Foram ao todo 111 os casos de agressão ou violência registados em Israel e Jerusalém contra cristãos, revela o mais recente relatório do Centro Rossing para a Educação e o Diálogo. Em quase todos os ataques, os agressores identificados são jovens judeus ultraortodoxos pertencentes a círculos extremistas nacionalistas e religiosos. E a crescente influência desses círculos na política do governo israelita “contribuiu para criar um ambiente de constante ameaça contra as minorias religiosas e, em especial, contra os cristãos”, alerta o Vatican News, que teve acesso ao estudo.
A maioria dos ataques registados foi contra pessoas, e em 35 casos tratou-se de vandalismo em igrejas, mosteiros ou outros locais religiosos públicos, revela o documento do Centro Rossing, que desde 2006 anos acompanha a evolução da violência contra cristãos que vivem em Israel e na Palestina. O clero foi particularmente visado, por ser facilmente identificável pelas roupas, e cuspir foi a forma mais comum de assédio. Nas igrejas e outros edifícios religiosos, foram comuns as pichagens, o arremesso de pedras e fogos postos.
Não é, assim, de estranhar, que de acordo com um inquérito feito pela organização a 300 cristãos árabes a residir na região no âmbito deste estudo, 48% dos jovens com menos de 30 anos tenham declarado que estão a pensar em migrar, e 77% deles afirmado que na origem dessa intenção estão “a escalada da discriminação e da violência sofrida pelos cristãos e a deterioração geral da situação sociopolítica.
Uma “judaização” progressiva e intencional da Terra Santa
Como enquadramento, o relatório inclui números do Departamento Central de Estatística de Israel, que mostram que a população israelita em 2024 chegou a dez milhões de habitantes. Desses, 7,7 milhões são judeus e 2,1 milhões são árabes. Os cristãos que vivem em Israel são 180 mil e, desses, 80% são árabes. Na cidade de Jerusalém, vivem 591 mil judeus, representando 61% da população, enquanto os árabes são 385 mil. Desses, apenas 13 mil são cristãos, o que significa que a proporção de muçulmanos para cristãos em Jerusalém é de 96% contra 4%.
Em comparação com o ano anterior, a população judaica aumentou em meio ponto e a população árabe diminuiu na mesma proporção, estando o Governo, por estes dias, a aprovar “um plano maciço para novos assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental que prevê a construção de cerca de 11.500 novas unidades habitacionais”, assinala o Vatican News. “O mais importante é que 29% dos habitantes da cidade sagrada se qualificam como ‘judeus ortodoxos’, o que praticamente constitui mais de metade dos habitantes judeus de Jerusalém”, destaca a notícia. Dados que, segundo os analistas do Centro Rossing, indicam uma “judaização” progressiva e intencional de Jerusalém e da Terra Santa.










