Reino Unido

Líderes religiosos contra posição da ministra do Interior sobre imigrantes e refugiados

| 1 Nov 2022

Suella Braverman está sob fogo depois de declarações sobre imigração que não froam bem aceites. Foto © David Woolfall

Suella Braverman está sob fogo depois de declarações sobre imigração que não foram bem aceites. Foto © David Woolfall

 

O rabino David Mason, uma voz altamente respeitada no Reino Unido, juntou-se ao coro de condenações públicas contra a afirmação da ministra do Interior, Suella Braverman, de que o país está a ser alvo de “uma invasão de imigrantes”. Braverman, que é casada com um judeu e filha de um goês imigrado, fez esta afirmação na Câmara dos Comuns, na segunda-feira 31 de outubro.

David Mason, rabino da sinagoga de Muswell Hill, disse ao Jewish News de dia 1 de novembro que os comentários de Braverman lhe “doeram enquanto judeu e como pessoa”, acrescentando: “Compaixão e bondade são valores fundamentais da nossa religião. Usar o termo ‘invasão’ para referir o movimento dos que buscam segurança e uma vida melhor no Reino Unido e permitir condições atrozes para requerentes de asilo não poderiam estar mais longe desses valores.”

O rabino aludia “às condições atrozes” do sobrelotado centro de detenção de Manson, uma antiga base da Royal Air Force, onde estão detidos mais de 4.000 (o dobro da sua capacidade) refugiados e imigrantes económicos privados de condições mínimas de sobrevivência. O centro de detenção foi alvo de um ataque incendiário xenófobo no domingo. Na ocasião, a ministra do Interior tornou pública a sua preocupação com os guardas e a polícia, mas não referiu uma única vez o verdadeiro alvo do ataque: os imigrantes ali detidos.

Suella Braverman foi candidata à sucessão de Boris Johnson, mas não passou da primeira volta e acabou por apoiar Liz Truss que a convidou para o seu Governo. Governo que foi forçada a deixar a 19 de outubro após ter quebrado as regras de sigilo governamental ao passar informação confidencial para fora da esfera governamental. Mas o atual primeiro-ministro Rishi Sunak convidou-a a 25 de outubro para integrar o seu Governo, alegando que ela tinha reconhecido o anterior erro e já tinha pagado por ele. A ministra é também acusada de ter suspendido a prática de distribuição de detidos no centro de Manson por unidades hoteleiras e desta forma ter aumentado a precariedade das condições dos imigrantes ali detidos.

Hoje, dia 1 de novembro, a Igreja da Escócia condenou também, em comunicado, a linguagem que Braverman usou como “deplorável” e pediu ao governo do Reino Unido que responda aos “repetidos pedidos” para que discuta e decida como criar melhores alternativas para acomodar os imigrantes e refugiados que solicitam asilo.

 

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