D. Manuel Martins: uma vida cheia, uma referência inspiradora (pré-publicação)

| 27 Jan 20

Na próxima quarta-feira, 29 de Janeiro, será apresentado em Lisboa, o livro Testemunho de Duas Vidas Compartilhadas (ed. Paulinas), da autoria de Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa.

Na obra, o autor percorre os caminhos que trilhou em conjunto com o primeiro bispo de Setúbal, Manuel da Silva Martins, quando este foi nomeado para a diocese em 1975, tinha Eugénio Fonseca 18 anos. Três anos depois, o agora presidente da Cáritas encontraria o bispo a passear nas ruas, para conhecer a cidade e os seus lugares.

Seria o primeiro encontro de muitos, que levaria o autor deste livro – que caracteriza também como as memórias que D. Manuel não escreveu – a empenhar-se na pastoral juvenil da diocese ou na Cáritas de Setúbal, entre outros compromissos, e a acompanhar o bispo no seu combate contra a crise e a fome que se instalaram na península de Setúbal na década de 1980.

No prefácio, que o 7MARGENS reproduz aqui em pré-publicação exclusiva (o título é da nossa responsabilidade), o antigo Presidente da república, António Ramalho Eanes, evoca também esses anos.

A apresentação do livro decorre no Centro Social de Santa Joana Princesa, em Lisboa (R. dos Lagares d’El Rei, 4), a partir das 18h30, e estará a cargo do bispo auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar, que conheceu também D. Manuel.

Na foto da capa, o autor e D. Manuel Martins junto do rio Sado, em Setúbal.

 
Uma vida cheia, uma referência inspiradora
(prefácio de Ramalho Eanes)

 

Fácil não é prefaciar esta obra de memórias de Eugénio Fonseca sobre D. Manuel Martins. No entanto, perante a sua solicitação, não podia senão aceder a fazê-lo.

E fácil não é prefaciar esta obra porque sobre D. Manuel Martins já muito escrevi, e tudo quanto se pode referir terá, já, sido anteriormente mencionado. Fácil não é, ainda, prefaciar esta obra de memórias de Eugénio Fonseca sobre D. Manuel Martins porque às suas recordações se juntam as minhas, de longa convivência e amizade com D. Manuel Martins. Por último, fácil não é, também, prefaciar esta obra porque o próprio autor, Eugénio Fonseca, merecedor seria de obra biográfica, o que, aliás, já acontece neste livro, porque as suas memórias de D. Manuel Martins acompanham a sua própria vivência, desde que, aos 18 anos, travou conhecimento com o prelado de Setúbal.

Na realidade, não posso começar este prefácio sem referir o trabalho de excelência que, sob a presidência de Eugénio Fonseca, a Cáritas Portuguesa tem desenvolvido. Perante novos e maiores desafios tem sempre a Cáritas sabido estar à altura da sua missão, reforçando a sua posição junto da população portuguesa. E a este elogio se junta a recordação de D. Manuel Martins, que sempre apoiou a Cáritas e, inclusivamente, a criou na diocese de Setúbal em novembro de 1976, por ser «uma Obra (…) que nasce do coração da Igreja para lançar na sociedade sementes de solidariedade que acabem por dar frutos de vida».

Tive o privilégio e a vantagem de conhecer, apreciar e estimar D. Manuel Martins. Com ele aprendi, refletidamente, que não só é possível, mas, também necessário, conjugar pragmatismo com utopia, com sensata utopia. Conjugação, esta, que exige sempre um pragmatismo estratégico na ação e uma vera preocupação ética: pragmatismo estratégico porque, a nortear a ação, toda a ação, mesmo a que responde a exigências imediatas, deve estar num escrutinado e assumido projeto coletivo iluminado por uma sã utopia; vera preocupação ética porque nunca se pode esquecer que, no centro de toda a atividade, está a pessoa humana.

Justa e de prospetiva conveniência é a revisitação da personalidade e obra de D. Manuel Martins. Justa e convenien- te porque ele foi uma figura maior da Igreja em Portugal e da história recente do nosso país.

