Literatura e Poesia

Nick Cave e o espanto de Maria Madalena defronte do túmulo novidade

É um assombro que espanta Nick Cave, aquele em que Maria Madalena e Maria permanecem junto à sepultura. Para o músico australiano, este é provavelmente o seu momento preferido da Bíblia. Jesus tinha sido retirado da cruz, o seu corpo depositado num túmulo novo, mandado talhar na rocha, e uma pesada pedra rolou para fazer a porta da sepultura. Os doze discípulos fugiram, só Maria Madalena e “a outra Maria” ali ficaram diante do túmulo.

“Louvor da Terra”, um jardim para cuidar

O filósofo sul-coreano (radicado na Alemanha) Byung-Chul Han é já conhecido do público português através da publicação de numerosos dos seus diretos e incisivos ensaios, onde a presença da pessoa numa sociedade híper-digitalizada é refletida e colocada em questão. Agora, em “Louvor da Terra”, possibilita-nos uma abordagem diferente e original, fruto da experiência do autor com o trabalho de jardinagem.

“A Banda Que Tocou fora da Graça de Deus”

Ao completar trinta anos de vida literária (1989-2019), António Breda Carvalho brinda-nos com um novo romance, que abre com um importante prefácio de Silas Granjo, neto do fundador da Banda, onde se enumeram as peripécias de um conflito que a opôs aos representantes da Igreja Católica entre 1922 (início da excomunhão) e 1939 (fim do interdito).

Al-Mutamid, poeta do Gharb al-Andalus, celebrado na Biblioteca Nacional

Al-Muʿtamid: poeta do Gharb al-Andalus é o título da mostra bibliográfica que será inaugurada às 18h desta segunda-feira, 3 de Fevereiro, na Biblioteca Nacional, em Lisboa. A mostra, que permanece aberta até 9 de Maio, pretende celebrar os 980 anos do nascimento de Al-Muʿtamid ibn ʿAbbād (Beja, 1040 – Agmate, 1095), poeta árabe do al-Andalus e rei de Sevilha durante o período islâmico medieval da Península Ibérica.

“Os Ciganos”: um invisível imperativo de liberdade

Com “Os Ciganos”, conto inédito de Sophia completado pelo neto, fica feito o convite a seguir um invisível imperativo de verdade e de liberdade, de forma a sermos capazes de saltar os muros dos preconceitos, que nos separam e impedem de participar na festa da fraternidade, preparada pelo diálogo respeitador e amistoso entre diferentes.

Sophia lida pelos mais novos (6) – A Floresta

Uma floresta onde se esconde um tesouro – e o que fazer com ele? Um convento de frades e um bando de bandidos, uma menina que acredita em anões e um anão que guarda a floresta há 200 anos. E ainda um músico que só precisa de 20 moedas e um cientista olhado como louco. Ingredientes de “A Floresta”, um dos contos infantis de Sophia de Mello Breyner, hoje aqui relido em textos e ilustrações de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto) – e ainda numa placa de pasta de modelar dos alunos do 6º ano do Externato da Luz (Lisboa). 

Sophia lida pelos mais novos (5) – A Árvore

Uma árvore de que as pessoas gostam, que se transforma em sombra demasiada, que é cortada e partilhada, que se transforma em memória e cantiga, num barco grande ou em cerejeiras… A Árvore, um dos contos infantis de Sophia de Mello Breyner, é hoje aqui recontada com textos e ilustrações de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto). 

A primeira poetisa da Europa

Comparada a Homero; segundo Platão, a décima Musa. Era «a Poetisa», tal como Homero era «o Poeta». Manuscritos, nunca os vimos. Provavelmente, queimados, devido ao fanatismo de eclesiásticos bizantinos. Só alguns poemas inteiros chegaram até nós; o resto são fragmentos. Porque nos fascina ainda, uma frase, um verso, passado 2600 anos?…

O pensamento nómada do poema de Deus

Uma leitura de “Uma Beleza que Nos Pertence”, de José Tolentino de Mendonça.

O aforismo, afirma Milan Kundera na sua Arte do romance (Gallimard, 1986), é “a forma poética da definição” (p. 144). Esta, prossegue o grande autor checo, envolvendo-se reflexivamente numa definição da definição, é o esforço, provisório, “fugitivo”, aberto, de dar carne de visibilidade àquelas palavras abstratas em que a nossa experiência do mundo se condensa como compreensão.

