Mais de 340 milhões de cristãos “fortemente perseguidos” no mundo em 2020

| 14 Jan 21

Mapa da Open Doors com o “top” 50 dos casos extremos e severos de perseguição aos cristãos em 2020.

 

Todos os dias, 13 cristãos morrem por causa da sua fé, 12 são detidos injustamente e cinco são sequestrados. O número de cristãos perseguidos em todo o mundo aumentou de 260 milhões, em 2019, para mais de 340 milhões em 2020, confirmando a tendência de crescimento dos últimos anos, a qual foi acentuada pela pandemia de coronavírus, revela o relatório da ONG Open Doors (Portas Abertas), divulgado esta quarta-feira, 13 de janeiro.

De acordo com a “Lista Mundial da Perseguição 2021”, além do número de cristãos “fortemente perseguidos”, também o número de cristãos assassinados cresceu 60% em relação ao ano anterior, passando de 2.983 para 4.761. No total, “74 países (mais um do que em 2019) revelaram níveis extremos, muito altos ou altos de perseguição, a qual afeta um em cada oito cristãos em todo o mundo”, pode ler-se no relatório.

O estudo mostra que “a covid-19 foi um catalisador da repressão das minorias cristãs, às quais, em países como o Bangladesh, a Índia e o Paquistão, assim como o Iémen e o Sudão, foi muitas vezes negada ajuda”. Na Somália, um grupo islamista “culpou os cristãos pelo coronavírus”, e, no Sri Lanka, “o coronavírus foi um pretexto para a polícia entrar nas casas dos cristãos e investigar os membros e atividades da Igreja”, revela a organização internacional, que há mais de 60 anos presta auxílio aos cristãos perseguidos.

Com a Coreia do Norte a encabeçar a lista pelo vigésimo ano consecutivo, a principal novidade no “top 10” foi a entrada da Nigéria para o nono lugar, “devido principalmente aos pastores fulani armados que arrasaram várias centenas de aldeias cristãs, assim como ao Boko Haram e a uma série de grupos criminosos que continuam a matar, sequestrar e violar com impunidade”, refere o estudo da Portas Abertas.

Já o Iraque subiu do 15º para o 11º posto, devido à “permanente insegurança” dos cristãos que regressam aos seus lares, os quais “continuam a ser assassinados, sequestrados e submetidos a abusos físicos, psicológicos, sexuais e emocionais”. A subida deve-se ainda aos ataques turcos de que foram alvo aqueles que se encontravam na zona de Dohuk no verão de 2020, justifica o relatório.

Quanto à China, está, pela primeira vez na última década, entre os 20 primeiros da lista de países com o nível de perseguição mais alto. “O Partido Comunista ampliou a sua regulação de todas as religiões em 2020, e incluindo as igrejas aprovadas pelo governo, tanto católicas como protestantes, estão sob uma vigilância cada vez maior”, assegura a ONG.

O relatório destaca ainda a subida da Turquia da 36ª posição para a 25ª, devido principalmente a um aumento da violência. “Os cristãos dizem que, desde a tentativa de golpe de Estado de 2016 contra o presidente Erdogan, há uma agenda islamista e nacionalista muito mais aberta, com uma atmosfera geral de ‘discurso de ódio’ e ações contra as minorias como as comunidades arménias e gregas ortodoxas”, revelam as entrevistas realizadas naquele país.

Devido à violência islamista em Cabo Delgado, também Moçambique figura este ano entre os 50 primeiros (na 45ª posição). Já a República Democrática do Congo, onde segundo a ONU foram assassinados mil civis desde 2019 pelo grupo islamista Forças Democráticas Aliadas (FDA), subiu de 57º para 40º.

Entre as boas notícias, está a abolição da pena de morte por apostasia (renúncia ao islão) no Sudão, onde a Constituição foi alterada para garantir a liberdade religiosa. Ainda assim, “continua a haver muita resistência a essas mudanças radicais”, pelo que o país saiu da sétima posição, mas ainda ocupa atualmente a 13ª.

Mapa (com legendas em castelhano) da perseguição aos cristãos em 2020, publicado pela Open Doors. 

 

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