Literatura e Poesia

Trazer Sophia para o espanto da luz

Concretizar a possibilidade de uma perspectiva não necessariamente ortodoxa sobre os “lugares da interrogação de Deus” na poesia, na arte e na literatura é a ideia principal do colóquio internacional Trazida ao Espanto da Luz, que decorre esta sexta e sábado, 8 e 9 de Novembro, no polo do Porto da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

“No tempo dividido” – Mistagogia da temporalidade na poesia de Sophia

Sophia chegou cedo. Tinha dez ou onze anos quando li O Cavaleiro da Dinamarca, cuja primeira edição data de 1964. É difícil explicar o que nos ensina cada livro que lemos. Se fechar os olhos, passados mais de 30 anos, recordo ainda que ali aprendi a condição de pe-regrino, uma qualquer deriva que não só nos conduz de Jerusalém a Veneza, como – mais profundamente – nos possibilita uma iniciação ao testemunho mudo das pedras de uma e às águas trémulas dos canais da outra, onde se refletem as leves colunas dos palácios cor-de-rosa.

A beleza num livro de aforismos de Tolentino Mendonça

Um novo livro do novo cardeal português foi ontem posto à venda. Uma Beleza Que nos Pertence é uma colecção de aforismos e citações, retirados dos seus outros livros de ensaio e crónicas, “acerca do sentido da vida, a beleza das coisas, a presença de Deus, as dúvidas e as incertezas espirituais dos nossos dias”, segundo a nota de imprensa da editora Quetzal.

Frei Agostinho da Cruz, um poeta da liberdade em tempos de Inquisição

“Poeta da liberdade”, que “obriga a pensar o que somos”, viveu em tempos de Inquisição, quando as pessoas com uma visão demasiado autónoma “não eram muito bem vistas”. Uma Antologia Poética de frei Agostinho da Cruz, que morreu há 400 anos, será apresentada esta sexta, 14 de Junho, numa sessão em que Teresa Salgueiro interpretará músicas com poemas do frade arrábido.

Daniel Faria, “último poeta místico do século XX”, da “dimensão dos grandes”

“É o último poeta místico do século XX”, com uma “dimensão que o coloca na linha de uma Teresa d‘Ávila e dos grandes”, diz o bispo Carlos Azevedo, a propósito de Daniel Faria (10-04-1971 a 09-06-1999), autor de Explicação das árvores e de outros animais, que morreu na sequência de um acidente. Neste domingo, 9 de Junho, completam-se 20 anos sobre a morte de Daniel, pouco depois de festejar 28 de idade.

Agustina Bessa-Luís: Relembrar a Voz

Elevadas figuras públicas julgaram e acharam e opinaram e qualificaram a sua pessoa. Agustina dispensaria adjetivos elogiosos, artifícios de oratória, distinções de circunstância. A compensar o vazio da voz ao vivo, ficam as lembranças, folheiam-se as páginas, retoma-se o embalo do texto, saboreiam-se as personagens, guardam-se as suas reflexões. A surpresa acontece, sempre.

Laranjeiras em Atenas

Há Laranjeiras em Atenas, de Leonor Xavier (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2019) reúne um conjunto diversificado de textos, a um tempo divertidos e sérios, livro de memórias e de viagens, de anotações e comentários… O gosto e a surpresa têm a ver com pequenos pormenores, mas absolutamente marcantes.

“Sombra Silêncio” – poesia para vigiar o Mistério

Assim descreve Carlos Poças Falcão, numa breve nota final, os poemas reunidos em Sombra Silêncio: «Cançonetas de um Verão que logo passam, mas que para sempre ficam ligadas à memória mítica de um rosto, de um clima, de um lugar – assim estes poemas. Em caso algum me biografei. Mas em todos eles me vejo e me estranho.»

Clarice Lispector e Deus

Clarice Lispector, grande escritora brasileira, nascida de uma família que teve de abandonar a Ucrânia devido às perseguições aos judeus, é considerada uma das grandes escritoras do século XX, a maior escritora judia depois de Kafka.

Adélia Prado: Espírito em Corpo de Mulher

Nestes últimos tempos de violência contra as mulheres, pela onda crescente de notícias sobre horror, tortura e morte, sofremos sinais de tragédia, de prantos e lutos, a ensombrecer-nos os dias.
Atrevo-me, neste contexto, a dizer que a escritora brasileira Adélia Prado inspirou este meu pequeno texto, no sentimento divino das mais comuns circunstâncias da nossa humana condição.

cummings e a responsabilidade do humano

Dois sonetos de e.e. cummings (1894-1962), ambos publicados em Xaipe (1950), dão-nos duas possibilidades de pensarmos a responsabilidade humana na terra, para a qual o Papa Francisco apela na sua carta encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum, de 2015. Ambos os poemas surgem numa pequena antologia bilingue organizada por Jorge Fazenda Lourenço (Assírio & Alvim, 1991; col. Gato Maltês), e focam dois modos de ver esta mesma responsabilidade

Que fizeste do teu irmão?

