Manuel Martins, um precursor da Sinodalidade

| 24 Set 2021

D. Manuel Martins. Bispo. Setúbal

“Há seres humanos que não deveriam morrer. Não por eles, mas por nós. Contrariamente ao que é vulgar dizer-se, são mesmo insubstituíveis.” Foto: D. Manuel Martins, 1º bispo de Setúbal. Direitos Reservados.

 

Escrevo a propósito da partida deste mundo há quatro anos, que se completam hoje mesmo, dia 24, do bispo Manuel Martins. Há seres humanos que não deveriam morrer. Não por eles, mas por nós. Contrariamente ao que é vulgar dizer-se, são mesmo insubstituíveis. A propósito, evoco também a memória de um outro que nos deixou no passado dia 2 de setembro. O país não deu por isso, tal era a sua modéstia. Foi o meu antecessor na presidência da Cáritas Portuguesa. Um dos mais íntegros portugueses e, como católico, um militante que sempre dignificou a Igreja Católica. Por reconhecer a grandeza ética e intelectual de Acácio Catarino resisti, durante dois anos, a substituí-lo. Diz-se que esteve na Cáritas Portuguesa 17 anos. Não é verdade; pelo menos esteve 38, porque fiz questão de lhe pedir que continuasse a colaboração de que eu precisava, e muito profícua me foi, até eu também cessar funções.

Esta referência não é um inciso despropositado, pois o bispo Manuel Martins e Acácio Catarino estimavam-se mutuamente, não só por terem cooperado um com um outro, mas por terem o mesmo ideal de Igreja que tinha o seu eixo num modelo que foi consolidado, teoricamente, pelo Concílio Vaticano II, onde todos os membros se sentissem como um só povo, cada um com a sua missão, mas sem que isso contribuísse para criar diferenças de estatutos socio-eclesiais.

Eles não tiveram a alegria de viver numa Igreja assim. Mas partiram com uma maior esperança de que lá se haveria de chegar, se o caminho traçado, até agora, por Francisco, não sofrer recuos. Mais uma etapa deste caminho está em marcha: o Papa reafirmou o seu anseio por uma Igreja sinodal. Eu interpreto o desejo do bispo de Roma, não tanto como a vontade de a Igreja estar em estado de sinodalidade, mas ser mesmo sinodal. O que quer dizer que o Papa Francisco deseja uma Igreja mais, visivelmente, unida. O próprio conceito de sínodo aponta para isso. A palavra é constituída pelos termos  “sun” (juntos) e “odos” (via, caminho) ou seja, “caminhar juntos”.

Quando chegou à diocese de Setúbal, Manuel Martins procurou traçar esta via, criando logo um órgão verdadeiramente colegial ao qual chamou Assembleia Diocesana. Espaço onde, em termos de estar e de intervir, o bispo, os padres e os leigos não se distinguiam.

Quando iniciou esta forma de participação foi violentamente criticado dentro da diocese (eu fui um dos críticos) e por membros de outras, sobretudo da hierarquia. Mesmo da alta hierarquia. Mas nunca desistiu. Agora, em todo o mundo, se pede que a Igreja tenha esta prática. Sinal de que o primeiro bispo de Setúbal, também nesta atuação, não estava errado, mas desperto aos apelos do Espírito Divino que anima a Igreja.

Os que o conheceram verdadeiramente sabem que, junto de Deus, está feliz por mais esta ousadia de Francisco. Sabemos que é um dos muitos que, agora na vida onde a comunhão fraterna não tem empecilhos, está a rogar a Deus pela transformação da Igreja. Pessoalmente, peço-lhe que reze muito por mim, pois, estou algo cético quanto a essa desejada “metanoia” – mudança de espírito, mudança de atitude.

 

Eugénio Fonseca é presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado.

 

Pena de morte volta a matar em 2021

Relatório da Amnistia Internacional

Pena de morte volta a matar em 2021 novidade

Em 2021 a Amnistia Internacional (AI) confirmou 579 execuções de pessoas condenadas à morte pelo sistema judicial de 18 países. De acordo com a documentação da AI enviada ao 7MARGENS no dia 23 de maio, aquele número representa um crescimento de 20 por cento em relação ao registado no ano anterior. Contudo, graças à pandemia, em 2021 o número de execuções certificadas continua baixo, sendo o segundo menor desde 2010.

Comunicar, o verbo que urge conjugar

[A Igreja e os Média] – 3

Comunicar, o verbo que urge conjugar novidade

É urgente (sim, é esta a palavra certa) que a Igreja – a sua hierarquia, os seus múltiplos departamentos – entenda que, para manter a sua respeitabilidade não pode furtar-se ao escrutínio da comunicação social, não pode fechar-se na sua concha. Tem de comunicar, comunicar com todos, esclarecer sempre que questionada, com a rapidez e a linguagem dos tempos que correm.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Igreja no apoio às vítimas das cheias

Bangladesh e Índia

Igreja no apoio às vítimas das cheias novidade

Os católicos indianos juntaram-se aos esforços de socorro e resgate organizados por ONG e agências governamentais, na sequência daquilo que os especialistas já consideram ser as piores cheias dos últimos 20 anos, já que o número de mortos pelas inundações em Assam chegou a 24 no estado do nordeste.

Uma renovação a precisar de novos impulsos

Uma renovação a precisar de novos impulsos novidade

  A experiência que fizemos no Concílio Vaticano II constitui o rosto dos documentos tão ricos que ficam como acervo da sua memória, dizia frequentemente o bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade. Eu era seu colaborador pastoral. E pude verificar como...

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This