Reconciliação com povos indígenas

Líderes de tribos canadianas em Roma

| 27 Mar 2022

 

Parte das delegações das tribos indígenas do Canadá chegaram este domingo, 27 de março, a Roma para iniciarem uma série excecional de quatro encontros com o Papa Francisco no âmbito do processo que culminará com o pedido de perdão da Igreja pelos graves abusos cometidos nas escolas residenciais que nos séculos XIX e XX participaram no processo de assimilação à força os povos nativos.

Os representantes das organizações índias e alguns descendentes de sobreviventes das escolas-residências serão acompanhados por bispos canadianos nas audiências que se prolongarão por toda esta semana. Francisco receberá mais de uma centena de índios em quatro encontros de uma hora cada, duração que é referida como “excecional” na edição de 27 de março do jornal La Croix.

Os encontros decorrerão à porta fechada de 28 a 31 de março, e terminarão no dia 1 de abril num encontro geral do Papa com o conjunto das delegações na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano.

São três as delegações que irão até ao Vaticano. No dia 28 o Papa terá encontros com a delegação Métis e com a delegação Inuit, e no dia 31 está previsto o encontro com a delegação Primeiras Nações, tudo antes do encontro final que decorrerá no dia 1 de abril.

O encontro do Papa com as delegações estava previsto para dezembro do ano passado, mas foi adiado por causa da pandemia.

“Penso que o Papa vai pedir perdão” pelos crimes cometidos nas escolas residenciais e vai “assumir o que ali aconteceu” disse ao jornal canadiano La Presse Mandy Gull-Masty, grande chefe do Grande Conselho dos Cris du Québec, que será a única mulher da região do Quebeque (língua francesa) a integrar a delegação a Roma. Gull-Masty não tem dúvidas de que o Papa Francisco vai pedir perdão às Nações Índias durante “a sua viagem ao Canadá no final deste ano” para que “muitas pessoas o oiçam”.

Entre 1863 e 1998, mais de 150 mil crianças indígenas foram tiradas às suas famílias e internadas nas escolas residenciais onde não tinham permissão para falar a sua língua nativa ou para realizarem quaisquer gestos característicos da sua cultura [ver 7MARGENS]. O internamento nestas instituições que se propunham assimilar à força as crianças autóctones tornou-se obrigatório na década de 1920, passando os pais a enfrentar a ameaça de prisão caso não cumprissem essa obrigação.

Estimativas de várias fontes apontam para que mais 6.000 crianças tivessem morrido durante o seu internamento forçado e um número muito maior tivesse sido vítima de maus-tratos, abusos sexuais e outras violências. No Canadá chegaram a existir mais de 130 escolas residenciais financiadas pelo Governo e administradas por autoridades religiosas, sendo a Igreja Católica responsável por cerca de 70 por cento desses estabelecimentos.

 

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