevado número de cidadãos que permaneceram muito esquecidos dos poderes públicos, na fase mais aguda desta devastadora pandemia: a população mais idosa, a mais vulnerável à contaminação pelo vírus.

O trabalho num quarto só para si – e a semana de quatro dias (Opinião da reitora da Univ. Católica) novidade

Nestes dias do grande confinamento, reler Virginia Woolf e o seu notável Um Quarto Só para Si (A Room of One’s Own) adquire um sentido renovado. Dum escritório só para mim, sinto-me afinal herdeira de um texto que se tornou quase projeto de missão: que para a independência da mulher, em particular de uma profissional criativa, como a mulher escritora, se exigia ter um rendimento fixo e um quarto só para si. Nos dias do grande confinamento, contudo, o quarto não é garantido – apenas alguns o têm só para si – e muito menos o rendimento é fixo.

Covid e educação: aproveitar as oportunidades

Estamos a viver um tempo inusitado, inesperado e imprevisível, que deixou também as escolas e o sistema escolar em apuros, sob um elevado stresse organizacional e profissional. A mudança é disruptiva, em vez de incremental, é reativa em vez de antecipatória, é imposta, em vez de desejada. Isto marca desde logo um tempo muito peculiar e sem precedentes. Um tempo que requer uma atenção redobrada.

Cultura e artes

A poesia é a verdade justa

“A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha”, escreve Sophia de Mello Breyner na sua Arte Poética III. Foi destas palavras que me lembrei ao ver o filme Poesia do sul coreano Lee Chang-dong, de 2010

Hinos e canções ortodoxas e balcânicas para a “Theotokos”

Este duplo disco, Hymns and Songs to the Mother of God reúne, como indicado no título, hinos bizantinos (o primeiro) e canções tradicionais (o segundo), dedicados à Mãe de Deus. O projecto levou três anos a concretizar, entre a recolha, estudo e gravação, como conta a própria Nektaria Karantzi na apresentação.

O perdão, a maior alegria de Deus

Há experiências cuja reflexão sobre elas exige humildade e coragem: experiências que marcam a nossa história e o nosso quotidiano, e das quais qualquer pensamento pode pecar pela superficialidade ou pelo idealismo. O perdão é uma dessas experiências. É por isso um ato de coragem a proposta – tão breve como significativa! 112 páginas em formato de bolso – do monge italiano Enzo Bianchi.

Luis Sepúlveda (1949-2020): viajar para contar

“Eu estive aqui e ninguém contará a minha história”. A frase com que Luis Sepúlveda se confrontou no campo de concentração de Bergen Belsen marcou-o. Deparou-se com ela numa extremidade do campo e muito próximo do lugar onde se erguiam os infames fornos crematórios. Na superfície áspera de uma pedra, viu que “alguém (quem?) gravou, talvez com o auxílio de uma faca ou de um prego” esse que considerou como “o mais dramático dos apelos”.

Sete Partidas

Retrospectiva

Regresso algures a meados de 2019, vivíamos em Copenhaga, e recupero a sensação de missão cumprida, de alguma forma o fechar de um ciclo ao completarmos 10 anos de vida na Dinamarca e nos encontrarmos em modo de balanço das nossas vidas pessoais, profissionais e também da nossa vida interior. Recordo uma conversa com uma querida amiga, onde expressei desta forma o meu sentimento: “a nossa vida aqui é boa, confortável, organizada, segura, previsível, mas não me sinto feliz.”

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Parceiros

Fale connosco