Convite a oração global

Líderes cristãos consternados e unidos no apelo à paz no Médio Oriente

| 9 Out 2023

Pomba da paz. Foto Albin HillertCMI

“As frágeis esperanças de paz que pareciam estar a surgir um pouco no horizonte estão a esfumar-se”, lamentou o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin. Foto ©  Albin Hillert/CMI.

 

“O mundo parece ter enlouquecido, parece que contamos apenas com a força, com a violência, com o conflito, para resolver problemas que estão aí, reais, e que devem ser resolvidos com métodos bem diferentes.” A frase é do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e expressa a sua consternação com a escalada de violência em Israel. Consternação e desejo de paz que são partilhados com inúmeros líderes cristãos, assim como a vontade de que uma solução para o conflito seja encontrada que não envolva morte e destruição.

“Além da destruição de vidas humanas, que testemunhamos de maneira horrível, as frágeis esperanças de paz que pareciam estar a surgir um pouco no horizonte estão a esfumar-se”, afirmou o cardeal Parolin este domingo, 8 de outubro, durante uma conferência para a comunidade monástica italiana. “Portanto, isso exigirá um esforço muito maior para retomar o fio à meada e tentar chegar a uma solução pacífica, que é a única solução justa e a única solução eficaz que evitará a recorrência destas situações”.

Depois de o Papa Francisco ter já manifestado a sua “apreensão” com o agravamento do conflito, Parolin fez um apelo à União Europeia e ao seu papel: “a Europa foi constituída precisamente como uma experiência fundamental de paz após as grandes tragédias do século XX e não apenas internamente, mas externamente. No entanto”, lamentou, “acredito que os problemas existentes na União Europeia e a dificuldade de se relacionar de maneira correta com outras realidades dificultam esse papel de paz que a Europa deveria desempenhar no mundo. Esperamos que ela recupere esse papel e essa dimensão, mas não vejo isso tão claro, não vejo isso tão nítido”, concluiu o cardeal.

Referindo-se também a outros conflitos vividos na atualidade, nomeadamente entre a Rússia e a Ucrânia, o secretário de Estado do Vaticano assinalou ainda que “o fundamentalismo e o nacionalismo de vários tipos não podem ser legitimados, nem qualquer forma de sacralização e mitologização da ideia de nação. Um é uma forma de negação da verdadeira inspiração religiosa, o outro é uma forma de neopaganismo. Essas são formas que não têm nada a ver com o aprimoramento legítimo da comunidade nacional e com uma busca genuína pelo bem comum”.

“Não sabemos como isto vai evoluir e como vai terminar. O que está a acontecer está além do imaginável”, reconheceu. Por isso, apelou, “além dos esforços diplomáticos que não parecem ter grandes resultados – e digo isto também em referência à guerra na Ucrânia – todos devemos unir-nos numa oração uníssona pela paz”.

 

Preservar o status quo nos lugares sagrados

vista de jerusalém e do monte das oliveiras, foto John Theodor

“Apelamos repetidas vezes à importância de respeitar o status quo histórico e legal dos santuários sagrados”, escreveram os Patriarcas e Chefes das Igrejas em Jerusalém na sua declaração. Foto © John Theodor.

 

Prontos para unir-se a essa oração estão os líderes cristãos da Terra Santa, que também já levantaram as suas vozes para apelar à cessação de todas as atividades militares violentas e ao respeito pelo status quo nos lugares sagrados.

Numa declaração divulgada logo no sábado, 7 de outubro, os Patriarcas e Chefes das Igrejas em Jerusalém – ortodoxos, ortodoxos orientais, católicos, anglicanos e protestantes – condenaram inequivocamente quaisquer atos que visem civis, independentemente da sua nacionalidade, etnia ou fé. “É nossa fervorosa esperança e oração que todas as partes envolvidas atendam a este apelo pela cessação imediata da violência”, diz o comunicado. “Imploramos aos líderes políticos e às autoridades que se envolvam num diálogo sincero, procurando soluções duradouras que promovam a justiça, a paz e a reconciliação para o povo desta terra, que suportou o fardo do conflito durante demasiado tempo.”

“Apelamos repetidas vezes à importância de respeitar o status quo histórico e legal dos santuários sagrados”, acrescentaram.

Em Israel, o “status quo” refere-se a um entendimento entre as comunidades cristãs, muçulmanas e judaicas relativamente a nove locais religiosos partilhados em Jerusalém e Belém, bem como a um entendimento político entre partidos e comunidades religiosas para não prejudicar o acordo comunitário em relação a questões religiosas.

O padre Francesco Patton, Custódio da Terra Santa, convidou no entanto todos os que visitam a Terra Santa a serem cautelosos. e “limitarem os seus movimentos”, seguindo as instruções das autoridades locais. “Rezamos pela segurança de todos os habitantes da Terra Santa que ainda não conseguem encontrar a paz”, pediu.

 

Uma oração global via Zoom

Jovens palestinianos numa oração pela paz em 2019. A Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém convida todos a rezarem juntos através da Internet. Foto © Albin Hillert/WCC-CEI.

 

“Ambas as partes devem exercer moderação, garantir a segurança dos civis e trabalhar urgentemente por soluções pacíficas”, apelou por seu lado a secretária-geral da Federação Luterana Mundial, reverenda Anne Burghardt.

“A comunidade internacional deve agir imediatamente para ajudar a desescalar o conflito e levar ambas as partes a uma negociação que possa levar à paz e não à guerra no Médio Oriente”, acrescentou, lembrando que “o direito internacional humanitário deve ser respeitado por ambos os lados deste conflito”.

Também na perspetiva de Jerry Pillay, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas, “os ataques atuais ameaçam apenas com mais violência” e “não podem fornecer um caminho para a paz ou para a justiça”.

Numa declaração publicada no mesmo dia, Pillay admitiu uma profunda preocupação “com os riscos iminentes de um conflito em espiral entre Israel e os grupos armados palestinianos, e com as consequências inevitavelmente trágicas para o povo da região – tanto israelitas como palestinianos” e deixou um apelo:

“Pedimos a todas as igrejas membros do CMI que se unam hoje na oração por uma paz justa na terra onde nasceu Cristo e em solidariedade com todas as pessoas afetadas e ameaçadas pela violência”, concluiu.

A Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém já passou das palavras à ação e, na sequência da escalada de violência. está a dinamizar uma oração global pela paz via Zoom. A próxima será no domingo, dia 15 de outubro, às 14 horas (hora de Lisboa), e todos os que queiram participar devem inscrever-se online.

 

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