Líderes máximos do islão xiita e sunita preparam aproximação

| 17 Mai 21

Al-Tayyeb e al-Sistani com o Papa: desta vez, pode acontecer um encontro entre os líderes das duas correntes muçulmanas mais importantes. Foto: Direitos reservados

 

Pode estar no horizonte um encontro, que será certamente histórico, entre o Grande Ayatolah Ali Al-Sistani, a maior autoridade mundial dos muçulmanos xiitas, e o Grande Imã da mesquita de al-Azhar, no Cairo (Egito), Ahmed Al-Tayyeb, o mais representativo dignitário sunita.

O encontro foi recentemente admitido por um importante responsável muçulmano xiita, Jawad Al-Khoei, secretário-geral do ‘Instituto Al-Khoei’, em conversa com jornalistas da estação Al-Arabiya e relatadas no passado dia 10 de maio pelo jornal italiano La Stampa.

Al-Khoei, ele próprio neto de um grande ayatolah que dá o nome ao Instituto em que trabalha, foi uma das poucas pessoas presentes em grande parte do encontro entre o Papa Francisco e al-Sistani, em 6 de março passado em Najaf, durante a visita papal ao Iraque. O próprio Al-Khoei ajudou a preparar esse encontro.

Por sua vez, foi com Al-Tayyeb que, na sua viagem aos Emiratos Árabes Unidos, em fevereiro de 2019, o Papa Francisco assinou o Documento sobre a Fraternidade Humana, pelo qual os dois líderes se comprometem a trabalhar juntos e rejeitar a violência e o radicalismo.

Segundo a notícia do La Stampa, entretanto traduzida pelo serviço de notícias da Unisinos, o académico islâmico xiita afirmou que Najaf aprova e apoia também a reaproximação entre Bagdade e Riad (Arábia Saudita) e ao mesmo tempo confirmou, pela primeira vez de forma pública, que está a trabalhar com determinação na preparação de um encontro, também em Najaf, entre os dois altos responsáveis muçulmanos.

Jawad Al-Khoei acrescentou ainda: “O islão voa com as asas de sunitas e xiitas. As nossas contribuições são muitas e têm como objetivo a promoção de valores como justiça, convivência e cidadania. Encontrei várias vezes o xeque de Al-Azhar, Ahmed Al-Tayyeb, e tivemos diálogos francos amigáveis.”

 

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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