Na verdade, D. Manuel Martins empenhou a sua extraordinária inteligência, a sua vontade boa, a sua profícua e extensa ação na operacionalização da doutrina de Santo Agostinho, que assenta em que «todo o que nasce em algum lugar como homem – isto é, um ser racional e mortal – descende daquele criado primeiramente como ser humano [ou seja, Adão]. E isto aplica-se sempre, por mais extraordinária que tal criatura possa parecer aos nossos sentidos, em forma corporal, cor, movimento ou enunciação, ou em qualquer atributo natural, parte ou qualidade» (Cit. in Alberto MANGUEL, A cidade das palavras, Lisboa, Gradiva, 2011, p. 46).

Pensamento, este, de tanta essencialidade humana, que, segundo os Evangelhos, adquiriu expressão máxima na boca do próprio Jesus: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente» (Mateus 22,37) e «Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mateus 22,39). Assim, o Evangelho do amor, de todos e de tudo, o Evangelho inclusivo, essencializa o humanismo cristão e todos os outros que nele colheram inspiração (o das Luzes, o da Democracia, por exemplo).

Assim, não esqueceu, nunca, D. Manuel Martins, que, no ético rigor, de definição aristotélico-cristã, os homens, todos os homens, são iguais. Não esqueceu nunca, também, que todos os homens são irmãos, na sua filiação e pela sua dignidade divinas. É por isso, pois, que afirmou, perentoriamente e bem alto: «Sou contra a discriminação, a qualquer título e a qualquer nível.» Com esta disposição de norteamento e propósito, de reflexão e ação, nunca D. Manuel Martins, príncipe da Igreja, hesitou na defesa do Homem, de todo o homem e do homem todo.

Detalhe da capa do livro “Pregões de Esperança”, da autoria de D. Manuel Martins (ed. Paulinas)

 

Considerava D. Manuel Martins que tão repugnante é uma sociedade egoísta, que esquece o amor aos outros e dos outros, quão repugnante é o poder político light (Tony JUDT, Um tratado sobre os nossos atuais descontentamentos, trad. de Marcelo Félix, Lisboa, Edições 70, 2012, p. 133), que parece, muitas vezes, esquecer que «O sucesso da democracia [moderna] (…) reside no equilíbrio entre a produção e a redistribuição, regulado pelo Estado» (Id., ibidem, p. 179), de maneira sistematicamente atenta e dignamente justa. Nisto assenta e se consubstancia a dramaticamente poética contradição entre a chegada e a partida de D. Manuel Martins, em Setúbal.

A chegada a Setúbal foi batida pelos ventos uivantes da desconfiança e descrença nos poderosos, sentidos pelas gentes com salários em atraso ou desempregados vivendo na miséria ou sob sua ameaça, porque, como diz Eugénio Fonseca, nesta obra, «era voz recorrente que do Norte reacionário nada poderia vir de bom». A partida de Setúbal, anos depois, foi marcada pelo calor afetivo, reconhecido e agradecido, no carinhoso adeus ao Bispo, que, pela sua palavra e ação em prol de todos, dos mais desfavorecidos em especial, que sempre defendeu, com denodo, não regateando custos pelo desacordo expresso, pela sua divergência fundamentada, pelo seu combate, contra tudo e todos, pela conquista da dignidade de todos. Ao chegar, terá tido o ódio dos olhares que pretenderam fulminá-lo. Ao partir, de quase todos recebeu lágrimas, lágrimas do coração, dos corações que D. Manuel Martins conquistara.

É, exatamente, por motivo do grande propósito de não haver esquecidos que D. Manuel Martins pediu a Madre Teresa de Calcutá que estendesse a sua obra à região de Setúbal – pedido a que acedeu, enviando, em 1986, as Missionárias da Caridade, que trabalhavam com os mais pobres – e usou, sempre, a palavra, sobretudo contra os poderosos, que podem decidir, e decidem mal, porque não colocam o Homem «no centro da História» (Manuel Martins, Pregões de Esperança, Prior Velho, Paulinas, 2014, p. 79).

