Mais 14 cristãos mortos a sangue frio no Burkina Faso

| 2 Dez 19 | Cristianismo - Homepage, Destaque 2, Direitos Humanos, Liberdade religiosa, Últimas

Uma igreja da Assembleia de Deus no Burkina Faso: protestantes e católicos têm sido vítimas da violência terrorista. Foto © ACN Portugal

 

Pelo menos 14 cristãos protestantes foram “executados” durante o serviço religioso que decorria neste domingo, numa igreja protestante no leste do Burkina Faso. O ataque ocorreu em Hantoukoura, perto da fronteira com o Níger (leste do país) e terá sido executado por um dos  vários grupos jihadistas que operam na região, noticia a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), citando a AFP (Agence France Presse).

De acordo com as mesmas fontes, as pessoas – pastor e fiéis, entre os quais algumas crianças – foram “executados” a sangue frio por cerca de uma dúzia de atacantes fortemente armados. Os atacantes puseram-se em fuga em motorizada, acrescenta a AFP citada noutras publicações.

As forças da ordem lançaram entretanto uma operação com o objectivo de tentar capturar os responsáveis do massacre, um dos episódios mais graves dos últimos tempos no país, onde tem crescido a violência contra os cristãos.

Já em Setembro, a AIS recorda que tinha dado conta de que os cristãos de Hitté e Rounga estavam a ser alvo de ameaças por parte de grupos extremistas, o que tem levado ao abandono de muitas famílias, pressionadas para se converter ao islão. Há cerca de 300 mil cristãos que já terão deixado as suas casas sobretudo no leste e norte do país, diz a organização, referindo que estes dados são confirmados pelo escritório local das Nações Unidas.

No final de Abril, uma outra igreja protestante já tinha sido atacada, numa acção que provocou seis mortos, como o 7MARGENS noticiou. Poucos dias depois, foi a vez de uma igreja católica ter registado um outro ataque, também com um saldo final de seis mortos. Em Maio, os ataques continuaram, com vários outros episódios.

 

Terroristas “melhor armados” que o exército

Em Agosto, o bispo de Dori e presidente da Conferência Episcopal do Burkina Faso e Níger, Laurent Birfuoré Dabiré, denunciara que os massacres de cristãos são perpretados com apoio do exterior e os grupos que os executam “estão melhor armados e equipados” do que o exército nacional.

O mesmo responsável avisava: “Se o mundo continuar a não fazer nada, o resultado será a eliminação da presença cristã.” Os grupos terroristas, acrescentava, “foram-se instalando” no país, “atacando o exército, as estruturas civis e a população”, fazendo agora dos cristãos “o alvo principal” com o objectivo de “tentar desencadear um conflito inter-religioso”.

Fontes da AIS no país, cuja identidade não é revelada por razões de segurança, dizem que a situação é “muito difícil de gerir” mas ela desencadeou, ao mesmo tempo, uma onda de solidariedade que inclui também vários muçulmanos. Aliás, desde que há quatro anos começara os ataques, vários imames muçulmanos foram também assassinados.

O Burkina Faso, um dos países mais pobres do mundo na Áfria subsariana, tem fronteira com o Mali, Níger e Costa do Marfim, por exemplo, países onde a violência terrorista contra cristãos também tem aumentado. Entre os grupos que actuam naquela região de África estão o Boko Haram e o Daesh. O Burkina Faso, Mali, Mauritânia, Níger e Chade, com o apoio de militares franceses, constituíram uma força comum anti-terrorista que, no entanto, não teve ainda o efeito desejado de estancar este tipo de violência.

Na audiência geral do passado dia 13 de Novembro, o Papa referiu-se expressamente à situação no país: “Dirijo um pensamento especial ao querido Burkina Faso, desde há tempo provado por uma reiterada violência, e onde recentemente uma tentativa de assassinato custou a vida a quase cem pessoas Entrego ao Senhor todas as vítimas, os feridos, os numerosos deslocados e os que sofrem estas tragédias. Faço um apelo para que não falte a protecção aos mais vulneráveis; e animo as autoridades civis e religiosas e todos os que estão motivados pela boa vontade a multiplicar os seus esforços, no espírito do Documento de Abu Dhabi sobre a Fraternidade Humana, para promover o diálogo inter-religioso e a concórdia.

Continuar a ler...

