Prémio Árvore da Vida 2015

Lourdes Castro (1930-2021): as sombras que perduram

| 10 Jan 22

Lourdes Castro na Gulbenkian, por altura da inauguração de uma exposição da sua obra: a artista morreu aos 91 anos. Foto © Rui Martins/SNPC

 

Lourdes Castro, uma das mais relevantes artistas plásticas contemporâneas, morreu no Funchal no sábado, 8 de Janeiro, aos 91 anos. Em 2015, foi-lhe atribuído o Prémio Árvore da Vida Padre Manuel Antunes, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica. O funeral da artista realiza-se esta segunda-feira, 10, com missa de corpo presente a partir das 14h, no cemitério de São Martinho, no Funchal.

“Grava para sempre a alegria na fachada da tua casa” foi um dos seus lemas de vida, como contou numa entrevista concedida a João Pacheco, publicada no Expresso. Mas dizia ainda que nos momentos em que se encontrava mais deprimida pensava: “Caminha como o teu coração te leva.” Lourdes Castro explicava que tudo decorria de uma respiração. “A arte e a casa e o jardim e mais isto e mais aquilo, é tudo respirar. É respirar à sua maneira”.

A propósito de Pelas sombras, o filme que Catarina Mourão realizou sobre ela, Lourdes Castro reconhece que “é bonito isto de as coisas na vida se irem transformando, irem dando outras”. Para a artista, “continua-se a respirar. No fundo é respirar, respirar a sua respiração. Há uma coisa que gosto muito de dizer aos pequenos e aos grandes também, é uma frase pequenina de um sábio. Há coisas que nunca saem de dentro de ti, como esta frase que tem mais de mil anos: ‘Caminha como o teu coração te leva’. Não é ‘para onde ele te leva’. É ‘vai à tua maneira’. É ‘segue à tua maneira’”.

Nascida em 9 de Dezembro de 1930, no Funchal, Madeira, para onde regressaria em 1983, o percurso de Lourdes Castro passa por Paris, para onde vai no fim dos anos 50 do século XX, depois de se ter formado em Pintura, em Lisboa (1956). Em Paris funda, com René Bertholo, o grupo KWY, que tem o envolvimento, mais ou menos activo, de outros artistas plásticos, como Christo e Jan Voss ou Gonçalo Duarte, José Escada, Costa Pinheiro e João Vieira.

Anjo de Berlim. Obra de Lourdes Castro na Capela do Rato, em Lisboa. Foto © Direitos Reservados

 

Foi também em Paris que começou a fazer teatro de sombras. Faz sombras de pessoas sentadas, a ler ou a fumar, usando plexiglas, ou deitadas, usando lençóis. As sombras dão título a grandes exposições: Além da sombra, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1992 ou Lourdes de Castro e Manuel Zimbro: a luz da sombra, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 2010. Realiza na Madeira, para onde tinha regressado em 1983, o Grand herbier d’ombres, que se tornaria um livro que apresenta um conjunto de plantas sobre papel heliográfico. E na Capela do Rato, em Lisboa, instala o seu Anjo de Berlim, que nunca tinha sido exposto.

As plantas servem-lhe também para uma lição, que partilha na entrevista ao Expresso: “Não morremos, transformamo-nos”. Diz ela que “tudo se transforma. É preciso ir ver as plantas. Viramos terra. É tudo transformação”.

Citando a frase de Antoine Lavoisier, “nada se perde, tudo se transforma”, Lourdes Castro questiona: “Uma árvore pode cair ao chão e depois o que fica? O musgo. E depois vira terra. Podemos virar terra, mas não desaparecemos. Para onde é que vai? São tudo invenções. ‘A eternidade’ e mais aquilo e mais aqueloutro.”

 

Além dos textos para os quais remetem as ligações referidas, podem ler-se ainda:

Depoimento do cardeal José Tolentino Mendonça no Público.

Santa Lourdes Castro, texto de José Tolentino Mendonça em 2011, sobre Lourdes Castro.

Comentários de Lourdes Castro à atribuição do Prémio Árvore da Vida.

Nota do Presidente da República sobre a morte de Lourdes Castro.

 

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