
Ibrahim, uma das vítimas do conflito no Iémen, teve de amputar as duas pernas em outubro de 2021. Foto © UNICEF / UN0538380.
Mais de 11 mil crianças já foram mortas ou mutiladas em consequência da guerra no Iémen, uma média de quatro por dia desde a escalada do conflito em 2015, denunciou a Unicef esta segunda-feira, 12 de dezembro. Os números, agora divulgados, são os que o Fundo das Nações Unidas para a Criança pôde verificar, mas “é provável que os números reais sejam ainda superiores”, alerta a organização em comunicado.
“Embora a trégua negociada pela ONU [em abril deste ano] tenha levado a uma redução significativa na intensidade do conflito, 62 crianças foram mortas ou feridas desde o fim da trégua no início de outubro até ao final de novembro”, revela a Unicef. E pelo menos 74 crianças estavam entre as 164 pessoas mortas ou feridas por minas terrestres e munições não detonadas só entre julho e setembro de 2022.
Ao todo, mais de 23,4 milhões de pessoas, incluindo 12,9 milhões de crianças, precisam de assistência humanitária e proteção, o que representa quase três quartos da população do país. A Unicef estima ainda que 2,2 milhões de crianças no Iémen estejam gravemente desnutridas, incluindo quase 540.000 crianças menores de cinco anos que sofrem de desnutrição aguda grave e “estão a lutar para sobreviver”.
“Todas elas precisam de apoio imediato, pois os serviços básicos praticamente entraram em colapso”, alerta Catherine Russell, diretora executiva da Unicef, citada no comunicado. “A renovação urgente da trégua seria um primeiro passo positivo que permitiria o acesso humanitário crítico. Em última análise, apenas uma paz sustentada permitirá que as famílias reconstruam suas vidas destruídas e comecem a planejar o futuro”.
Sem acesso à saúde e à educação
Ainda de acordo com os números avançados pela Unicef, mais de 17,8 milhões de pessoas, incluindo 9,2 milhões de crianças, não têm acesso a serviços de água potável, saneamento e higiene.
Atualmente, apenas 50% das unidades de saúde estão a funcionar, o que deixa quase 22 milhões de pessoas – incluindo cerca de 10 milhões de crianças – sem acesso adequado aos cuidados de saúde, nomeadamente vacinas. Juntamente com a falta de acesso à água potável, isto coloca as crianças em risco extremo no contexto de surtos regulares de cólera, sarampo, difteria e outras doenças evitáveis através da vacinação.
Ao mesmo tempo, acrescenta o comunicado da Unicef, “o Iémen enfrenta uma grave crise educacional”, com dois milhões de crianças fora da escola, um número que “pode aumentar para seis milhões”, já que pelo menos uma em cada quatro escolas no país foi destruída ou parcialmente danificada.










