Igreja Católica – que caminhos de futuro? (Debate – 11)

Levar os crentes à (re)aprendizagem do Evangelho

e | 12 Abr 2023

O catolicismo vive uma crise profunda, apesar de continuar a ser para muitas pessoas um espaço vital de busca de sentido e experiência de fraternidade. As situações de abusos de poder e violências sexuais vieram evidenciar problemas sistémicos. Em Portugal, depois de terem criado uma Comissão Independente (CI) para estudar os abusos sexuais sobre crianças, os bispos ficaram na indefinição sobre o que fazer com o panorama posto a nu pelo relatório da CI. Perante a perplexidade que tomou conta da sociedade e de muitos crentes, o 7MARGENS convidou católicos a partilhar leituras da situação e propor caminhos de futuro, a partir de três perguntas:

  1. Quais são os pontos que considera centrais nas medidas a assumir agora pela Igreja, para ser fiel ao Evangelho e ser testemunho de Jesus Cristo na sociedade? A quem cabe concretizar e liderar a aplicação de tais medidas?
  2. Considera que faria sentido que os batizados se encontrassem e se escutassem sobre essas tarefas e desafios que se colocam à comunidade eclesial, a nível diocesano e/ou nacional? Como? De que formas?
  3. Que contributo(s) estaria disposto a dar para que a Igreja, os católicos e as suas comunidades adotem um caminho centrado no Evangelho em ordem a superar a prática de abusos?

 

Nesta décima primeira resposta, o casal de professores universitários em Massachussets e Providence (Estados Unidos), Lourdes e José Francisco Costa sugerem um conjunto de medidas em relação à reparação dos problemas surgidos com os abusos sexuais e o debate, entre os batizados, sobre as tarefas e desafios que a sociedade coloca à renovação da Igreja.

 

Discutir todas as tarefas e desafios

 

“Os primeiros esforços para nomear os representantes dos batizados terão de ser a nível da própria paróquia. Daqui passar para o nível diocesano.” Foto: Paróquia São Brás. Missa. © Arlindo Homem / Ecclesia

 

1. Em primeiro lugar, e porque o Sínodo tem como base programática a tentativa de congregarmos esforços que levem os crentes à (re)aprendizagem do Evangelho, é necessário escutarmos a voz e lermos os gestos do Papa Francisco no que toca à urgente renovação da total estrutura da Igreja/instituição. Para tal, não bastam boas intenções e promessas assentes numa falsa esperança no futuro que há de vir. O futuro é a constante renovação do presente. Temos de ter a coragem de, com o espírito de Pedro e Paulo, dizer a verdade e consentir que, a todos os níveis, nos desviámos da simplicidade da mensagem de Jesus. Por isso, e para que a fé não seja morta, torna-se necessário tomar medidas estruturais. Como e por quem? Não podemos esvaziar o sentido da responsabilidade, atirando para o ar sugestões sem sentido e sem rosto.

Assim, e em espírito de “comunhão, participação e missão”, propomos o seguinte:

a) No caso da pedofilia, levar a Santa Sé a promover uma reunião, presidida pelo Papa, com todos os bispos de Portugal, para que publicamente e pessoalmente se retratem e peçam perdão pelos crimes cometidos, por negligência, encobrimento da verdade ou conluio com os prevaricadores.

Que nessa mesma reunião seja exigido o cumprimento, por parte dos bispos e outros responsáveis, das normas emanadas da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica.

Exigir que seja publicada uma lista dos prevaricadores (padres e leigos) incluindo os já falecidos.

Que a Igreja seja responsabilizada, segundo a lei, por indemnizar todas a vítimas.

Pesem embora as implicações de carácter económico e financeiro, iniciativas como a Jornada Mundial da Juventude devem pautar-se pelo espírito de pobreza, humildade e serviço. De que serve celebrar a eucaristia de um crucificado num altar que custou milhões de euros?

b) Renovação do sistema que está velho e ultrapassado, por dar continuidade à reconversão da instituição eclesial, que se desviou do essencial sentido da missão, mediante a prática de várias medidas, entre as quais se destacariam as seguintes:

Os seminários devem tornar-se em centros de preparação para a pastoral, em estreita colaboração com as paróquias.

O presbiterado só deverá ser concedido aos homens e mulheres que, para além da sua idoneidade académica (Filosofia e Teologia cursadas em universidades), tenham demonstrado, na comunidade onde vivem, exemplar vocação para o serviço, em todas as suas vertentes de âmbito social e religioso.

A missão do diaconado deverá ser revista, de modo que não se torne numa mera função de acólito.