Acabei de ler há dias o último livro de Hélia Correia (HC) Um Bailarino na Batalha(Relógio de Água, 2018). O livro descreve uma espécie de “peregrinação” de um grupo de refugiados africanos em direção à “terra prometida” – neste caso a Europa – onde nunca chegarão:...

Uma carga preciosa

No início do mês de Setembro de 2015, uma criança aparecia morta numa praia da Turquia. Ficou depois a saber-se que era um menino sírio. Tinha três anos e chamava-se Alan Kurdi. As imagens terríveis que o mostravam só, deitado na orla do mar, como que adormecido, ou...

Pecadores impenitentes e pequenas epifanias

É a fotografia que empresta o título ao mais recente livro editado em Portugaldo escritor italiano Claudio Magris. Ele socorre-se, aliás, do Grande Dicionário da Língua Italiana para, logo no início de Instantâneos, explicar que o instantâneo é “obtido com um tempo de...

“No tempo dividido” – Mistagogia da temporalidade na poesia de Sophia

“No tempo dividido” – Mistagogia da temporalidade na poesia de Sophia

Sophia chegou cedo. Tinha dez ou onze anos quando li O Cavaleiro da Dinamarca, cuja primeira edição data de 1964. É difícil explicar o que nos ensina cada livro que lemos. Se fechar os olhos, passados mais de 30 anos, recordo ainda que ali aprendi a condição de pe-regrino, uma qualquer deriva que não só nos conduz de Jerusalém a Veneza, como – mais profundamente – nos possibilita uma iniciação ao testemunho mudo das pedras de uma e às águas trémulas dos canais da outra, onde se refletem as leves colunas dos palácios cor-de-rosa.

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Breves

Papa Francisco anuncia viagem ao Sudão do Sul em 2020 novidade

“Com a memória ainda viva do retiro espiritual para as autoridades do país, realizado no Vaticano em abril passado, desejo renovar o meu convite a todos os atores do processo político nacional para que procurem o que une e superem o que divide, em espírito de verdadeira fraternidade”, declarou o Papa Francisco, anunciando deste modo uma viagem ao Sudão do Sul no próximo ano.

Missionários constroem casa para cuidar e educar as vítimas do terramoto no Nepal

Mais de 400 crianças órfãs, pobres e com debilidades físicas vítimas do terramoto de 2015 no Nepal, residem hoje na casa de crianças Antyodaya em Parsa (centro do país). A casa, que foi construída em 13 de maio de 2017, tem o propósito “de alcançar as crianças mais desafortunadas das aldeias mais remotas, oferecendo-lhes educação e desenvolvimento pessoal”.

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É notícia

Entre margens

Manuela Silva e Sophia novidade

Há coincidências de datas cuja ocorrência nos perturbam e nos sacodem o dia-a-dia do nosso viver. Foram assim os passados dias 6 e 7 do corrente mês de Novembro. A 6 celebrou-se o centenário do nascimento de Sophia e a 7 completava-se um mês sobre a partida para Deus da Manuela Silva.

“Unicamente o vento…”

Teimosamente. A obra de Sophia ecoa. Como o vento. Como o mar. Porque “o poeta escreve para salvar a vida”. Aquela que foi. Que é. A vida num ápice. Luminosa e frágil. Do nascente ao ocaso. Para lá do poente. Celeste. Na “respiração das coisas”. No imprevisível ou na impermanência. A saborear o que tem. A usufruir do que teve. Na dor e na alegria.

Cultura e artes

Trazer Sophia para o espanto da luz

Concretizar a possibilidade de uma perspectiva não necessariamente ortodoxa sobre os “lugares da interrogação de Deus” na poesia, na arte e na literatura é a ideia principal do colóquio internacional Trazida ao Espanto da Luz, que decorre esta sexta e sábado, 8 e 9 de Novembro, no polo do Porto da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

As mulheres grávidas e o olhar feminino sobre a crise dos refugiados

Uma nova luz sobre a história dos refugiados que chegam à Europa, evitando retratá-los como “heróis ou invasores”. Francesca Trianni, realizadora do documentário Paradise Without People (Paraíso sem pessoas, em Inglês), diz que o propósito do seu filme, a exibir nesta quinta-feira, 31 de outubro, em Lisboa, era mostrar a crise dos refugiados do ponto de vista feminino.

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