Mãos à obra (5) – Vizinhos de Aveiro: Cidadania ativa em prol da comunidade

e | 8 Abr 2021

Vizinhos de Aveiro

“Num primeiro momento, a plataforma da rede social funcionou como um espaço digital de interajuda, mas também de solidariedade e companhia.” Foto: Vizinhos de Aveiro – reunião zoom

 

A sexta-feira 13 de março de 2020 foi um dia marcante. Na sequência do agravamento dos casos de covid19 em Portugal, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa decretou o estado de emergência e avisou que a pandemia podia ser grave e duradoura, exortando os portugueses a mobilizarem-se. Nesse mesmo dia, respondendo ao apelo, surgiram os Vizinhos de Aveiro (VA), um coletivo cívico de apoio à comunidade, sobretudo aos grupos de risco.

Os Vizinhos tinham como mote a ideia de realizar um trabalho de proximidade e, numa primeira fase, tomaram forma através da criação de um grupo na rede Facebook: em 48 horas, juntou mais de 8.000 pessoas. O grupo coordenador inicial de três pessoas (os dois autores deste texto e Paulo Cravo) rapidamente cresceu e estabeleceu como objetivo “alertar para possíveis problemas ou ameaças” e, se necessário, “ajudar a gerar respostas públicas ou cívicas (de natureza logística, de saúde pública ou de apoio à comunidade)”.

Num primeiro momento, a plataforma da rede social funcionou como um espaço digital de interajuda, mas também de solidariedade e companhia. Com a duplicação do número de adesões no Facebook numa semana, gerando mais de 1.100 partilhas e 100.000 comentários e interações, começou a sentir-se a necessidade de criar pequenas estruturas de trabalho com voluntários para garantir um trabalho minucioso de pesquisa, sistematização e resposta.

Numa semana de atividade intensa na plataforma digital Slack, na qual chegaram a trabalhar mais de 100 colaboradores, foi lançado um site que reuniu informação sobre os apoios aos cidadãos e grupos de risco, serviços ao domicílio, necessidades da comunidade hospitalar e centros de saúde e uma programação de atividades culturais, educativas e de atividade física que podiam ser fruídas à distância.

Uma das questões que emergiu como crítica era a informação aos cidadãos pois, com a profusão de fontes, tornava-se difícil perceber qual era verdadeiramente útil e fiável e de que modo podia ser acedida de forma expedita. Nesse sentido, o grupo lançou a Linha do Vizinho, uma linha telefónica comunitária gerida por cidadãos para informar os grupos de risco e com dificuldade de acesso à internet, sobretudo a população mais idosa residente no município de Aveiro. O serviço, coordenado por Rebeca Mendes, Filipa Miriam e Sandra Santos, estava aberto das 15 às 21h e procurou tornar mais ágeis contactos com os apoios sociais e os serviços ao domicílio.

A linha, baseada numa plataforma tecnológica desenvolvida por Diogo Gomes, um investigador da Universidade de Aveiro, funcionou durante um mês, com mais de 20 voluntários, pessoas com capacidade para utilizar plataformas e ferramentas digitais e com gosto por conversar, que tiveram formação específica para a tarefa. Infelizmente, a iniciativa não teve o impacto esperado, dado o receio que a comunidade mais idosa tem em falar com desconhecidos. Ainda assim, foram atendidas várias dezenas de cidadãos.

“Os Vizinhos têm apoiado e facilitado a ação de projetos e iniciativas que promovem a participação cidadã e a inovação social e ambiental.” Gravura: Vizinhos de Aveiro – Testemunhos.

 

No final de maio, o Governo aprovou a terceira fase do plano de desconfinamento, o que suscitou um abrandamento das atividades do coletivo, após três meses de intensa atividade. Foi um momento que serviu para refletir e discutir novas formas de atuação e preparar um novo projeto, o Cidadania Lab, já referido no 7MARGENS.

A par do Cidadania Lab, mantém-se a dinamização do grupo cívico VA no Facebook que junta mais de 20 mil membros e onde a entreajuda e a solidariedade ganham espaço, assim como o voluntariado e os laços de vizinhança. Os Vizinhos têm apoiado e facilitado a ação de projetos e iniciativas que promovem a participação cidadã e a inovação social e ambiental. Recentemente, foram criados dois projetos em parceria com a Rádio Terra Nova: um dedicado à cultura, aos vizinhos e aos projetos com impacto cultural, social, ambiental em Aveiro, e o outro à comunicação de ciência sobre covid-19, vacinação e outros temas pertinentes.

Neste momento, da equipa operacional do Coletivo Cívico Vizinhos de Aveiro fazem parte 18 cidadãos e cidadãs. Quem desejar apresentar propostas de ideias/projetos que gostaria de implementar na sua cidade de Aveiro, pode fazê-lo através do mail: geral@vizinhos-aveiro.pt

 

Alexandra Ataíde é doutoranda em Educação, Psicologia de Educação, na Universidade de Aveiro (UA). Tem integrado projetos de desenvolvimento social, como os referidos neste texto.

José Carlos Mota é professor auxiliar do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e Territoriais da UA e investigador da Unidade de Investigação em Governação, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP). Tem dinamizado iniciativas cívicas em prol das cidades e da cidadania, entre as quais as referidas neste texto.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“Seria grande caridade tratar do caso com urgência”

Cartas de Luiza Andaluz em livro

“Seria grande caridade tratar do caso com urgência” novidade

Preocupações com um homem que estava preso, com o funcionamento de uma oficina de costura para raparigas que não tinham trabalho, com a comida para uma casa de meninas órfãs. E também o relato pessoal de como sentiu nascer-lhe a vocação. Em várias cartas, escritas entre 1905 e 1971 e agora publicadas, Luiza Andaluz, fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima, dá conta das preocupações sociais que a nortearam ao longo do seu trabalho e na definição do carisma da sua congregação.

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This