Trazer Sophia para o espanto da luz

Concretizar a possibilidade de uma perspectiva não necessariamente ortodoxa sobre os “lugares da interrogação de Deus” na poesia, na arte e na literatura é a ideia principal do colóquio internacional Trazida ao Espanto da Luz, que decorre esta sexta e sábado, 8 e 9 de Novembro, no polo do Porto da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

“No tempo dividido” – Mistagogia da temporalidade na poesia de Sophia

Sophia chegou cedo. Tinha dez ou onze anos quando li O Cavaleiro da Dinamarca, cuja primeira edição data de 1964. É difícil explicar o que nos ensina cada livro que lemos. Se fechar os olhos, passados mais de 30 anos, recordo ainda que ali aprendi a condição de pe-regrino, uma qualquer deriva que não só nos conduz de Jerusalém a Veneza, como – mais profundamente – nos possibilita uma iniciação ao testemunho mudo das pedras de uma e às águas trémulas dos canais da outra, onde se refletem as leves colunas dos palácios cor-de-rosa.

A beleza num livro de aforismos de Tolentino Mendonça

Um novo livro do novo cardeal português foi ontem posto à venda. Uma Beleza Que nos Pertence é uma colecção de aforismos e citações, retirados dos seus outros livros de ensaio e crónicas, “acerca do sentido da vida, a beleza das coisas, a presença de Deus, as dúvidas e as incertezas espirituais dos nossos dias”, segundo a nota de imprensa da editora Quetzal.

Frei Agostinho da Cruz, um poeta da liberdade em tempos de Inquisição

“Poeta da liberdade”, que “obriga a pensar o que somos”, viveu em tempos de Inquisição, quando as pessoas com uma visão demasiado autónoma “não eram muito bem vistas”. Uma Antologia Poética de frei Agostinho da Cruz, que morreu há 400 anos, será apresentada esta sexta, 14 de Junho, numa sessão em que Teresa Salgueiro interpretará músicas com poemas do frade arrábido.

Daniel Faria, “último poeta místico do século XX”, da “dimensão dos grandes”

“É o último poeta místico do século XX”, com uma “dimensão que o coloca na linha de uma Teresa d‘Ávila e dos grandes”, diz o bispo Carlos Azevedo, a propósito de Daniel Faria (10-04-1971 a 09-06-1999), autor de Explicação das árvores e de outros animais, que morreu na sequência de um acidente. Neste domingo, 9 de Junho, completam-se 20 anos sobre a morte de Daniel, pouco depois de festejar 28 de idade.

Agustina Bessa-Luís: Relembrar a Voz

Elevadas figuras públicas julgaram e acharam e opinaram e qualificaram a sua pessoa. Agustina dispensaria adjetivos elogiosos, artifícios de oratória, distinções de circunstância. A compensar o vazio da voz ao vivo, ficam as lembranças, folheiam-se as páginas, retoma-se o embalo do texto, saboreiam-se as personagens, guardam-se as suas reflexões. A surpresa acontece, sempre.

Laranjeiras em Atenas

Há Laranjeiras em Atenas, de Leonor Xavier (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2019) reúne um conjunto diversificado de textos, a um tempo divertidos e sérios, livro de memórias e de viagens, de anotações e comentários… O gosto e a surpresa têm a ver com pequenos pormenores, mas absolutamente marcantes.

“Sombra Silêncio” – poesia para vigiar o Mistério

Assim descreve Carlos Poças Falcão, numa breve nota final, os poemas reunidos em Sombra Silêncio: «Cançonetas de um Verão que logo passam, mas que para sempre ficam ligadas à memória mítica de um rosto, de um clima, de um lugar – assim estes poemas. Em caso algum me biografei. Mas em todos eles me vejo e me estranho.»

Clarice Lispector e Deus

Clarice Lispector, grande escritora brasileira, nascida de uma família que teve de abandonar a Ucrânia devido às perseguições aos judeus, é considerada uma das grandes escritoras do século XX, a maior escritora judia depois de Kafka.

Adélia Prado: Espírito em Corpo de Mulher

Nestes últimos tempos de violência contra as mulheres, pela onda crescente de notícias sobre horror, tortura e morte, sofremos sinais de tragédia, de prantos e lutos, a ensombrecer-nos os dias.
Atrevo-me, neste contexto, a dizer que a escritora brasileira Adélia Prado inspirou este meu pequeno texto, no sentimento divino das mais comuns circunstâncias da nossa humana condição.

cummings e a responsabilidade do humano

Dois sonetos de e.e. cummings (1894-1962), ambos publicados em Xaipe (1950), dão-nos duas possibilidades de pensarmos a responsabilidade humana na terra, para a qual o Papa Francisco apela na sua carta encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum, de 2015. Ambos os poemas surgem numa pequena antologia bilingue organizada por Jorge Fazenda Lourenço (Assírio & Alvim, 1991; col. Gato Maltês), e focam dois modos de ver esta mesma responsabilidade

Que fizeste do teu irmão?

Acabei de ler há dias o último livro de Hélia Correia (HC) Um Bailarino na Batalha(Relógio de Água, 2018). O livro descreve uma espécie de “peregrinação” de um grupo de refugiados africanos em direção à “terra prometida” – neste caso a Europa – onde nunca chegarão:...

