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Abu Dis, Palestina. Muro. Israel

Líderes religiosos, ONU, UE e Liga Árabe contra anexação de parte da Cisjordânia

| 24/06/2020

Líderes religiosos, ONU, UE e Liga Árabe contra anexação de parte da Cisjordânia

by | 24 Jun 20 | Direitos Humanos, Estado, Política e Religiões, Newsletter diária - título, Sociedade, Sociedade - homepage, Últimas

Abu Dis, Palestina. Muro. Israel

Uma mulher na Universidade de Al-Qods (Jerusalém), em Abu Dis, com o muro de separação a serpentear o horizonte. O Governo de Israel está cada vez mais sozinho na decisão de anexar territótio cisjordano. Foto © WCC

 

À medida que se aproxima o dia 1 de julho, data anunciada pelo Governo de Israel para iniciar os planos de anexação de parte dos territórios da Cisjordânia, crescem as vozes que se opõem a esta iniciativa. Representantes religiosos, das Nações Unidas, da Liga Árabe e da União Europeia (com o apoio expresso de Portugal) manifestam uma enorme preocupação com as possíveis consequências da concretização destes planos, que afirmam ser “contrários ao direito internacional” e comprometer as negociações para a paz na região.

O arcebispo (anglicano) de Cantuária, Justin Welby, e o arcebispo (católico)de Westminster, cardeal Vincent Nichols, expressaram a sua oposição a qualquer iniciativa do Governo de Israel de anexar parte do território da Cisjordânia, tendo enviado cartas ao embaixador de Israel no Reino Unido, Mark Regev, e ao primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, publicadas no site da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales.

“Apoiamos inequivocamente o direito fundamental dos cidadãos israelitas de viver em paz e segurança, mas essas perspetivas têm de ser asseguradas apenas por meio da negociação e não pela anexação”, escreveram.

Também a delegação de bispos católicos e anglicanos do grupo de Coordenação da Terra Santa (Holy Land Coordination), que visita regularmente aquela região, apelou esta quarta-feira ao governo britânico que tente impedir a anexação. “Do nosso diálogo com as comunidades na Terra Santa, sabemos em primeira mão que a situação está a deteriorar-se rapidamente. A anexação só traria mais conflito, sofrimento e divisão”, afirmaram num encontro com parlamentares britânicos.

No mesmo dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, falou na abertura da reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, realizada por videoconferência para debater a questão da anexação e assinalou: “Estamos num momento crucial.” Guterres, que habitualmente não participa nestas sessões, fez questão de se dirigir ao Conselho para expressar a sua preocupação em relação aos planos de Israel, considerando que se trata de um passo unilateral que prejudicaria qualquer perspetiva de retorno às negociações de paz no Médio Oriente.

“A anexação unilateral de Israel a qualquer parte da Cisjordânia ocupada fecharia efetivamente a porta a um reatamento das negociações e destruiria as perspetivas de um Estado palestiniano viável e a solução de dois Estados. Seria catastrófico para os palestinianos, os israelitas e a região”, tinha já afirmado o secretário da ONU no relatório para o Conselho de Segurança, divulgado na terça-feira.

A Liga Árabe, que também participou na sessão, instou igualmente Israel a abandonar os seus planos, reforçando que os mesmos poderão “acabar com os esforços internacionais para criar um Estado palestiniano viável”.

 

Perigoso precedente

À margem da reunião, mais de mil deputados europeus pediram aos seus governos para tomarem uma posição contra os planos de anexar partes da Cisjordânia ocupada, alertando para o precedente que isso estabelecerá nas relações internacionais.

“A Europa deve tomar a iniciativa de mobilizar os atores internacionais para evitar a anexação e salvaguardar as perspetivas da solução de dois Estados e de uma solução justa para o conflito”, afirmam 1.080 signatários de uma carta enviada ao chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, e aos ministros dos Negócios Estrangeiros de 25 países europeus, esta quarta-feira, 24 de junho.

“A aquisição do território pela força não faz sentido em 2020″, observam os deputados, advertindo que “a falta de uma resposta adequada incentivará outros Estados com reivindicações territoriais a ignorar os princípios básicos do direito internacional”.

Portugal apoia os “esforços da União Europeia no sentido de alcançar uma paz sustentável e duradoura no Médio Oriente” e apela a Israel para que “evite qualquer decisão unilateral contrária ao direito internacional”, assegurou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em declarações à agência Lusa.

Já no passado dia 11 de maio, o Conselho Mundial de Igrejas e o Conselho de Igrejas do Oriente tinham também condenado veementemente a anexação unilateral de territórios da Cisjordânia por parte de Israel e pedido à UE “uma posição firme e de princípios” contra o projeto anunciado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Recorde-se que o projeto de “solução” do conflito israelo-palestinano apresentado pelos Estados Unidos a 28 de janeiro, definido pelo Presidente Donald Trump como o “acordo do século”, deu a Israel a possibilidade de estender a soberania aos colonatos dispersos na Cisjordânia, mas ao mesmo tempo pedia ao Estado israelita que suspendesse a construção de novos colonatos nos territórios árabes durante quatro anos. O acordo foi aceite por Israel, mas tem sido alvo de cada vez mais protestos por parte dos palestinianos e de vários países e organizações internacionais.

 

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