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Líderes religiosos da Guiné-Bissau pedem respeito pela vontade do povo

| 05/11/2019

Líderes religiosos da Guiné-Bissau pedem respeito pela vontade do povo

by | 5 Nov 19 | Cristianismo, Diálogo ecuménico e inter-religioso, Estado, Política e Religiões, Igreja Católica, Islão, Sociedade - homepage, Últimas

Guineenses a atravessar um rio: políticos devem ter diante dos olhos o bem do povo, dizem os líderes religiosos. Foto © Colleen Taugher/Wikimedia Commons

 

Os representantes das três mais importantes confissões religiosas da Guiné-Bissau querem que a vontade do povo expressa em eleições seja respeitada. Numa mensagem comum, os bispos católicos, o Conselho das Igrejas Evangélicas e as três associações muçulmanas do país (Conselho Nacional Islâmico, Conselho Superior Islâmico e Associação dos Imames da Guiné-Bissau) apelam aos dirigentes políticos a que respeitem a vontade do povo e também as leis do país, bem como os “instrumentos de orientação sobre o modo de viver em democracia”.

A mensagem, lida pelo bispo de Bissau, José Camnate, e citada na Xibaaru, publicação francesa de actualidade africana, pretende intervir nas eleições presidenciais, marcadas para 24 de Novembro e no momento em que o país vive uma nova crise política, depois de o Presidente da República ter demitido o Governo, saído das eleições legislativas de Março último.

No texto, os líderes religiosos cristãos e muçulmanos escrevem, em crioulo do país: Garandis Kuma fidju de si n´sibiba never ka padidu, um apelo a que os líderes pensem antes de agir, sobretudo tendo o bem-estar da população diante de si.

“Se há uma vontade expressa pelo povo e um governo acabado de sair de eleições, esse governo deve merecer o respeito de todos, deixando-o trabalhar durante o período para o qual a governação lhe foi confiada”, diz o texto, de acordo com Xibaaru.

Com estas afirmações, os líderes religiosos colocam-se claramente ao lado do Governo demitido, liderado por Aristides Gomes. Com a aproximação das presidenciais do final deste mês, crescem também os receios da instrumentalização étnica e religiosa, dizem, bem como a linguagem da violação e o desrespeito pelas regras democráticas, avisam.

Os bispos, pastores e líderes muçulmanos apelam ainda ao povo para que dê provas do seu espírito patriótico tradicional; aos profissionais dos média, pelo respeito pelas regras deontológicas e no sentido de favorecerem a justiça e a paz social; e à comunidade internacional, para que continue a ser solidária com o povo da Guiné-Bissau.

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