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Pastor fulani, Nigéria. Foto © ACN

Durante fim de semana do Natal

Mais de 160 mortos em ataques armados a aldeias cristãs na Nigéria

| 27/12/2023

Pastor fulani, Nigéria. Foto © ACN

Têm sido registados ataques sistemáticos no estado de Plateau por parte de pastores nómadas fulani contra as comunidades locais de agricultores, maioritariamente pertencentes à comunidade cristã. Foto © ACN

 

O fim de semana do Natal foi manchado de sangue no estado de Plateau, região centro da Nigéria. Entre os dias 23 e 25 de dezembro, vários ataques armados a aldeias onde residem maioritariamente cristãos provocaram pelo menos 160 mortos e mais de 300 feridos, num balanço que ainda é provisório, avançou a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre esta quarta-feira, 27.

Na sequência destes ataques, que as autoridades afirmam terem sido “coordenados”, “sem sentido e não provocados”, há ainda a registar a destruição de mais de duas centenas de casas, na sua maioria incendiadas.

Uma das vítimas foi o pastor Solomon Gushe, da Igreja Batista da vila de Dares, morto juntamente com nove membros de sua família, disse Dawzino Mallau, residente do condado de Bokkos, citado pelo jornal Morning Star News.

“Vários pastores [cristãos] foram mortos”, afirmou a testemunha dos ataques. “Os terroristas que atacaram essas comunidades cristãs eram centenas e realizaram os ataques enquanto os infelizes cristãos se preparavam para os programas de Natal organizados pelos seus pastores.” A maioria dos cristãos mortos foram mulheres, crianças e idosos que não conseguiram escapar, acrescentou.

Embora ainda se desconheçam os pormenores do que aconteceu, a situação não é nova na região. De acordo com a AIS, “o Plateau é um dos estados que mais têm sido atormentados ao longo dos últimos anos por tensões étnicas e religiosas, com ataques sistemáticos por parte de pastores nómadas fulani contra as comunidades locais de agricultores maioritariamente pertencentes à comunidade cristã”.

De acordo com o mais recente relatório da fundação pontifícia, as raízes desta violência são complicadas de traduzir, “embora se trate sobretudo de uma luta pelos recursos (terra e água)”, misturada “com elementos étnicos, políticos e religiosos”.

“Sob o pretexto da competição pelos recursos, os extremistas islâmicos fulani matam, queimam e mutilam os nigerianos segundo linhas étnicas e religiosas, visando igrejas [cristãs], líderes religiosos e celebrações, bem como muçulmanos que não aceitam a agenda fundamentalista”, pode ler-se no relatório.

A organização recorda ainda que “a Nigéria tem sido palco também de enorme violência por parte de organizações terroristas, nomeadamente o Boko Haram – que atua principalmente no nordeste do país, onde procura a instauração de um ‘califado’ – e ainda de inúmeros grupos armados responsáveis por assaltos e muito particularmente pelo rapto de pessoas”.

Dados disponibilizados em agosto de 2021 pela ONG nigeriana Intersociety revelavam que 43 mil cristãos foram mortos por jihadistas nigerianos em 12 anos, 18.500 desapareceram permanentemente, 17.500 igrejas foram atacadas, 2.000 escolas cristãs foram destruídas, seis milhões foram forçados a fugir do país e quatro milhões são deslocados internos.

Já este ano, o relatório World Watch List divulgado pela organização americana Open Doors sublinhava o crescimento exponencial da violência religiosa na África subsaariana, com especial incidência na Nigéria, que ocupava o sexto lugar na lista de países do mundo onde os cristãos são mais perseguidos. Além das mortes (5.014), a Open Doors referia que 5.726 cristãos foram sequestrados, enquanto pelo menos dez milhares terão sido abusados física ou mentalmente e outros tantos deslocados naquele país, só no ano de 2022.

 

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