Líderes religiosos e universidades contra decisão de Trump de deportar estudantes internacionais

A Universidade de Harvard foi uma das instituições que avançaram com um processo legal para a revogação da lei que pretende retirar os vistos aos estudantes internacionais. Foto © Harvard University.
Os líderes de 12 organizações cristãs norte-americanas pediram à administração Trump que recue na decisão de retirar os vistos a todos os alunos internacionais a frequentar cursos em universidades nos EUA, cujas aulas vão decorrer online no próximo semestre devido à pandemia de covid-19, considerando que a mesma prejudica estudantes e instituições de ensino. Várias universidades e 17 estados norte-americanos já recorreram à Justiça para impedir que a decisão avance.
“Uma nova regra para os vistos colocaria em risco a educação de quase um milhão de estudantes internacionais e prejudicaria centenas de faculdades e universidades”, pode ler-se numa carta enviada na passada sexta-feira, 10 de julho, ao secretário interino do Departamento de Segurança Nacional, Chad Wolf, divulgada pela revista Christianity Today.
Assinado por diversas instituições religiosas, entre as quais a Associação Nacional de Evangélicos, o Conselho para as Faculdades e Universidades Cristãs, e a Convenção Batista do Sul, o texto acusa a nova política de ficar “aquém dos ideais americanos” e “privar o país do contributo significativo” que os estudantes internacionais dão às suas faculdades a nível pessoal e económico.
“Esta política deve ser revogada para permitir que os alunos mantenham os seus vistos se frequentarem aulas online devido à covid-19”, defendem os líderes cristãos.
A Universidade de Harvard, que conta com cinco mil estudantes estrangeiros, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde um terço dos alunos são internacionais, já avançaram com uma ação no Tribunal Federal para bloquear a decisão do Governo dos EUA, noticiou o JN.
“Vamos defender vigorosamente este caso, para permitir que os nossos estudantes estrangeiros – e estudantes estrangeiros de todas as universidades do país – continuem os seus estudos sem correr o risco de serem expulsos”, disse o presidente da Universidade de Harvard, Lawrence Bacow, na sua conta da rede social Twitter.
As escolas alegam que a decisão foi tomada “sem levar em conta a saúde de estudantes, professores e funcionários administrativos” e deixa “centenas de milhares de estudantes estrangeiros sem a possibilidade de estudar nos Estados Unidos”.
Para poderem ficar no país, o Presidente Trump quer que esses alunos estrangeiros sejam transferidos para estabelecimentos que retomarão o ensino presencial. Contudo, a apenas algumas semanas do início do ano letivo, a maioria dos estudantes não conseguirá fazer essa transferência.
“É uma tentativa de forçar as universidades a retomar o ensino presencial”, concluem os presidentes das duas instituições de ensino, considerando a decisão “arbitrária e caprichosa” e acusando Trump de “ignorar aspetos importantes do problema”.
De acordo com o New York Times, esta segunda-feira, 13 de julho, 17 estados norte-americanos (juntamente com o distrito federal de Columbia) também apresentaram queixa contra o Governo. Juntos, representam 1124 instituições de ensino e um total de 373 mil estudantes internacionais preocupados com o futuro, nomeadamente com a dificuldade que muitos terão em regressar aos seus países de origem, devido às restrições nos voos, caso a lei avance.
Na noite desta terça-feira (hora de Lisboa), o mesmo jornal adiantou que a Administração Trump teria recuado na decisão de retirar os vistos aos estudantes.
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