Por este motivo, foi, por vezes, acusado – injustamente, contudo – de protagonismo excessivo na comunicação social. No entanto, D. Manuel Martins apenas soube fazer desse protagonismo uso inteligente e ousado para chamar a atenção para «tantos e tantos sem alegria e sem esperança, sem hoje e sem amanhã» (Id., ibidem, p. 101), para gritar, dramática e mediaticamente, que havia «situações de fome, e muitas, em Setúbal e não só» (Id., ibidem, p. 97), e que, num país onde há fome, não há nem cidadania nem real democracia. E D. Manuel Martins gritou-o bem alto porque, como disse: «pela minha missão, devo ser o sino grande da Igreja, a chamar sempre e sem medo, a atenção dos homens para (…) [esta] injusta situação» (Id., ibidem, p. 94).

Ora, na península de Setúbal, entre 1982 e 1986, a crise económica e a falta de resposta do poder político atropelaram a verdadeira liberdade de muitos, esmagaram, com o desemprego e os salários em atraso, a sua dignidade, fragilizaram a própria solidariedade.

Na sua ofensiva, não contra o poder, mas pelo poder ético e politicamente atento e responsável, D. Manuel Martins apelou, reclamou, exigiu que o Estado não perdesse a oportunidade e se mostrasse presente e eficaz. Nada o intimidou nessa prestimosa ação, nem mesmo quando o poder insinuou haver conivência objetiva do Bispo com o Partido Comunista e a Intersindical; nem mesmo quando o poder político levantou o espantalho de um eventual conflito com o poder eclesiástico. Responsável e corajoso, tenaz e atento, justo e forte, conhecia bem a sua ecuménica missão e as suas responsabilidades.

A verdade é que D. Manuel Martins nunca pactuou com a injustiça, sobretudo quando por ela responsável era o próprio Estado. Atento e responsável, D. Manuel Martins assumiu, sem tibieza, o difícil papel de ouvir, de atuar, de confrontar o poder político com a situação e sua responsabilidade de a debelar, porque entendia que «ser Bispo é gritar contra as injustiças».

Em defesa dos direitos humanos espezinhados, na sua diocese, lutando, nas suas palavras, «para que o homem seja mais homem, numa sociedade justa», gritou D. Manuel Martins, e só aceitou não o fazer quando o poder, encurralado, resolveu dar resposta socioeconómica à crise que avassalava aquela área, criando um plano de emergência para a região de Setúbal.

Consciente da importância de cada cidadão assumir a sua própria responsabilidade e direitos, apelou à Sociedade Civil para que se tornasse exigentemente participativa, para que saísse do seu amorfismo tradicional e cumprisse o papel que lhe cabe na construção da sociedade moderna em Portugal. E relembro a famosa frase que proferiu: «Que todos gritem bem alto, de forma que esse grito chegue a todos os lados. Organizem-se, exigindo como vos compete. Ninguém deve pedir por favor o que lhe pertence por direito.»

Acredito, sinceramente, que foi a esperança, que tem fundamento no Amor, que fez com que D. Manuel Martins tudo tenha enfrentado «sem medo de nada» (Id., ibidem, p. 64), o que constitui, para todos, uma incomparável lição de responsabilidade e determinação, de inteligência e coragem, de evangélica e vivida fraternidade, de empenhada cidadania democrático-republicana.

Homem de ímpar exemplaridade, de honra, inteligente, culto, honesto, D. Manuel Martins conhecia bem o Homem, a Família, o Estado, e a Sociedade Civil.

D. Manuel Martins. Foto © Agência Ecclesia

 

Pelas razões apontadas – de missão e responsabilidade –, sincretizadas na cultura, pela ética e pela moral, e operacionalizadas, na ação, pela prudência e ousadia, D. Manuel Martins conhecia, considerava e defendia, como ninguém, a Família. E clamava, com exigência, que cada família tem direito indeclinável a uma casa e a um trabalho, pelo que elevou a sua voz, de bispo, para sublinhar que são eles – casa e trabalho – que intensificam a nossa existência, lhe conferem luz e calor, assim criando condições indispensáveis à felicidade e dignidade humanas. Com a sua autoridade de bispo, vergasta, repetidamente, o poder, a propósito da desumanidade nas prisões, da praga do desemprego, da ofensa dos salários em atraso, do flagelo das barracas, da vergonha do trabalho infantil.

