Reino Unido

Líderes religiosos preocupados com possível mudança de embaixada para Jerusalém

| 10 Out 2022

justin welby arcebispo de cantuaria foto WCC

O arcebispo de Cantuária diz-se “preocupado com o impacto potencial” da medida, particularmente “antes de um acordo entre palestinianos e israelitas ter sido alcançado”. Foto © WCC.

 

O presidente da Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales, cardeal Vincent Nichols, e o líder espiritual da Comunhão Anglicana, o arcebispo Justin Welby, expressaram nos últimos dias a sua preocupação com a intenção da primeira-ministra Liz Truss de transferir a embaixada britânica em Israel de Telavive para Jerusalém, considerando que essa alteração poderá prejudicar o processo de paz no conflito israelo-palestiniano.

Nichols enviou uma carta a Truss citando a posição do Vaticano, que defende que a cidade de Jerusalém “deve ser partilhada como um património comum, não se tornando nunca num monopólio exclusivo de qualquer parte”.

O arcebispo de Westminster escreveu na quinta-feira, 6, na sua conta de Twitter, que “tal relocalização da embaixada do Reino Unido seria seriamente prejudicial a qualquer possibilidade de paz duradoura na região e para a reputação internacional do Reino Unido”.

No dia seguinte, Welby, divulgava uma declaração sobre o mesmo tema, afirmando-se “preocupado com o impacto potencial” da medida, particularmente “antes de um acordo entre palestinianos e israelitas ter sido alcançado”. No comunicado, o arcebispo de Cantuária afirmava estar em contacto com os “líderes cristãos na Terra Santa” e continuar “a rezar pela paz em Jerusalém”.

A concretizar-se, a eventual mudança segue a linha da controversa decisão tomada em 2018 pelo ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que transferiu a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém e reconheceu Jerusalém como a capital de Israel. O atual Presidente, Joe Biden, não reverteu esta decisão.

A  maioria dos países tem-se abstido de transferir as respetivas embaixadas para Jerusalém, por não reconhecer a legitimidade da ocupação israelita da parte oriental da cidade desde 1967, área essa que é reivindicada pelos palestinianos como capital do seu Estado.

 

 

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