Dia Europeu contra o Tráfico de Pessoas

Mais um grito, perante este flagelo horrendo

| 18 Out 2023

Tráfico de pessoas. Foto Dorin Tamas

“Este ano, não vou falar das vítimas. Vou destacar os traficantes e os clientes, para quem, respectivamente, as pessoas são apenas mercadoria que dá muito dinheiro ou meros objectos.” Foto © Dorin Tamas.

 

O Artigo 4 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU – 10.12.1948) diz expressamente, sem ambiguidade alguma: “Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas”.

Apesar da clareza na sua formulação, a Assembleia Geral da ONU, tendo consciência de que muitas pessoas continuavam a ser escravizadas, no ano seguinte (02.12.1949), adoptou a «Convenção das Nações Unidas para a Supressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição de Outrem», explicitando, assim, as formas da escravatura actual.

O número de pessoas traficadas continua a aumentar até aos dias de hoje, pelo que se sentiu necessidade de sinalizar este fenómeno, instituindo o dia 18 de Outubro como Dia Europeu contra o Tráfico de Pessoas.

Em Portugal, na CAVITP (Comissão de Apoio às Vítimas do Tráfico de Pessoas, ligada à Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal – CIRP), criada em 2007, depois de uma semana de formação destinada a alertar sobretudo as Congregações Religiosas Femininas da existência desta nova escravidão, um grupo de Irmãs de várias Congregações assumiu o compromisso de: informar, consciencializar e comprometer a sociedade civil e a vida consagrada para a problemática do tráfico de pessoas; sensibilizar e dinamizar a opinião pública na detecção e denúncia desta forma de exploração; desenvolver acções de envolvimento multissectorial e cooperação para a prevenção e bloqueio das redes de Tráfico.

Este ano, não vou falar das vítimas. Vou destacar os traficantes e os clientes, para quem, respectivamente, as pessoas são apenas mercadoria que dá muito dinheiro ou meros objectos, como instrumentos baratos de trabalho e/ou de prazer egoísta, hedonista.

Se não houvesse procura, a oferta não seria tão avultada. Para mim, traficantes e clientes, são pessoas sem dignidade humana e, por isso, não reconhecem a sagrada dignidade de cada ser humano.

O meu grito de hoje vai para eles: recuperem a vossa dignidade humana, tornem-se seres verdadeiramente humanos. Não são as outras pessoas que roubam a nossa dignidade, somos nós que a destruímos em nós mesmos, quando julgamos os outros como coisas que podemos vender, comprar e deitar fora quando já não nos dão lucro.

Tenho consciência de que este meu grito não vai ser ouvido pelos destinatários… espero, no entanto, que chegue a um deserto que o transforme em eco interminável e que alguma pessoa, desesperada pela fome, pela guerra e que ainda mantenha sonhos, o ouça e seja capaz de sentir a diferença entre uma ajuda gratuita e um aliciamento mercantil.

Continuo a gritar porque acredito em Martin Luther King quando disse: “o que me preocupa não é o grito dos violentos, é o silêncio dos bons”. E eu não quero ficar em silêncio perante este flagelo horrendo.

 

Pela CAVITP, Ir. Maria Julieta M. Dias, Religiosa do Sagrado Coração de Maria

 

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