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Jimmy Lai, dono do jornal Apple Daily. Foto Kelly HoHKFP.

Julgamento começou

Magnata dos média em Hong Kong declara-se inocente, mas ainda arrisca prisão perpétua

| 02/01/2024

Jimmy Lai, dono do jornal Apple Daily. Foto Kelly HoHKFP.

Lai, 76 anos, foi acusado de fornecer instruções e apoio financeiro para fazer lobby em países estrangeiros, incluindo Portugal, para sanções internacionais contra autoridades chinesas e de Hong Kong. Foto © Kelly Ho/HKFP

 

O magnata da comunicação social de Hong Kong Jimmy Lai declarou-se inocente esta terça-feira, 2, durante o julgamento de segurança nacional em que foi acusado de “sedição” e “conluio”. As acusações contra Lai – fundador do jornal chinês Apple Daily, encerrado em junho de 2021 após a entrada em vigor da nova lei de segurança nacional – giram em torno das publicações daquele diário, por estas apoiarem protestos pró-democracia e criticarem a liderança de Pequim.

“Este caso é sobre uma figura política radical… que conspirou com outros para provocar o ódio e incitar a oposição ao governo [de Hong Kong] e às autoridades centrais e para conspirar com países estrangeiros ou elementos externos para colocar em perigo a segurança nacional”, disse o promotor Anthony Chau perante o juiz, segundo relata a UCA News.

Chau apelidou Lai de “o mentor” que usou o seu negócio de média “como uma plataforma para perseguir a sua agenda política… e orquestrou uma conspiração com o chamado grupo de defesa da democracia e da liberdade Stand with Hong Kong Fight for Freedom (SWHK)”.

A promotoria citou 161 publicações do Apple Daily entre abril de 2019 e o último dia em que o jornal foi publicado como “exemplos de publicações sediciosas… com o objetivo de poluir as mentes dos impressionáveis”.

Lai, 76 anos, católico, foi ainda acusado de fornecer instruções e apoio financeiro ao SWHK para fazer lobby em países estrangeiros para sanções internacionais contra autoridades chinesas e de Hong Kong, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido, Nova Zelândia, Austrália, Japão, República Checa, Irlanda e Portugal.

Ao abrigo da lei de segurança que Pequim impôs em 2020 para reprimir a dissidência após os enormes protestos pela democracia que aconteceram no ano anterior, Lai arrisca agora uma pena de prisão perpétua, depois de já ter estado detido durante mais de 1.100 dias.

No passado mês de novembro, um grupo de responsáveis católicos de vários países apelou junto das autoridades chinesas de Hong Kong para a sua libertação imediata, mas as autoridades de Hong Kong “rejeitaram firmemente” a petição [ver 7MARGENS].

 

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