Livro do cardeal Sarah (e Ratzinger) sobre o celibato publicado em Portugal no final de Fevereiro

| 24 Jan 20

Pormenor da capa da edição portuguesa, divulgada já pela editora.

 

Do Fundo dos Nossos Corações, o polémico livro publicado na semana passada pelo cardeal Robert Sarah, em suposta parceria com o Papa emérito, Bento XVI, será publicado até final de Fevereiro, em Portugal, pela editora Lucerna, que já publicara outras três obras do cardeal guineense. “No seguimento das diversas discussões que continua a suscitar dentro e fora da Igreja o tema do sacerdócio católico, são de especial relevância as reflexões e considerações que sobre ele fazem neste livro” o cardeal Sarah e o Papa emérito, diz a editora, numa nota de imprensa divulgada nesta quinta-feira, 23.

De acordo com a Lucerna, o texto introdutório, “escrito pelo primeiro e aprovado pelo segundo”, explica que, “nos últimos meses, enquanto o mundo fazia eco do ruído criado por um estranho sínodo dos meios de comunicação social que se sobrepunha ao sínodo real”, os dois – Sarah e Ratzinger – encontraram-se, trocaram ideias e preocupações, rezaram e meditaram em silêncio.

“As nossas reflexões, seguindo por caminhos diferentes, levaram-nos a trocar correspondência. A similaridade das nossas preocupações e a convergência das nossas conclusões decidiram-nos a colocar o fruto do nosso trabalho e da nossa amizade espiritual à disposição dos fiéis”, diz ainda o texto de introdução. Esse é o propósito de divulgação que o livro pretende cumprir, acrescenta a editora.

 

Passos de uma polémica

No início, o livro foi anunciado como sendo de co-autoria, entre Sarah e Ratzinger. Estando em causa um tema – o celibato – que foi objecto de um sínodo de bispos e que pode merecer uma decisão do Papa, no sentido de abrir a possibilidade de ordenar homens casados, a participação do bispo emérito de Roma foi muito mal recebida por diversos comentadores e criou mal-estar no Vaticano, que se apressou a desvalorizar o papel de Ratzinger na publicação.

No segundo momento, o secretário pessoal deste último, o arcebispo Georg Gänswein, veio afirmar que o livro não tinha sido escrito a quatro mãos, mas que Ratzinger apenas se limitara a dar um texto ao cardeal Sarah, natural da Guiné-Conacry, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e que tem aparecido como líder não declarado dos sectores anti-Francisco.

O cardeal, no entanto, divulgou publicamente correspondência trocada entre ambos, que mostrava que, independentemente dos pormenores, Ratzinger estava a par do essencial que o cardeal Sarah preparava. Apesar disso, o cardeal garantiu que as futuras edições do livro trariam apenas a sua autoria, com a indicação do “contributo de Bento XVI”.

É isso que acontece já na edição portuguesa, cuja capa, ao contrário das que até agora foram publicadas, não inclui nenhuma foto do(s) autores, mas apenas o título sobre um fundo azul, onde se destaca o contorno de um relicário e um coração recortado.

Numa entrevista ao jornalista Eugenio Scalfaro, o Papa Francisco considerou que o episódio estaria “superado”. Mas da polémica ressaltou a necessidade de dar uma configuração mais precisa à figura de um Papa emérito – já que esta realidade, depois do gesto de Ratzinger, poderá tornar-se comum na Igreja – bem como ao papel do prefeito da Casa Pontifícia, que neste caso coincide com o secretário pessoal do emérito.

Houve também quem chamasse a atenção para o facto de, nos seus três livros sobre a biografia de Jesus de Nazaré, o então Papa ter assinado Bento XVI/Joseph Ratzinger, para distinguir que se tratava de um texto do teólogo e não do Papa, mas aparecer agora, nesta obra, apenas como Bento XVI e já não com o seu nome de baptismo.

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