Mais de 500 mulheres assassinadas em Portugal em 15 anos, é preciso cuidar também dos orfãos

| 22 Nov 19

Mulher vítima de violência: agora, é preciso cuidar também das crianças que ficam órfãs. Foto © Engin Akyurt/Pexels

 

O Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), contabiliza mais de 500 mulheres assassinadas nos últimos 15 anos em Portugal – só em 2019, foram 28. Algumas baleadas, outras estranguladas ou espancadas, a maioria foi vítima de violência doméstica. O novo problema é apoiar as crianças que ficam órfãs, alerta o OMA.

Os dados constam do relatório preliminar apresentado esta sexta-feira, 22 de novembro, em Lisboa, e descreve a realidade da violência contra as mulheres, em Portugal. Só neste ano, como refere a TSF, o OMA contou 28 mulheres assassinadas nos contextos de relações de intimidade ou familiares, além de 27 tentativas de homicídio e outras duas mortes em diferentes contextos – uma das quais, a irmã Maria Antónia Pinho, assassinada em Setembro, em São João da Madeira, um caso “hediondo, de violação seguida de asfixia”, diz Sónia Soares, responsável do OMA (o outro foi uma brasileira em Santarém, em Abril).

Ao 7MARGENS, esta responsável explica que os crimes tipificados como violência doméstica são cometidos numa esfera mais íntima, por familiares ou pessoas com as quais a vítima tem uma relação. Uma aparente divergência com os dados oficiais, recolhidos pela Polícia Judiciária, tem a ver apenas com as diferentes formas de organizar os números, explica ainda, mas são consonantes: há 28 vítimas, só neste ano, em Portugal (dos quais sete são homens).

Um problema que está a surgir é a necessidade de dar apoio às crianças que ficam órfãs, que até agora nem sequer são consideradas vítimas. “Algumas assistiram ao crime e isso tem um impacto brutal nas crianças”, diz. As respostas do Serviço Nacional de Saúde são “muito precárias”. A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro, que esteve presente na apresentação do relatório, manifestou-se disponível para pensar medidas de apoio às crianças. Só este ano há 45 crianças nessa circunstância.

Em Fevereiro, vários responsáveis católicos, entre os quais o presidente da Cáritas e o bispo da Acção Social, disseram ao 7MARGENS que é necessário a Igreja implicar-se mais no tema.

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