Grupo de Apoio ao Tibete denuncia

Mais de 1.000 tibetanos detidos pelas autoridades chinesas após protestos pacíficos

| 1 Mar 2024

Manifestação da organização Free Tibet, em Londres. Foto @freetibetorg

Manifestação da organização Free Tibet, em Londres, no dia 28 de fevereiro. Tibetanos no exílio e apoiantes da sua causa têm realizado manifestações em várias partes do mundo, incluindo em Dharamsala, na Índia, e frente às embaixadas chinesas no Reino Unido, Suíça e EUA. Foto © @freetibetorg

 

A polícia chinesa deteve mais de 1.000 pessoas tibetanas, incluindo monges de pelo menos dois mosteiros, na localidade de Dege (Tibete), na sequência da realização de protestos pacíficos contra a construção de uma barragem hidroelétrica, que implicará a destruição de seis mosteiros e obrigará ao realojamento dos moradores de duas aldeias. As detenções aconteceram na semana passada e têm sido denunciadas nos últimos dias por várias organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo o Grupo de Apoio ao Tibete-Portugal.

“O que está a acontecer em Dege é um claro e visível exemplo do nível de destruição que o Partido Comunista da China continua a realizar no Tibete”, afirma Alexandra Correia, coordenadora do Grupo de Apoio ao Tibete-Portugal, em comunicado enviado ao 7MARGENS. “Sob a liderança de Xi Jinping, houve um reforço extremo de políticas que visam minar a identidade tibetana, atacando a sua língua, a sua religião e causando dano ao meio ambiente do Tibete”, acrescenta a ativista, instando a China a “libertar todas as pessoas detidas, cessar o realojamento forçado e a construção da barragem”.

A barragem em causa faz parte de um enorme complexo hidroelétrico de 13 níveis no rio Drichu – localizado no curso superior do Yangtze, uma das vias navegáveis mais importantes da China – e a sua construção vai obrigar ao realojamento forçado de duas aldeias – Wonto e Shipa – e de seis mosteiros importantes na área – Yena, Wonto e Khardho, em Wangbuding, Dege e Rabten, Gonsar e Tashi.

“É muito triste ver tais mosteiros de importância histórica a serem preparados para a destruição”, afirma um residente local, citado no comunicado.

Além dos protestos que se iniciaram a 14 de outubro em Dege, tibetanos no exílio e apoiantes da sua causa têm realizado manifestações em várias partes do mundo, incluindo em Dharamsala, na Índia, lar do líder espiritual tibetano exilado, Dalai Lama, e frente às embaixadas chinesas no Reino Unido, Suíça e EUA, havendo já protestos e campanhas de solidariedade planeadas no Canadá e noutros países.

O Departamento de Estado dos EUA também já manifestou “profunda preocupação” com as recentes detenções em massa de tibetanos, através de uma publicação feita por Uzra Zeya, subsecretária para a segurança civil e a democracia, na rede social X.

“A China deve respeitar os direitos humanos e a liberdade de expressão e incluir os tibetanos no desenvolvimento e implementação de políticas de gestão da água e da terra. Esses mosteiros centenários abrigam centenas de monges budistas tibetanos e contêm relíquias culturais insubstituíveis. Os Estados Unidos da América apoiam os tibetanos na preservação da sua identidade cultural, religiosa e linguística única”, escreveu Uzra Zeya.

Também Benedict Rogers, ativista de direitos humanos e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos do Partido Conservador do Reino Unido, utilizou a sua conta de X para alertar para a repressão do Partido Comunista Chinês em relação aos tibetanos, descrevendo-a como “terrível e ultrajante”. “Não esqueçamos o Tibete. Vamos libertar o Tibete”, apelou Rogers.

Os indivíduos detidos – tanto monges como residentes locais – foram levados para vários locais do condado de Dege, disseram fontes que pediram anonimato por razões de segurança, citadas pela Radio Free Asia. Todos foram forçados a levar a sua própria roupa de cama e tsampa – um alimento básico para os tibetanos que pode ser usado para se sustentarem durante longos períodos de tempo, acrescentaram as mesmas fontes. “O facto de a polícia estar a pedir aos tibetanos que tragam a sua própria tsampa e roupa de cama é um sinal de que não serão libertados tão cedo”, explicaram.

Após a notícia das prisões em massa, muitos tibetanos da aldeia de Upper Wonto que trabalham noutras partes do país regressaram à sua cidade natal e visitaram os centros de detenção para pedir a libertação dos detidos, refere a Radio Free Asia. Estes também terão sido presos.

Apesar de a constituição da China garantir a liberdade de religião e crença e os direitos dos grupos étnicos minoritários, o Partido Comunista Chinês tem sido acusado de violar repetidamente as liberdades religiosas e os direitos culturais e humanos de minorias étnicas, nomeadamente os budistas tibetanos e os muçulmanos uigures, uma situação que o 7MARGENS tem vindo a acompanhar.

 

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