“Este é um período de ajuste de contas moral, um momento em que devemos confrontar as injustiças globais que mantiveram a África e o mundo em desenvolvimento à margem da prosperidade e da dignidade humana”, disse Fidon Mwombeki, secretário-geral da Conferência de Igrejas de Toda a África, aos restantes participantes no encontro.
Sobre “o espírito por trás da Campanha Tributária de Zaqueu”, Mwombeki explicou que esta pretende funcionar como “um lembrete de que a verdadeira justiça exige transformação ética, não apenas ajustes fiscais”.
Uhuru Dempers, comissário de Justiça Climática e Desenvolvimento Sustentável do Conselho Mundial de Igrejas, relatou como o sistema atual devasta as nações africanas. “Sou da Namíbia – atualmente classificada como o segundo país mais desigual do mundo – localizada numa região conhecida como a mais desigual globalmente. A África é o meu lar: um continente rico com pessoas pobres”, sublinhou.
Em 29 de outubro, o seu país pagou 750 milhões de dólares americanos para quitar um empréstimo em eurobonds contraído em 2015. “Se o sistema tributário internacional e a arquitetura financeira global fossem justos, não precisaríamos de tais empréstimos. Fomos forçados a escolher entre pagar essa dívida e adiar investimentos essenciais em subsídios de renda básica, saúde, habitação e saneamento”, lamentou.
O bispo Nelson Kisare, presidente da Igreja Menonita da Tanzânia, defendeu por seu lado a inclusão do Artigo 9 sobre Desenvolvimento Sustentável na Convenção das Nações Unidas sobre a Tributação dos Estados Unidos para fortalecer a ligação entre impostos e desenvolvimento sustentável. “A crescente desigualdade continua a ampliar o fosso entre os super-ricos e os cidadãos comuns. Através da evasão fiscal, da sonegação e dos fluxos financeiros ilícitos, os mais ricos acumulam vastas fortunas enquanto drenam biliões dos cofres públicos”, denunciou.
Os líderes religiosos reunidos em Nairóbi exigiram que os negociadores da ONU combatam os fluxos financeiros ilícitos, reformem as regras tributárias globais para servir as pessoas em vez dos lucros corporativos, tributem a riqueza e o capital de forma progressiva e deem aos países em desenvolvimento voz igualitária na governação tributária global.
A Campanha de Zaqueu pela Justiça Tributária do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), lançada originalmente em julho de 2019 nas Nações Unidas em Nova Iorque, foi assim relançada, e a ela juntou-se a campanha “Transformar Dívida em Esperança”, lançada este ano no âmbito do jubileu.
As iniciativas unem o Conselho Mundial de Igrejas, a Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas, a Federação Luterana Mundial, o Conselho para a Missão Mundial, a Caritas Internationalis, a Jubilee USA, o Movimento Ásia-Pacífico sobre Dívida e Desenvolvimento, entre outros parceiros.










