Luzes, enfeites… Natal

| 22 Dez 2022

Uma casa com decorações de Natal em Inglaterra. Foto © Luís Pereira

Uma casa com decorações de Natal em Inglaterra. Foto © Luís Pereira.

 

Começaram em inícios de dezembro as minhas deambulações de fim de jantar, para ver as luzes da Natal. Em Inglaterra, as melhores iluminações, fora de Londres, são feitas nas aldeias pelas pessoas nas suas próprias casas. À medida que se aproxima o dia de Natal, mais casas vão ganhado cores em formas de estrelas, de renas, de bengalas, etc.. Durante o dia, sobressaem as coroas de ramos frescos e o vermelho do azevinho, nas portas das casas, ou os pedidos dirigidos ao Pai Natal em placas como “Santa, please stop here” (Pai Natal, por favor, para aqui). Criatividade e humor misturam-se.

É também por esta altura que as crianças começam a trazer para casa, nas suas pastas, postais de Natal dos outros colegas de turma com os votos de feliz Natal. E, claro, depois fazem eles próprios os seus postais para retribuir os votos de boas festas. Os meus vizinhos metem-nos postais de Natal pelo buraco da porta, e nós retribuímos. Nestas trocas, acumulamos umas boas dezenas de postais que se vão atropelando no parapeito das janelas.

Os mercados de Natal atraem muitas pessoas. O frio é bastante, mas sabe bem cruzar-se com gente na rua. Nas empresas, fazem-se os almoços ou jantares de Natal, com as pessoas a vestirem-se com cores natalícias. E várias entidades organizam os Carol Service, com leituras e cânticos. Cerimónias belíssimas. Em muitas escolas primárias, são várias as representações de Natal para as famílias. Na escola da minha filha, fizeram um espetáculo de Natal com muita cor, dança e canções, em torno da estrela e das figuras do presépio.

Por outro lado, é preciso ter alguma sensibilidade na forma como manifestamos os desejos de boas festas. Na verdade, dentro de um contexto multirreligioso, nem todas as pessoas festejam o Natal. Por isso, os votos passam por desejar uma “boa época festiva”, por exemplo. Na verdade, em dados divulgados em novembro passado, os últimos Censos realizados em Inglaterra e País de Gales mostram que, pela primeira vez, menos de metade da população (46%) destes países se descreve como cristã. [ver 7MARGENS]. Anteriormente, essa percentagem estava nos 59%.

Em todo o caso, toda a vida está organizada em função do calendário cristão. As festividades das outras religiões vão sendo assinaladas, mas o calendário está completamente centrado nas efemérides da religião cristã, como as férias e feriados de Natal e Páscoa, por exemplo. Mas há também casos de pessoas de outras religiões a incorporarem alguns dos símbolos do Natal nos seus lares.

Tal como em Portugal, também aqui há um menu natalício, de que se destacam as mince pies, para mim ao nível do bolo-rei, ou seja, não morro de amores. Em tudo o resto, o menu natalício português está a um nível completamente diferente.

Uma das marcas que não está tão presente em Inglaterra é o presépio. É até muito difícil encontrar presépios à venda e não há a centralidade desta representação do nascimento de Jesus como se vê em muitas zonas de Portugal.

Luzes, arranjos florais, votos de boas festas, comidas típicas desta época – são tudo sinais externos, vistos como menores, quando comparados com o espírito que deveria ser vivido no Natal. Eu confesso que sempre gostei destas “superficialidades”. A cada ano que montamos a árvore de Natal, regresso a um tempo de meninice. Com os meus irmãos, íamos ao monte e escolhíamos o pinheiro mais cónico. Muitas vezes demasiado ambiciosos, era difícil depois fazer caber a árvore dentro da sala. A ponta do pinheiro ficava já de lado, colada no teto. As luzes eram uma série apenas, que vinha já de há muitos anos. Foram alguns os choques que apanhei a tentar arranjar essas luzes. Todos os anos alguma luz se fundia, e depois deixavam de piscar, porque havia uma delas que era a responsável pelo ligar intermitente, que avariava.

Hoje, as luzes já vêm com as árvores, que depois se guardam numa caixa. Eu continuo com o mesmo fascínio.

 

Luís Pereira, pai de dois filhos, reside em Inglaterra desde 2012, depois de ter concluído o doutoramento em educação para os media na Universidade do Minho. Desempenha funções na área da pedagogia e da educação digital.

 

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