Inquérito do 7MARGENS sobre o Sínodo

Mais qualidade das celebrações e homilias, e celibato facultativo

| 13 Out 21

 

nuvem palavras inquerito sinodo

“Nuvem” de palavras elaborada a partir do tratamento gráfico do conjunto das respostas de cerca de 950 leitores que responderam à pergunta aberta do inquérito do 7MARGENS: a revisão do papel das mulheres na Igreja, bem como da formação dada aos padres, foram duas das recomendações recorrentes.

 

 

Encerramos com este texto a série de trabalhos feitos a partir do inquérito realizado pelo 7MARGENS sobre o Sínodo da Igreja Católica, que abre no próximo domingo, ao nível de cada diocese. Nesta edição, discriminamos uma listagem de sugestões, aspirações e propostas apresentadas na única pergunta aberta por perto de 950 dos 1036 leitores que responderam ao inquérito.

Organizamos as recomendações a incluir na agenda sinodal em três vertentes: contributos sobre a Igreja, tomada globalmente; contributos sobre a liturgia, em particular a missa; e contributos sobre comunidades e estruturas paroquiais. Dada a natureza sintética das respostas, agrupámos os tópicos de cada apartado sob a forma de listagem.

Tendo em consideração as coincidências de muitas respostas, bem como as achegas e complementos, os contributos foram agrupados e editados para contemplarem o maior número possível.

Aspetos gerais
  • Participação regular de padres e leigos nas reuniões da Conferência Episcopal, em condições a definir.
  • Participação dos leigos e do clero na nomeação dos bispos.
  • Transparência na apresentação de contas, a todos os níveis da vida eclesial, incluindo nos santuários onde os devotos deixam as suas dádivas.
  • Criar “espaços de diversidade” abertos a Deus no contexto das comunidades locais; espaços sem fronteiras, de diálogo, de partilha, sem etiqueta.
  • Investir pastoralmente na defesa do meio ambiente e qualidade de vida.
  • Aprender com “o modelo de Taizé” e deixar de ser uma Igreja que “vive apenas de sacramentos”.
  • Dar atenção ao encontro e diálogo ecuménicos, também nas igrejas locais.
  • Não esquecer os meios rurais, no que diz respeito à evangelização.
  • Maior conhecimento das congregações religiosas e associações socio-caritativas da diocese e desenvolvimento de projetos em parceria e em rede.
  • Atenção privilegiada aos pobres e às desigualdades, “colocando-se no lugar de quem se sente marginalizado”.
  • Revisão do papel das mulheres na Igreja, nomeadamente reflexão sobre o “sacerdócio feminino”.
  • Remodelação total da formação nos seminários.
  • Aproveitar os recursos criados com a pandemia para fazer formação que combine o presencial com o online, conseguindo formadores mais credenciados.
  • “Refrescar” a imagem da Igreja e, em particular, “fazer campanhas com qualidade dando a conhecer o extraordinário trabalho social que a Igreja desenvolve”.
  • Durante o Sínodo (e porque não depois?), abrir um site para recolha de contributos, que permita a participação mesmo à distância.
Liturgia
  • Cuidar da qualidade das transmissões da eucaristia e do terço, incluindo as de Fátima, centrando-as mais na pessoa de Jesus, já que são “muito tristonhas e formais, não envolvendo muito os telespetadores – onde está a ‘alegria do Evangelho?’”.
  • Melhorar a qualidade das celebrações, quanto à interatividade, à participação ativa das pessoas; sempre que possível, com grupos, em que se possa fazer homilia partilhada.
  • As homilias devem ligar as leituras à vida das pessoas e introduzir nelas “a atualidade do mundo”, para as tornar mais interpelativas.
  • “A Igreja deve adaptar-se aos tempos atuais no vocabulário e modo de celebrar e comunicar a fé, repensando “formas arcaicas, não entendíveis pelos participantes”.
  • Modernizar as músicas, pensando sobretudo nos jovens, e ter atenção especial à formação dos leitores e à acústica dos templos.
Comunidades e estruturas paroquiais
  • Rever a situação atual de “tudo centrado no clero”; definir “áreas de gestão das coisas da Igreja [a serem] entregues aos leigos”, mas vendo que eles não se tornem como os padres e evitando “o funcionalismo burocrático”.
  • Reformar o conceito de paróquia e de pároco, no sentido de sublinhar o lado pastoral e reduzir a componente administrativa que pode ficar entregue a leigos preparados para tal.
  • Instituir assembleias paroquiais anuais, que emanem de comunidades intra-paroquiais. Se for necessário, que se reveja o Código de Direito Canónico.
  • É importante que os espaços das igrejas sejam multifuncionais e, sempre que possível, abertos à vida social e cultural da comunidade local. É bom que haja espaços abertos a todos.
  • Criar a prática de grupos de leigos e padres estagiarem em outras comunidades, especialmente aquelas em zonas mais deprimidas e periféricas, vivendo nas mesmas condições dos que são visitados.
  • Deve-se ter uma particular atenção à pastoral socio-caritativa nas comunidades cristãs.
  • Instituir modalidades concretas que assegurem maior diálogo e democraticidade no interior da Igreja
  • Mais atenção aos jovens, ouvindo-os com frequência. Muitos praticam meditação fora da Igreja; porque não promover a meditação como forma de oração?
  • Formação de leigos e do clero em liderança de comunidades.
  • Cuidar da família como espaço de vivência cristã.
  • Sessões ou aulas sobre história da Igreja e de outras religiões.
  • Sobre os presbíteros: o celibato obrigatório deveria acabar, começando por uma reflexão sobre o assunto. Eles deveriam constituir equipas por região, com um moderador, concretizando formas de proximidade e acolhimento das pessoas, vivendo uma vida simples, sem pompas nem ostentações, rompendo com o carreirismo eclesiástico.
  • Política de “completa intolerância com a pedofilia”, com compromisso de denúncia e não encobrimento de casos.
  • Ter em conta que os abusos não se resumem à pedofilia: “há abusos de poder aos diversos níveis; e quando são denunciados, quem pode não faz nada.

 

A equipa do 7MARGENS agradece a todos os leitores que se dispuseram a preencher o questionário e a enviá-lo. É nossa intenção reunir os materiais publicados com os resultados e fazê-los chegar aos responsáveis pela recolha de contributos para o Sínodo, para que possam integrar as participações desta fase de escuta diocesana e nacional.

 

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