
O analfabetismo e a propensão da polícia para deter minorias, dalits e indígenas são duas das razões. Foto © probono-india.in
Um estudo realizado pelo Gabinete Nacional de Registos Criminais da Índia (NCRB, na sigla inglesa) revela que cerca de 52% das pessoas que se encontram atualmente detidas no país pertencem a grupos minoritários, particularmente muçulmanos, dalits (conhecidos como os “intocáveis”) e indígenas de grupos tribais.
“Os grupos minoritários têm sido sujeitos a repressão ao longo dos anos, pelo que não se trata de nada de novo. Existe preconceito entre as pessoas de que os crimes são sempre cometidos pelas minorias”, afirma o padre Vijay Kumar Nayak, responsável pelo departamento de defesa dos dalits e classes mais pobres na Conferência Episcopal Indiana, citado pela Union of Catholic Asian (UCA) News.
Na opinião de Vijay Nayak, o elevado número de presos pertencentes às minorias deve-se também “ao analfabetismo e à falta de meios para contratar advogados, além da maior propensão da polícia para apresentar acusações contra eles livremente, sem temer uma reação adversa”.
“Há inúmeros casos no nosso país em que a polícia prende pessoas pobres apenas em nome da resolução do problema”, confima por seu lado o líder islâmico Muhammad Arif, diretor do Centro para a Harmonia e a Paz. “Os pobres são deixados à mercê de Deus para se defenderem a si próprios”.
De acordo com dados do censo de 2011, os muçulmanos correspondem a 14,2% da população indiana, os dalits a 16,6% e os grupos tribais perfazem 8,6% do total. Segundo o NCRB, no final de 2019, a população prisional era composta por 21,7% de dalits 16,6% de muçulmanos e 13,6% de indígenas.









