
Peregrinos ouvindo a homilia na missa de abertura. Foto ©️ Jesus Huerta JMJ Lisboa 2023
Os acontecimentos religiosos não são tradicionalmente uma prioridade informativa do diário francês Libération, mas à Jornada Mundial da Juventude dedicou o jornal, no dia de abertura, quatro páginas integrais e uma referência no topo da primeira página. “Em Lisboa, Jesus regressa para junto dos seus”, diz o título do texto principal.
“Não há dúvida: as JMJ, organizadas geralmente de três em três anos, continuam a ser o maior acontecimento católico do mundo”, escreve Bernardette Sauvaget, indicando que a que começou no dia 1 de Agosto constituirá “um dos maiores encontros do verão de 2023”. A jornalista acrescenta que, após a pandemia de Covid-19 e perante a crise climática, ninguém sabe se a fórmula das JMJ continua actual e sustentável, mas, para a Igreja Católica, este encontro religioso é crucial e permite-lhe ter uma visibilidade rara. Bernardette Sauvaget regista também um “alívio” francês. Estimava-se a presença de 30.000 jovens e esse número foi amplamente superado. Mais de 41.000 rumaram em direcção a Lisboa e outros, à última hora, tentaram em vão fazê-lo.
As páginas do Libé incluem ainda um texto sobre Taizé, considerado o “antepassado discreto das JMJ”, uma notícia sobre o elevado custo que tem para os jovens católicos africanos a participação na iniciativa e uma entrevista com o historiador Charles Mercier, autor de A Igreja, os jovens e a mundialização – Uma história das JMJ. O título da conversa sublinha uma afirmação de Mercier que constata um “desafio de utopia geoestratégica presente nas JMJ”. Hoje, essa utopia traduz-se “mais nos encontros concretos dos peregrinos do que nas grandes cerimónias transmitidas pela televisão”. Charles Mercier fala ainda de “um entusiasmo, captado pelas câmaras televisivas, que cria ondas de choque emocional que toca, por círculos concêntricos, outras pessoas, por exemplo os habitantes da cidade hóspede, que não tinham previsto participar no acontecimento”









