Mais de 100 bispos exigem legislação para acabar com “abusos das empresas”

| 7 Jul 20

sinodo dos bispos, Foto sugerida pela FEC mas sem creditos

Assembleia do Sínodo dos Bispos: uma centena de responsáveis de todo o mundo pedem regras mais jutas nas empresas e no comércio internacional. Foto: Direitos reservados.

 

Um grupo de mais de 100 bispos de vários países, incluindo Portugal, assinou uma petição dirigida à presidência do Conselho da União Europeia, denunciando as violações aos direitos humanos praticadas no contexto do comércio internacional, em particular durante a pandemia, e pedindo a criação de leis que impeçam as empresas de explorar os trabalhadores.

“Agora mais do que nunca, precisamos de uma due diligence [diligência prévia] obrigatória na cadeia de abastecimento para travar os abusos das empresas e garantir a solidariedade global”, assinala o documento, enviado ao 7MARGENS pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), organismo da Conferência Episcopal Portuguesa.

Os responsáveis religiosos alertam em particular para os casos de “trabalho forçado e infantil, violência de género, degradação ambiental e deflorestação”, e ainda para situações específicas ocorridas recentemente. “Por exemplo, algumas das grandes marcas de lojas de vestuário cancelaram encomendas e recusaram-se até a pagar os têxteis já produzidos”, referem no documento, divulgado esta segunda-feira, 6 de julho.

“Acreditamos que as leis podem conseguir trazer mudanças visíveis para as comunidades se também incluírem um melhor acesso a recursos judiciais para as vítimas, para cumprir o seu dever de proteção contra abusos das empresas”, defendem os bispos.

Os responsáveis da Igreja Católica sugerem que todos os Estados participem ativamente a negociações com as Nações Unidas com vista à criação de um Tratado que “impediria qualquer país ou empresa de recorrer a modelos de produção exploradores e de aceitar a destruição da criação para melhorar a sua posição competitiva no mercado mundial”.

“O sistema em vigor prejudica as pessoas e o planeta, e somos chamados a fazer melhor. Confiamos na nossa possibilidade de aprender coletivamente com as experiências do passado e com a crise atual, e propomos um caminho que valorize a justiça e os direitos humanos, pondo a vida acima dos lucros”, concluem os responsáveis da Igreja Católica.

Entre os signatários da petição incluem-se o cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima, Manuel Linda, bispo do Porto, Armando Esteves Domingues, bispo auxiliar do Porto, e António Vitalino Dantas, bispo emérito de Beja. A declaração foi também assinada pelos líderes da Igreja de países como a Índia, Myanmar, Uganda e Colômbia, particularmente afetados pelo desrespeito dos direitos humanos.

Para Josianne Gauthier, secretária-geral da CIDSE, rede internacional de organizações católicas para a justiça social, da qual a FEC é membro, e que coordenou a declaração, este é um passo importante na luta contra os abusos cometidos pelas empresas. “Inspira-me ver tantos representantes da Igreja a falar a uma só voz sobre a questão da regulamentação das empresas, apoiando o trabalho de muitas mulheres e homens, muitos deles parceiros da CIDSE, cuja vida é dedicada à defesa dos direitos humanos e ambientais. Estamos todos interligados e é nosso dever apoiá-los na sua luta de todas as formas possíveis”.

 

Artigos relacionados

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

Sondagem

Brasil deixa de ter maioria católica 

Algures durante este ano a maioria da população brasileira deixará de se afirmar maioritariamente como católica. Em janeiro de 2020, 51% dos brasileiros eram católicos, muito à frente dos que se reconheciam no protestantismo (31%). Ano e meio depois os números serão outros.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

É notícia

Entre margens

As estrelas boas que Deus coloca na nossa vida novidade

No contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2022 [entre 18 e 25 de janeiro] prestamos tributo a um homem bom, um fiel seguidor de Cristo e um cristão verdadeiramente ecuménico e aberto ao diálogo inter-religioso. Um cristão também com profundo sentido de humor e de alegria, que é sempre um sinal de uma boa espiritualidade.

Thich Nhat Hanh: Buda e Jesus são irmãos

Regressei ao cristianismo. Mas fui budista zen cerca de quinze anos, integrada na orientação budista zen do mestre japonês Taisen Deshimaru (Associação Zen Internacional); tendo como mestre um dos seus discípulos, Raphael Doko Triet. Gostaria de lhe prestar aqui a minha homenagem pois aprendi muito com ele, ligando-nos ainda – embora à distância – uma profunda amizade.

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos…

Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

Cultura e artes

Crónicas portuguesas dos anos 80

As causas que sobrevivem às coisas

O Portugal de A Causa das Coisas e de Os Meus Problemas, publicados nos anos 80, fazem sentido neste século XXI? Miguel Esteves Cardoso ainda nos diz quem e o que somos nós? Haverá coisas que hoje se estranham, nomes fora de tempo, outras que já desapareceram ou caíram em desuso. Já as causas permanecem. Pretexto para uma revisitação a crónicas imperdíveis, agora reeditadas.

Carta a Filémon

A liberdade enquanto caminho espiritual

A Epístola a Filémon – um dos mais pequenos escritos do Novo Testamento – constitui o estímulo e o contexto para uma bela reflexão sobre a vivência da liberdade enquanto caminho espiritual. Adrien Candiard – dominicano francês a residir na cidade do Cairo – consegue em breves páginas apresentar um exercício de leitura rico e incisivo sobre a qualidade da vida cristã, mantendo um tom coloquial próprio do contexto de pequenos grupos nos quais este livro encontrou a sua origem.

O filme de Almodóvar

As dores para dar à luz a verdade

Fique dito, desde já, que estamos perante um dos melhores e mais amadurecidos filmes de Almodóvar. Intenso como outros, magnificamente construído e filmado como é habitual, talvez mais profundamente moral do que muitos, Mães Paralelas é um filme tecido de segredos íntimos e dolorosos, à volta da maternidade, mas também da Guerra Civil espanhola. No centro, esplendorosa, está Penélope Cruz.

Sete Partidas

Ser pai no inverno da Estónia

Estou a viver na Estónia há oito anos e fui pai recentemente. Vim para aqui estudar e, como acontece a muitos outros portugueses espalhados por esse mundo, apaixonei-me por uma mulher deste país, arranjei trabalho, casei e o mais recente capítulo da minha história é o nascimento do meu filho, no mês de dezembro de 2021.

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

[ai1ec view=”agenda” events_limit=”3″]

Ver todas as datas

Parceiros

Fale connosco

Abusos na Igreja
Dar voz ao silêncio

Contactos da Comissão Independente

https://darvozaosilencio.org/

E-mail: geral@darvozaosilencio.org

Telefone: (+351) 91 711 00 00

You have Successfully Subscribed!

Pin It on Pinterest

Share This