Mais de 300 filipinos mortos na Arábia Saudita. Igreja e ONG exigem investigação

| 30 Jun 20

Filipinas. Migrantes. Migrações

Centenas de passageiros, incluindo filipinos, no aeroporto de Manila aguardando voos cancelados. Foto: Direitos reservados/Vatican News

 

A notícia da morte de 353 migrantes filipinos na Arábia Saudita está a preocupar a Igreja Católica das Filipinas e a Organização Não Governamental Migrante International, que já pediram uma investigação ao sucedido. De acordo com o embaixador das Filipinas em Riade, Adnan Alonto, a maioria terá morrido “de causas naturais”, avançou a UCA News. Mas os relatos da recusa de assistência médica aos cristãos nos hospitais do país indiciam que a verdadeira justificação para um tão elevado número de mortes entre a comunidade filipina poderá ser outra.

O bispo Ruperto Santos, responsável pela comissão dos migrantes na Conferência Episcopal das Filipinas, divulgou um comunicado dia 23 de junho, onde afirma que “deverá ser levada a cabo uma investigação para apurar as causas específicas destas mortes e evitar futuras perdas de vidas”.

O pedido foi apoiado pela ONG Migrante International. “As famílias dos trabalhadores filipinos falecidos merecem saber as causas da morte dos seus entes queridos. O governo não pode simplesmente dizer que morreram de causas naturais. Têm de existir relatórios médicos para sustentar essa afirmação”, disse Francisco Buenaventura, porta-voz da organização, denunciando ter recebido relatos de que os filipinos que testam positivo à covid-19 não são tidos como prioritários nos serviços de saúde, devido ao facto de serem cristãos.

A Arábia Saudita é um dos principais destinos dos migrantes filipinos, estimando-se que ali vivam e trabalhem atualmente cerca de um milhão. De acordo com o jornal Herald Malaysia, estes trabalhadores são frequentemente confrontados com condições muito precárias, falta de pagamento de salários, confiscação de passaportes, violência física e assédio sexual por parte dos empregadores sauditas, muçulmanos.

Nas palavras do bispo Ruperto Santos, “há algo de errado com todo este cenário” que merece atenção imediata por parte do Governo, por forma a assegurar que os direitos dos trabalhadores filipinos são respeitados no Médio Oriente. A investigação deverá servir também para corrigir o que está errado e melhorar as condições de trabalho dos filipinos”, defendeu.

 

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