Prémio Laurel Olímpico para Yunus

“Mais rápido, mais alto, mais forte – e agora também “juntos”

| 25 Jul 21

“Mais rápido, mais alto, mais forte – Juntos”, o novo lema do Comité Olímpico para os Jogos, assumindo a ideia da solidariedade. Foto © Comité Olímpico Internacional

 

“Mais rápido, mais alto, mais forte” é o lema dos Jogos Olímpicos. Desde sexta-feira, com a abertura dos Jogos da 32ª Olimpíada, o lema é acrescentado com a palavra “Juntos”. O Comité Olímpico Internacional (COI) aprovou a mudança nos jogos oficialmente abertos na sexta-feira, 23, de modo a fixar a ideia de solidariedade que o COI quer imprimir.

“A solidariedade alimenta a nossa missão de tornar o mundo um lugar melhor através do desporto. Só podemos ir mais rápido, só podemos almejar mais alto, só podemos ser mais fortes, se permanecermos juntos – em solidariedade”, afirmou o antigo campeão olímpico alemão de esgrima e atual presidente do COI, Thomas Bach, sobre a mudança, aprovada por unanimidade no organismo organizador dos Jogos, no dia 20 de junho.

Recorda a agência Ecclesia que a Athletica Vaticana, o primeiro organismo desportivo do Vaticano, considerou a mudança um “sinal de solidariedade” sugerido pela encíclica Fratelli tutti, escrita pelo Papa Francisco e publicada em Outubro de 2020.

Communiter, cum munus, que significa dom recíproco, mostra que só com um estilo solidário – juntos – se poderá sair melhor da crise. Também através do desporto”, pode ler-se numa nota publicada na página da instituição na rede social facebook.

No dia 29 de Maio, uma delegação da Athletica Vaticana foi recebida pelo Papa, acrescenta ainda a Ecclesia. Na ocasião, Francisco manifestou a sua sintonia com os participantes olímpicos das “delegações menores e mais pobres”, e lembrou a equipa de refugiados, “os que lutam e sofrem na grande corrida da vida”.

O lema Citius, Altius, Fortius, adotado em 1894 pelo Movimento Olímpico, a pedido de Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, queria manifestar excelência e incentivar os atletas a dar o seu melhor na competição. Foi pedido emprestado ao padre dominicano Henri Didon, que ensinava desporto na periferia de Paris.

Na página do COI na internet, acrescenta-se ainda que o lema pode ser comparado à afirmação do credo olímpico: “O importante na vida não é o triunfo, mas a luta; o essencial não é ter ganho, mas ter lutado bem.” A inspiração para o credo seria dada pelo bispo da Pensilvânia (EUA), da Igreja Episcopal (anglicanos dos Estados Unidos) num sermão durante os Jogos Olímpicos de Londres, em 1908.

 

Metas que valem a pena

 

Pierre de Coubertin foi o criador dos Jogos Olímpicos. Foto de Domínio Público

 

Pierre de Coubertin acreditava que “que dar o melhor e procurar a excelência pessoal são metas que valem a pena” e que o desporto e a participação nos Jogos são a melhor expressão dessa determinação, numa “lição de vida ainda hoje válida, não apenas para os atletas, mas para todos”.

Por causa da pandemia e do aumento do número de infeções provocadas pela covid-19, diz ainda a Ecclesia, a arquidiocese católica de Tóquio decidiu cancelar o programa pastoral que tinha preparado, dirigido aos atletas.

“Estava previsto que cada paróquia pudesse atender às necessidades espirituais de todos os atletas, mas agora decidimos cancelar essas iniciativas”, afirmou o arcebispo de Tóquio, Tarcisio Isao Kikuchi, numa nota citada no Vatican News.

Entre os actos cancelados, estavam uma missa internacional na catedral local e a criação de um rosário especial, que seria entregue a todos os participantes dos Jogos.

Com a área metropolitana de Tóquio colocada em estado de emergência pelo Governo japonês, os atletas não podem sair da Vila Olímpica, nem os padres (ou outros agentes para lá das pessoas estritamente necessárias) têm acesso a ela; previamente já havia sido decidido que os Jogos não teriam público.

Até ao momento, o Japão registrou 848 mil infeções e mais de 15 mil mortes por covid-19; entre os participantes nos Jogos, registavam-se 119 infeções.

O arcebispo de Tóquio pediu, na nota, que os locais de culto respeitem as “medidas de saúde anti-covid” e, dirigindo-se aos atletas, pediu para não visitarem as igrejas”, colaborando, assim, com as medidas preventivas de contágio.

“Implementámos medidas de segurança porque levamos a sério a responsabilidade de cada um de proteger não só a própria vida, mas também a vida dos outros, evitando a propagação do contágio. As celebrações litúrgicas continuarão a ser transmitidas online”, assegurou.

 

O Prémio Laurel para Muhammad Yunus

 

Muhammad Yunus foi o segundo a receber o Laurel Olímpico. Foto © University of Salford Press Office

 

Durante a cerimónia de abertura dos Jogos, o COI entregou entretanto o Laurel Olímpico ao Prémio Nobel da Paz e empresário Muhammad Yunus, criador do microcrédito. O Laurel é o prémio mais alto atribuído pelo Comité Olímpico Internacional e Yunus é o segundo a receber o galardão.

Citado pelo The Muslim News, o premiado afirmou-se “honrado” por receber o Laurel e “triste por não poder estar” em Tóquio com os atletas.

Elogiando o papel do COI em tomar a sério a dimensão social do desporto, exortou ainda os atletas de todo o mundo a “providenciar a liderança na transformação deste mundo” e a desempenharem um papel na criação de um “mundo de três zeros” – zero emissão líquida de carbono, zero concentração de riqueza para acabar com a pobreza e zero desemprego, libertando o poder do empreendedorismo em todos.

Yunus foi premiado pelo seu extenso trabalho no desporto para o desenvolvimento, incluindo a fundação do Yunus Sports Hub, uma rede global de negócios sociais que cria soluções através do desporto. Colaborou com o COI em vários projectos, incluindo elementos educacionais do Programa Jovens Líderes do COI, o Campo Juvenil “Imagine” Peace e o Athlete365 Business Accelerator, o primeiro programa abrangente de empreendedorismo para ajudar os atletas olímpicos na transição de carreira.

O Prémio Nobel da Paz foi-lhe outorgado em 2006 pelo seu papel de criador da lógica de pequenos empréstimos (microcrédito) a pessoas empobrecidas.

Os Jogos de Tóquio terminam a 8 de Agosto. Segue-se, de 24 de Agosto a 5 de Setembro, a 16ª edição dos Jogos Paralímpicos, onde competem pessoas com deficiências. Estes foram também adiados por um ano pela mesma razão da crise pandémica.

 

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