
Estas crianças “estão a lidar com sentimentos intensos de tristeza, ansiedade, medo e raiva”, afirma a Unicef. Foto © UNICEF/UNI444674/Zelya.
São já mais de 30 mil as crianças refugiadas que chegaram à Arménia nas últimas duas semanas, e na sua generalidade mostram sinais de sofrimento psicológico grave, alertam os relatórios dos assistentes sociais apoiados pela Unicef que têm prestado cuidados especializados às famílias que fugiram das suas casas na sequência da ofensiva militar ao território de Nagorno-Karabakh.
De acordo com um comunicado divulgado pela organização esta terça-feira, 10 de outubro – em que se assinala o Dia Mundial da Saúde Mental-, estas crianças “estão a lidar com sentimentos intensos de tristeza, ansiedade, medo e raiva”, o que se manifesta, em alguns casos, “em pesadelos, enurese noturna e choro inconsolável”. Outras crianças “fecharam-se e tornaram-se desapegadas, incapazes de expressar emoções ou de se conectar com a situação que as rodeia”. “Todos correm o risco de deteriorar a saúde mental sem apoio imediato”, alerta a Unicef.
O Fundo de Apoio à Infância das Nações Unidas assinala ainda que, já antes de terem sido forçadas ao deslocamento, muitas destas crianças não tinham acesso contínuo a uma educação de qualidade e viviam num ambiente inseguro, com medo de ataques.
“Estamos a ver agora até que ponto estas crianças sofreram. O deslocamento e as hostilidades, agravados pela privação, causaram estragos na sua saúde física e mental e no seu bem-estar psicológico. Sem apoio sustentado, as crianças correm o risco de sofrer os efeitos destes acontecimentos profundamente angustiantes nos próximos anos”, afirma Christine Weigand, representante da Unicef na Arménia, citada no comunicado.
A organização apela, por isso, a “um investimento adequado na saúde mental e no apoio psicossocial às crianças”, não só a nível imediato, “mas também a longo prazo, uma vez que as famílias continuarão a lidar com perdas e stress pós-traumático”.
Atualmente no terreno com várias equipas móveis, a Unicef está a trabalhar com o Governo local e outros parceiros para assegurar esse apoio, bem como a formação de outros profissionais que possam dar seguimento ao trabalho já desenvolvido.