O bispo deve despir a formalidade de um gerente do altar, e ser o verdadeiro líder na caminhada eclesial. Devem ter coragem, com o apoio dos leigos, para banir vestes e outros adereços que evocam um passado que nada tem a ver com a gruta de Belém.

 

2. Faz todo o sentido que os batizados tenham um tempo e um espaço para discutirem todas as tarefas e desafios que o mundo nos coloca como crentes em Jesus e na sua Mensagem. Primeiramente teremos de olhar para os que vivem à nossa volta, os nossos próximos e tentarmos descobrir o que temos em comum. Em segundo lugar, procurarmos não cair na tentação de sempre: deixar que a escolha dos batizados se processe por via das instâncias superiores (párocos, fábricas da igreja, cabido, bispo).

Os primeiros esforços para nomear os representantes dos batizados terão de ser a nível da própria paróquia. Daqui passar para o nível diocesano. Tal poderá ser implementado pela contribuição dos média: boletim paroquial, jornal diocesano, programas de rádio e televisão, Internet.  A nível nacional – e sempre independente da hierarquia, mas com a sua participação – teria lugar, de dois em dois anos, um encontro de reflexão sobre o “nosso caminhar de igreja”.

 

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo

Iniciativa ecuménica

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo novidade

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) lançou oficialmente esta semana a Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo, anunciou o Vatican News. Um dos principais responsáveis pela iniciativa é o cardeal Luís José Rueda Aparício, arcebispo de Bogotá e presidente da conferência episcopal da Colômbia, que pretende que a nova “pastoral de rua” leve a Igreja Católica a coordenar-se com outras religiões e instituições já envolvidas neste trabalho.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Iniciativa ecuménica

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo novidade

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) lançou oficialmente esta semana a Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo, anunciou o Vatican News. Um dos principais responsáveis pela iniciativa é o cardeal Luís José Rueda Aparício, arcebispo de Bogotá e presidente da conferência episcopal da Colômbia, que pretende que a nova “pastoral de rua” leve a Igreja Católica a coordenar-se com outras religiões e instituições já envolvidas neste trabalho.

Número de voluntários na Misericórdia de Lisboa ultrapassa os 500… e mais serão bem-vindos

Inscrições abertas

Número de voluntários na Misericórdia de Lisboa ultrapassa os 500… e mais serão bem-vindos novidade

No último ano, o “número de voluntários na Misericórdia de Lisboa chegou aos 507”, refere a organização num comunicado divulgado recentemente, adiantando que o “objetivo é continuar a crescer”. “Os voluntários, ao realizarem uma atividade voluntária regular e sistemática, estão a contribuir para um mundo mais fraterno e solidário, estão a deixar a sua marca, aumentando capacidades e conhecimentos, diminuindo a solidão, promovendo diversão e alegria, e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva”, realça Luísa Godinho, diretora da Unidade de Promoção do Voluntariado da Santa Casa.

Mais de 1.000 tibetanos detidos pelas autoridades chinesas após protestos pacíficos

Grupo de Apoio ao Tibete denuncia

Mais de 1.000 tibetanos detidos pelas autoridades chinesas após protestos pacíficos novidade

A polícia chinesa deteve mais de 1.000 pessoas tibetanas, incluindo monges de pelo menos dois mosteiros, na localidade de Dege (Tibete), na sequência da realização de protestos pacíficos contra a construção de uma barragem hidroelétrica, que implicará a destruição de seis mosteiros e obrigará ao realojamento dos moradores de duas aldeias. As detenções aconteceram na semana passada e têm sido denunciadas nos últimos dias por várias organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo o Grupo de Apoio ao Tibete-Portugal.

Este espelho é pouco meigo. E gostamos disso

Este espelho é pouco meigo. E gostamos disso novidade

Cara de Espelho, nome de grupo e de disco, é antes de mais um manifesto, nestes tempos de populismos e extremismos à direita, sem medo de jogar com as palavras e as metáforas, onde se reconhecem atores e políticas que ameaçam direitos e liberdades. Sem medos.

E o Seminário, terá responsabilidade?

E o Seminário, terá responsabilidade? novidade

Atravessei a década de 80 entre os muros de seminários. Três, ao todo. Dar-me-á esta circunstância a legitimidade para falar abertamente do meu susto? O meu susto é este: conheço pelo menos dois políticos portugueses (que os leitores facilmente identificarão) formados em seminários, cuja opção política está do lado daqueles que, na História, pensaram o povo como um rebanho de gente acéfala e incapaz. [Texto de Paulo Pereira de Carvalho]

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This