Artigos relacionados

Apoie o 7 Margens

Breves

A mulher que pode ter autoridade sobre os bispos

Francesca di Giovanni, nomeada pelo Papa para o cargo de subsecretária da Secção para as Relações com os Estados, considerou a sua escolha como “uma decisão inovadora [que] representa um sinal de atenção para com as mulheres.

Papa considera “superado” episódio do livro sobre celibato

O Papa Francisco terá considerado ultrapassado o episódio do início desta semana, a propósito do livro sobre o celibato, escrito pelo cardeal Robert Sarah, da Guiné-Conacri, e o Papa emérito Bento XVI (ou que o cardeal escreveu sozinho, usando também um texto de Ratzinger).

Henrique Joaquim: “Assistencialismo não tira da rua as pessoas sem-abrigo”

“O assistencialismo não tira a pessoa da rua, não resolve o problema; ainda que naquela noite tenha matado a fome a uma pessoa, não a tira dessa condição”, diz o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo, Henrique Joaquim, que esta quinta-feira, 2 de Janeiro, iniciou as suas funções.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Do Porto a Bissau: um diário de viagem no 7MARGENS dá origem a livro

Do Porto a Bissau: um diário de viagem no 7MARGENS dá origem a livro

A viagem começou a 3 de Fevereiro, diante da Sé do Porto: “Quando estacionámos o jipe em frente à catedral do Porto, às 15h30, a aragem fria que fustigava o morro da Sé ameaçava o calor ténue do sol que desmaiava o seu brilho no Rio Douro.” Terminaria doze dias depois, em Bissau: “Esta África está a pedir, em silêncio e já há muito tempo, uma obra de aglutinação de esforços da comunidade internacional, Igreja incluída, para sair do marasmo e atonia de uma pobreza endémica que tem funestas consequências.”

É notícia

Entre margens

Ditadura da esperteza ou psicopatia

Vivemos na era do destemor e do medo; da aceleração e da lentidão; das raivas e das guerras, mas também do desejo de paz; da ambição de conhecimento e da real ignorância sem qualquer sabedoria.

Beleza e ecumenismo

A junção de beleza e ecumenismo evoca a luxuriante diversidade num jardim. A beleza tem afinidades com a surpresa: é a vitória sobre o banal, o monótono.

Cultura e artes

Cinema: À Porta da Eternidade

O realizador Julian Schnabel alterou, com este filme, alguns mitos acerca de Vincent van Gogh, considerado um dos maiores pintores de todos os tempos. Os cenários, a fotografia e a iluminação do filme produzem uma aproximação visual às telas do pintor, no período em que van Gogh parte para Arles, no sul de França, em busca da luz, seguindo todo o seu percurso até à morte, aos 37 anos de idade.

Que faz um homem com a sua consciência?

Nem toda a gente gosta deste filme. Muitos críticos não viram nele mais do que uma obra demasiado longa, demasiado maçadora, redundante e cabotina. Como o realizador é Terrence Malick não se atreveram a excomungá-lo. Mas cortaram nas estrelas. E no entanto… é um filme de uma força absolutamente extraordinária. Absolutamente raro. Como o melhor de Mallick [A Árvore da Vida].

Sete Partidas

Guiné-Bissau: das “cicatrizes do tempo” ao renascer do povo

Este mês fui de visita à Guiné. Uma viagem de memória para quem, como eu, não tinha memórias da Guiné. Estive em Luanda ainda em criança, mas as memórias são as próprias da idade. Excepção à única em que o meu pai me bateu. Às cinco da tarde saí de casa e às dez da noite descobriram-me a assistir, divertida, ao baile no clube. Uma criança de cinco anos, branca e loura, desaparecida na Luanda dos anos 1960 não augurava coisa boa, o que gerou o pânico dos meus pais. Daí a tareia…

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Jan
23
Qui
Encontros de Santa Isabel – “Jesus, as periferias e nós” @ Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
Jan 23@21:30_23:00

Conferência sobre “Periferias”, com Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian

Jan
30
Qui
Encontros de Santa Isabel – “Jesus, as periferias e nós” @ Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
Jan 30@21:30_23:00

Debate sobre “Aqui e agora”, com Luís Macieira Fragoso e Maria Cortez de Lobão, presidente e vice-presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa

Jan
31
Sex
III Congresso Lusófono de Ciência das Religiões – Religião, Ecologia e Natureza (até 5 de Fevº) @ Universidade Lusófona, Templo Hindu, Mesquita Central e Centro Ismaili
Jan 31@09:30_14:00

Ver todas as datas

Parceiros

Fale connosco