
Só na diocese de Makurdi, onde ocorreram os últimos ataques, há cerca de dois milhões de deslocados internos, distribuídos por sete campos. Foto © ACN.
Pelo menos 80 pessoas, na sua maioria a residir em campos de deslocados, foram mortas no estado de Benue, no centro da Nigéria, na sequência de três ataques ocorridos durante a semana passada, alegadamente perpetrados por pastores Fulani. O terceiro ataque aconteceu na sexta-feira, 7 de abril, tendo causado “mais de 35 mortos e incontáveis feridos”, avança a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) esta segunda-feira, 10.
“Os Fulani entraram num campo de deslocados internos para matar estas almas inocentes. Os campos de deslocados nas proximidades estão agora todos numa confusão”, relata o padre Remigius Ihyula à Fundação AIS, a propósito do ataque ocorrido na noite de Sexta-Feira Santa na diocese de Makurdi.
O padre Remigius explica que o campo onde ocorreu o mais recente massacre está situado nas imediações da aldeia de Ngban, “ao quilómetro 40 ao longo da estrada de Makurdi”, em cuja escola primária muitos dos deslocados procuraram refúgio. Segundo o religioso, “os corpos e os feridos foram transportados para o hospital de Makurdi”, tendo o ataque causado ainda “a destruição de propriedades”, diversos veículos e produtos agrícolas.
“Ainda estávamos de luto”, assinala por seu lado o presidente do Conselho da Juventude de Benue, Ongu Anngu, também citado pela fundação pontifícia, recordando que a aldeia foi invadida “por um grande número de homens armados” que dispararam sobre as pessoas, matando-as quando tentavam fugir. “Isto tem de acabar”, acrescenta.
Tratou-se de, pelo menos, o terceiro ataque a Benue no espaço de uma semana, após 53 pessoas terem sido mortas na última terça e quarta-feira, quando homens armados, também suspeitos de serem pastores Fulani, invadiram a aldeia de Umogidi no município de Otukpo.
O estado de Benue, onde se situa a diocese de Makurdi, tem sido palco, nos últimos anos, de constantes ataques por pastores nómadas muçulmanos Fulani, cada vez mais agressivos e radicalizados, contra comunidades de agricultores predominantemente cristãos, por causa das terras e da posse dos animais e de recursos naturais como a água. Só na diocese de Makurdi, há cerca de dois milhões de deslocados internos, distribuídos por sete campos.
A Fundação AIS tem em curso uma campanha de solidariedade para apoiar estas comunidades, procurando alertar a opinião pública para a “situação trágica” em que se encontram, “alvos constantes de ataques e de perseguição neste que é o maior país de África”.










