Manifesto de 170 líderes latino-americanos pede coordenação de todos os países para proteger os mais frágeis

| 17 Abr 20

Academia de líderes católicos latinoamericana

Os elementos da Academia de Líderes Católicos Latinoamericana, juntamente com políticos de diversas nacionalidades, prepararam um manifesto como conclusão das reuniões que têm mantido a propósito da pandemia de covid-19. Foto reproduzida da página da academia na rede social Facebook. 

 

O texto é assinado por 170 líderes católicos com responsabilidades políticas na América Latina  e pede que, no contexto da pandemia de covid-19, os governos de todos os países daquele continente se coordenem e colaborem na tomada de decisões para proteger os mais pobres e fragilizados.

“O nosso olhar nasce da dor daqueles que sofrem e sofrerão mais por causa desta pandemia: os que estão sozinhos e abandonados, os mais frágeis e vulneráveis, os mais pobres e indefesos”, pode ler-se no manifesto publicado na página da Academia de Líderes Católicos Latinoamericana a propósito da Páscoa.

Segundo os seus signatários, entre os quais se incluem três ex-chefes de Estado, um ex-secretário da Organização dos Estados Americanos, um ex-diretor do Fundo Monetário Internacional e vários deputados e ex-deputados dos diferentes países, a pandemia terá um “impacto dramático” para “as multidões de irmãos latino-americanos que sobrevivem apenas graças ao trabalho não declarado e, em geral, ao trabalho de rua, e para tantos idosos abandonados”.

A solução, defendem, passará pela solidariedade e cooperação entre todos os líderes políticos, independentemente das suas ideologias. “Os líderes políticos de diferentes países da América Latina devem buscar atitudes coordenadas e em conjunto. Não existe o ‘salve-se quem puder’. Os organismos multilaterais devem assumir responsabilidade e liderança. As Igrejas devem ser porta-vozes e executoras dessas medidas”.

“É um momento fundamental”, salienta ainda o manifesto, “para reforçar os mecanismos de integração (Aliança do Pacífico, Mercosul, Sistema de Integração Centro-Americano) e as relações de cooperação entre os países com as maiores populações do continente (México, Colômbia, Brasil, Argentina e Chile)”. Os líderes católicos consideram também essencial “a colaboração do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Latino-Americano de Desenvolvimento”, e defendem o adiamento do pagamento e reestruturação da dívida externa dos países.

Em resumo, “se os problemas são comuns, é necessário pensar em soluções e iniciativas comuns”, afirmam. E deixam um alerta: “Se escolhermos o caminho dos nacionalismos exacerbados, estaremos fadados a deslizar entre o caos, o populismo e o autoritarismo nos nossos países”.

Diante daquele que consideram ser “o maior desafio que nós, como geração, viveremos na nossa história”, as escolhas deverão ser feitas “a partir da escolha de Jesus Cristo: portanto, todas as atitudes e compromissos para enfrentar a crise devem ser feitos do ponto de vista do impacto sobre os mais vulneráveis”.

“Por mais perturbador que seja o cenário em que vivemos, somos animados por um Deus ‘que está entre nós’ e, por esse motivo, não caímos na tentação de resignação, nem podemos ceder à banalidade do mal, porque a fé, mais do que nunca, deve ser forte o suficiente para manter viva a esperança e apoiar a caridade”, concluem.

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