Uma sondagem recente revela que a maioria dos adultos nos Estados Unidos da América desaprova o uso de linguagem e símbolos religiosos pela administração Trump, bem como as críticas do Presidente ao Papa Leão XIV. O estudo, realizado pelo Washington Post em colaboração com a ABC News e a Ipsos, destaca uma rejeição quase universal à imagem partilhada por Donald Trump que o retratava como Jesus Cristo, evidenciando um desconforto que atravessa linhas partidárias e demográficas, especialmente entre a comunidade católica.
Realizada entre 24 e 28 de abril com 2.560 adultos, a sondagem mostra que 57% dos americanos têm uma visão negativa das críticas de Trump ao Papa Leão XIV no contexto das tensões com o Irão. A oposição é ainda mais acentuada entre os católicos (61%), com um destaque particular para os católicos hispânicos, onde a desaprovação atinge os 71%. Um dado que é particularmente relevante, tendo em conta que este grupo foi crucial para a vitória republicana em 2024.
O ponto de maior consenso negativo refere-se à publicação de uma imagem de Trump com a aparência de Jesus. Mais de 80% dos adultos americanos rejeitaram a publicação, incluindo 73% dos republicanos MAGA. Embora Trump tenha mais tarde alegado que a imagem pretendia representá-lo como um médico e não como o Messias, a condenação foi transversal a etnias, religiões e regiões.
Em contrapartida, aquele que é o primeiro pontífice nascido nos EUA goza de uma popularidade sólida ao completar o seu primeiro ano de eleição. Cerca de 41% dos americanos veem o Papa de forma favorável, contra apenas 16% de opiniões desfavoráveis. Entre os católicos americanos, a aprovação do Papa sobe para os 61%, refletindo um desejo por uma liderança moral que transcenda a política partidária.
A mesma sondagem revela ainda que cerca de 69% dos inquiridos rejeitaram a linguagem do Secretário da Defesa, Pete Hegseth, quando num serviço de oração pediu “violência esmagadora” contra inimigos. Além disso, 76% dos americanos desaprovaram um post de Trump nas redes sociais, no qual ameaçava a extinção da civilização iraniana caso não fosse alcançado um acordo.
Especialistas como David Buckley, da Universidade de Louisville, sugerem que estes resultados indicam divisões internas no Partido Republicano que podem ser cruciais em futuros ciclos eleitorais. “É um descontentamento que atravessa algumas das principais divisões religiosas e partidárias que frequentemente consideramos tão poderosas na política dos EUA”, diz o professor de Política, Ciência e Religião, citado pelo National Catolic Reporter.
“É raro encontrar esse tipo de resposta unificada sobre qualquer assunto hoje em dia, e isso sinaliza que algo mais profundo do que a política está a acontecer. O Papa Leão XIII é uma representação desse ‘algo mais profundo'”, assinala por seu lado Kim Daniels, diretora da Iniciativa sobre Pensamento Social Católico e Vida Pública da Universidade de Georgetown, citada pelo mesmo periódico.
Embora o apoio geral de Trump entre os republicanos permaneça alto (85%), a sua aprovação entre os católicos caiu 10 pontos desde fevereiro de 2025, situando-se agora nos 38%.
Mas ainda que a pesquisa apresente os mais recentes sinais de alerta para o Presidente e os republicanos rumo a novembro, Buckley alerta contra previsões eleitorais, afirmando que, no geral, as perguntas da pesquisa sobre Trump e religião mostram que “o partidarismo ainda é uma força muito, muito poderosa”.
“Não devemos presumir que todos os americanos religiosos irão automaticamente abandonar o Presidente nessas questões”, conclui.










