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Papa Francisco e Emmanuel Macron, Presidente da França (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Audiência de uma hora no Vaticano

Macron desafia o Papa a convocar Putin, Cirilo e Biden

| 25/10/2022

Papa Francisco e Emmanuel Macron, Presidente da França (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Papa Francisco e Emmanuel Macron, durante o encontro desta segunda-feira no Vaticano. Foto © Vatican Media Divisione Foto.

 

O Presidente francês, Emmanuel Macron, revelou aos jornalistas no avião de regresso a Paris que, na audiência de segunda-feira, 24 de outubro, tinha pedido ao Papa Francisco que, para favorecer o processo de paz na Ucrânia, chamasse ao Vaticano o presidente russo Vladimir Putin, o patriarca da Igreja Ortodoxa, Cirilo, e o presidente dos EUA, Joe Biden.

Em entrevista à revista Le Point citada pelo Religión Digital desta terça-feira, 25 de outubro, Macron disse: “Encorajei o Papa Francisco a ligar para Vladimir Putin e para o Patriarca Cirilo, mas também para Joe Biden. Precisamos que os Estados Unidos se sentem à mesa para favorecer o processo de paz na Ucrânia.”

Antes do longo encontro (cerca de uma hora) com Francisco, o Presidente francês surpreendeu os participantes na iniciativa promovida em Roma pela Comunidade de Santo Egídio sob o lema “O Grito pela Paz” [ver 7MARGENS] ao reconhecer: “Tenho feito um esforço para dialogar com o presidente Putin”, mas “não tenho a resposta para a pergunta: como chegámos a este ponto”. E acrescentou: “Todos os dias me faço esta pergunta: como nos deixámos prender neste túnel? Agora só falamos de ‘vitória’ e de ‘derrota’ e por isso, aceitar que o tempo urge e ousar falar de paz, é algo grandioso. E é por isso que estou aqui hoje.”

Naquela que era uma das intervenções mais esperadas do encontro que decorreu de 23 a 25 de outubro, Macron admitiu que “falar de paz hoje, pedir paz hoje, pode ser insuportável para quem luta pela sua liberdade. E talvez alguns considerem isso uma traição”, mas não se pode deixar que o tema “da paz seja capturado pelo poder russo de hoje” e isso, concluiu, “é possível!”. De acordo com a edição digital da Vida Nueva de 24 de outubro, o Presidente francês alertou ainda para o facto de que “permanecer neutro significaria aceitar a ordem mundial dos mais fortes” e que “a paz não pode ser a consagração da lei do mais forte, nem um cessar-fogo que aceita o estado das coisas”, mas reconheceu: “a paz será construída com a outra parte, que hoje é o inimigo, em torno de uma mesa, e a comunidade internacional estará lá”.

Líderes religiosos aprovam “Apelo de Roma pela Paz”

Papa Francisco e lideres religiosos no encontro da comunidade de santo egidio no coliseu de roma, 25 outubro 2022, foto Vatican Media

“Nós, crentes, devemos trabalhar pela paz de todas as maneiras que nos seja possível”, afirmaram os líderes das religiões do mundo presentes no Coliseu de Roma. Foto © Vatican Media.

 

No Encontro Internacional de Diálogo e Oração pela Paz entre as Religiões do Mundo que a Comunidade de Santo Egídio promove desde os anos 80, decorreram várias mesas-redondas com intervenções do prior de Taizé, irmão Alois, do cardeal Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e do Patriarca de Jerusalém dos latinos, Pierbattista Pizzaballa, sintetizadas pelo Vatican News desta terça-feira, 25.

Na abertura do encontro, domingo 23 de outubro, usaram da palavra, além do Presidente francês, Emmanuel Macron, o Presidente italiano, Sergio Matarrarella, uma refugiada ucraniana; o cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana; o rabino de França, Haïm Horsia, e o secretário-geral da Liga Mundial Islâmica, Shaykh Muhammad bin Abdul Karim al-Issa.

Na oração final realizada no Coliseu, os líderes das religiões do mundo presentes assinaram a declaração “Apelo de Roma pela Paz”, em que reafirmam: “Nós, crentes, devemos trabalhar pela paz de todas as maneiras que nos seja possível. É nosso dever ajudar a desarmar os corações e apelar à reconciliação entre os povos. Infelizmente, mesmo entre nós, às vezes dividimo-nos, abusando do santo nome de Deus: pedimos perdão, com humildade e vergonha. As religiões são e devem continuar a ser uma grande fonte de paz. A paz é sagrada, a guerra nunca pode ser sagrada!” [ver notícia nesta página Francisco no Coliseu: “A nossa oração tornou-se um grito”].

Fundada em 1968, logo após o Concílio Vaticano II, por iniciativa de Andrea Riccardi, a Comunidade de Santo Egídio tem sido particularmente ativa na procura de soluções para vários conflitos armados e deu um contributo significativo para a realização do encontro de Assis convocado por São João Paulo II em 1986 e em que de algum modo também ela se filia.

 

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