Maiores confissões dos Estados Unidos receiam distanciamento de jovens por causa dos abusos sexuais e políticas LGBT

| 14 Mar 19

Os últimos tempos têm sido devastadores para três das maiores denominações religiosas dos Estados Unidos, à medida que surgem escândalos de abusos sexuais e que a exclusão de pessoas LGBT motivam preocupação dentro da Igreja Católica, da Convenção Baptista do Sul e das Igrejas Metodistas. Aumenta o receio de que estas crises alienem jovens desencantados com a religião organizada, noticia a Associated Press, resumindo o que se tem passado nas principais confissões do país. 

Para a Igreja Católica, a dimensão dos abusos sexuais que tem vindo a público nas últimas duas décadas agravou-se exponencialmente nos últimos meses e muitas dioceses tornaram-se alvos de investigação. A Convenção Baptista do Sul, a maior denominação protestante dos Estados Unidos, viu-se confrontada com a sua própria crise de abusos sexuais há três semanas, por meio de uma investigação desenvolvida pelos jornais Houston Chronicle e San Antonio Express-News. Nesta investigação, foram denunciados casos de má-conduta sexual de pastores, responsáveis e funcionários durante os últimos 20 anos sobre 700 vítimas – três meses depois de uma outra investigação ter denunciado mais de 400 casos de alegada conduta sexual inadequada em 187 igrejas evangélicas batistas de 40 estados dos EUA. 

Já na Igreja Metodista o problema tem sido outro: uma rotura inconciliável relativa a casamentos entre pessoas do mesmo sexo e ordenação de clero LGBT. Aproximadamente 53 por cento dos delegados a uma conferência geral da Igreja votaram para manter essas práticas banidas, enquanto que os restantes enfrentam a escolha de sair da Igreja ou continuar a lutar pela inclusão desses membros.

Para o pastor Adam Hamilton, da Igreja Metodista de Leakwood (Kansas), o resultado desta votação levará a um afastamento de novos pastores e outros jovens adultos: “Três em cada quatro millenials que vivem nos Estados Unidos apoiam o casamento entre pessoas do mesmos sexo e não querem fazer parte de uma Igreja que faz os seus amigos sentirem-se como cristãos de segunda-classe.”

Mesmo antes destas últimas crises, as denominações cristãs nos Estados Unidos têm perdido membros progressivamente. O mais recente inquérito do Pew Research Center, relativo à paisagem religiosa do país, revelou que o maior crescimento tinha ocorrido nas pessoas que se dizem “não afiliadas” a qualquer religião – agnósticos, ateus ou nada em particular. Os últimos são equiparados aos chamados nones – normalmente jovens que querem espiritualidade nas suas vidas e que, em geral, se sentem desencantados com as confissões institucionalizadas.

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