
Encontro do Papa com um grupo de activistas franceses pelo ambiente, entre os quais a atriz Juliette Binoche (à direita), em setembro 2020: entre os católicos com prática religiosa são menos de metade os que conhecem a carta do Papa sobre a casa comum Foto: Direitos reservados
Mais de metade (56%) dos “católicos praticantes” franceses nunca ouviram falar da encíclica Laudato si’ do Papa Francisco, revela uma sondagem realizada pela A Rocha-Ifop para o jornal La Croix divulgada no La Croix Afrique nesta quinta-feira, 22 de junho.
A presidente do movimento Laudato si’ Europe, Laura Morosini, reagiu aos resultados da sondagem reconhecendo que “ainda há muito trabalho por fazer”, mas confessou ao jornal não estar particularmente surpreendida porquanto é essa realidade que ela constata no terreno, onde, para além do desconhecimento, observa que “aqueles que conhecem melhor a encíclica são os mais comprometidos na Igreja”.
O estudo de opinião permitiu verificar que os ditos “católicos praticantes” são mais sensíveis às questões ecológicas que o francês médio, embora nem sempre vinculem essas convicções à sua fé. A encíclica Laudato si’ foi publicada há oito anos (a 24 de maio de 2015), tendo sido particularmente bem acolhida pelos ativistas das questões ambientais e alvo de numerosos comentários e referências nos media, nos meios universitários e entre os cientistas que investigam as alterações climáticas.
Numa declaração recolhida por La Croix Afrique, um dos coordenadores da sondagem, Gauthier Simon, chama a atenção para a perceção que as pessoas se fazem do ‘mundo católico’ estar muito influenciada pelos “virtuosos”, aqueles que “investem imenso na prática religiosa e se tornam muito visíveis”. Esses “católicos de esquerda e direita que discutem sobre o papa, a ecologia e o papel da Igreja monopolizam” – assinala Simon – “a atenção de jornalistas, investigadores e até do episcopado”. A tal ponto que “todos subestimam o peso de ‘uma massa mal representada’ de católicos menos ativos que não se posicionam em relação a essas divisões, ou que as ignoram de todo”.
Por outro lado, Jérôme Fourquet, do Ifop, sublinha que o estudo mostra que “os católicos ecológicos mais praticantes e mais jovens estão cientes dos vínculos entre fé e convicções ambientais”, mas para muitos outros fiéis “é muito menos evidente que a Igreja se deva comprometer a fundo com um tema como o meio ambiente”, até porque ainda há muitos católicos, diz o investigador, que reagem à contestação do antropocentrismo tradicional cristão implícito, ou explícito, na narrativa ecológica.