Uma carga preciosa

No início do mês de Setembro de 2015, uma criança aparecia morta numa praia da Turquia. Ficou depois a saber-se que era um menino sírio. Tinha três anos e chamava-se Alan Kurdi. As imagens terríveis que o mostravam só, deitado na orla do mar, como que adormecido, ou...

Pecadores impenitentes e pequenas epifanias

É a fotografia que empresta o título ao mais recente livro editado em Portugaldo escritor italiano Claudio Magris. Ele socorre-se, aliás, do Grande Dicionário da Língua Italiana para, logo no início de Instantâneos, explicar que o instantâneo é “obtido com um tempo de...

Diários de quarentena (14): Tudo ao contrário? Em tempos de “des-samaritanização”

Diários de quarentena (14): Tudo ao contrário? Em tempos de “des-samaritanização” novidade

A ação social básica, própria das relações de família, vizinhança e amizade, tem sido bastante descurada: ao longo da história, relevaram-se mais as diferentes instituições que foram sendo criadas, seguindo-se-lhes a consagração e desenvolvimento do Estado social. Deste modo, o patamar básico da ação social foi menosprezado, a favor do intermédio, ou institucional, e do estatal.

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Breves

Governo português decreta que imigrantes passam a estar em situação regular novidade

O Governo português decretou que, a partir de 18 de Março (dia da declaração do Estado de Emergência Nacional), todos os imigrantes e requerentes de asilo que tivessem pedidos de autorização de residência pendentes no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) passam a estar em situação regular, com os mesmos direitos que todos os outros cidadãos, incluindo nos apoios sociais.

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Boas notícias

É notícia

Entre margens

Apesar de tudo, a liberdade

Sinto a doença à minha volta e à volta dos meus. E, nesta reclusão involuntária, lembro-me de Trujillo e de suas altas torres. Não de todas, mas de uma que, na sua delgada altivez, se assumiu como mirante.

Uma experiência de sinodalidade – a Igreja Católica no Terceiro Milénio

Há dias, chamou-me à atenção, no 7MARGENS, um artigo intitulado Um sínodo sobre a sinodalidade para dar eficácia à ideia de participação. Li o artigo com entusiasmo, sobretudo, porque revivi a minha experiência de paroquiana numa igreja da cidade de Lisboa. Foram tempos de Alegria e Graça, os anos de 2000 a 2019, sob a “batuta” do padre e cónego Carlos Paes.

Cultura e artes

Nick Cave e o espanto de Maria Madalena defronte do túmulo novidade

É um assombro que espanta Nick Cave, aquele em que Maria Madalena e Maria permanecem junto à sepultura. Para o músico australiano, este é provavelmente o seu momento preferido da Bíblia. Jesus tinha sido retirado da cruz, o seu corpo depositado num túmulo novo, mandado talhar na rocha, e uma pesada pedra rolou para fazer a porta da sepultura. Os doze discípulos fugiram, só Maria Madalena e “a outra Maria” ali ficaram diante do túmulo.

Júlio Martín, actor e encenador: O Teatro permite “calçar os sapatos do outro”

O actor e encenador Júlio Martín diz que o teatro permite fazer a experiência de “calçar os sapatos do outro”, mantém uma conversa em aberto e, tal como a religião, “faz religar e reler”. E permite ainda fazer a “experiência de calçar os sapatos do outro, como os americanos dizem; sair de mim e estar no lugar do outro, na vida do outro, como ele pensa ou sente”, afirma, em entrevista à agência Ecclesia.

Uma tragédia americana

No dia 27 de Julho de 1996, quando decorriam os Jogos Olímpicos, em Atlanta, durante um concerto musical, um segurança de serviço – Richard Jewel – tem a intuição de que uma mochila abandonada debaixo de um banco é uma bomba. Não é fácil convencer os polícias da sua intuição, mas ele é tão insistente que acaba por conseguir.

“Louvor da Terra”, um jardim para cuidar

O filósofo sul-coreano (radicado na Alemanha) Byung-Chul Han é já conhecido do público português através da publicação de numerosos dos seus diretos e incisivos ensaios, onde a presença da pessoa numa sociedade híper-digitalizada é refletida e colocada em questão. Agora, em “Louvor da Terra”, possibilita-nos uma abordagem diferente e original, fruto da experiência do autor com o trabalho de jardinagem.

Sete Partidas

Um refúgio na partida

De um lado vem aquela voz que nos fala da partida como descoberta. Um convite ao enamoramento pelo que não conhecemos. Pelo diferente. Um apelo aos sentidos. Alerta constante. Um banquete abundante em novidade. O nervoso miudinho por detrás do sorriso feliz. Genuinamente feliz. O prazer simples de não saber, de não conhecer…

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

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