Foi, de facto, notável, socialmente, o efeito das suas palavras e da sua ação. De tal maneira notável que D. Manuel Martins «foi a última esperança de um povo, ou seja, a última instância a que este recorreu para pedir solidariedade, quer porque acreditava no prelado sadino, quer porque essa era a última solução que lhe restava».

E a verdade é que essa angustiada esperança não foi desiludida. No Bispo encontraram o coração que apoiava, a bolsa que se abria à necessidade e à partilha, a ação individual e institucional que respondia, que, corajosamente, dizia aos que têm dinheiro que fossem solidários e ajudassem, e que, frontalmente, reclamava, do poder, não discursos mas respostas de justa urgência e operação.

Manuel Martins enfrentou o vendaval de uma crise grave (que é bem relatada na obra de Alcídio Torres intitulada História de uma crise, a cuja apresentação pública D. Manuel Martins assistiu), que derrubava a dignidade dos homens, destruía famílias, ofendia a nossa humanização inevitavelmente social e, por dever, fraterna. E enfrentou-a, informando-se dela, comunicando autenticamente com todos os que ela assolava, derrubava ou perturbava; enfrentou-a sem se vergar ou, sequer, fechar os olhos, exigindo de todos – de si próprio em primeiro lugar – palavras de compreensão e ação; exigindo de todos que assumissem a sua responsabilidade social e política; que não verbalizassem a defesa da democracia, mas a defendessem, em especial onde ela era atropelada, ofendida, martirizada; que assumissem, com coerência, responsabilidade e determinação, que, como disse o saudoso padre Manuel Antunes: «A democracia é necessário traduzi-la nos factos e nas instituições que objetivem e encarnem a verdade, a justiça, a fraternidade e a liberdade de uma comunidade verdadeiramente humana.»

Os seus reconhecidos «talentos de espírito» e as suas «qualidades de temperamento», grandes, ambos, granjearam-lhe o respeito, a consideração e a estima dos portugueses. D. Manuel Martins era, ainda, reconhecido como homem de «vontade boa» (na aceção kantiana), com um carácter de exceção, cultura e saber, religiosos e laicos.

Efetivamente, as qualidades, virtudes e ações de D. Manuel Martins retratam um carácter de eleição, que impressiona, arrasta e seduz, e que bem visível é nas obras que deixou publicadas: Pregões de Esperança, Cantar a Vida, Partilhar é Bom e Um Modo de Estar.

Tenho por D. Manuel Martins uma profunda admiração, por tudo quanto disse, e, ainda, pelo facto de D. Manuel Martins ter sido um homem que cedo descobriu a sua missão, e que resposta de constante perfetibilização, pessoal e social, lhe deu, e, com verdadeiro amor cristão, muito deu a todos os seus irmãos e ao País.

Para além da admiração, que referi, eu e minha mulher temos a bênção de ter desenvolvido, ao longo do tempo, uma profunda amizade e gratidão com D. Manuel Martins.

Conseguiu, D. Manuel Martins, ter uma vida cheia, uma vida boa, porque constitui verdadeira referência inspiradora de todos quantos, genuinamente, se preocupam com a dignidade «de todos os homens e do Homem todo» – enfim, com o amor aos homens, amor que constitui, segundo o teólogo José Arregi, o verdadeiro dogma do Cristianismo.

Repetitivo e supérfluo seria, pois, dizer tudo quanto aqui reafirmei. Porém, tratando-se de D. Manuel Martins, qualquer repetição é proveitosa porque a dignidade da sua vida, a nobreza do seu pensamento e sentimentos, a sua ousadia oportuna, enfim, a sua ímpar e exemplar personalidade, continuam a ser, verdadeiramente, um exemplo, uma fonte de inspiração.

António Ramalho Eanes foi Presidente da República entre 1976 e 1986, o primeiro eleito democraticamente após a instauração da democracia em Portugal, em 1974.

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