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Mãos à obra (5) – Vizinhos de Aveiro: Cidadania ativa em prol da comunidade

Vizinhos de Aveiro

“Num primeiro momento, a plataforma da rede social funcionou como um espaço digital de interajuda, mas também de solidariedade e companhia.” Foto: Vizinhos de Aveiro – reunião zoom

 

A sexta-feira 13 de março de 2020 foi um dia marcante. Na sequência do agravamento dos casos de covid19 em Portugal, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa decretou o estado de emergência e avisou que a pandemia podia ser grave e duradoura, exortando os portugueses a mobilizarem-se. Nesse mesmo dia, respondendo ao apelo, surgiram os Vizinhos de Aveiro (VA), um coletivo cívico de apoio à comunidade, sobretudo aos grupos de risco.

Os Vizinhos tinham como mote a ideia de realizar um trabalho de proximidade e, numa primeira fase, tomaram forma através da criação de um grupo na rede Facebook: em 48 horas, juntou mais de 8.000 pessoas. O grupo coordenador inicial de três pessoas (os dois autores deste texto e Paulo Cravo) rapidamente cresceu e estabeleceu como objetivo “alertar para possíveis problemas ou ameaças” e, se necessário, “ajudar a gerar respostas públicas ou cívicas (de natureza logística, de saúde pública ou de apoio à comunidade)”.

Num primeiro momento, a plataforma da rede social funcionou como um espaço digital de interajuda, mas também de solidariedade e companhia. Com a duplicação do número de adesões no Facebook numa semana, gerando mais de 1.100 partilhas e 100.000 comentários e interações, começou a sentir-se a necessidade de criar pequenas estruturas de trabalho com voluntários para garantir um trabalho minucioso de pesquisa, sistematização e resposta.

Numa semana de atividade intensa na plataforma digital Slack, na qual chegaram a trabalhar mais de 100 colaboradores, foi lançado um site que reuniu informação sobre os apoios aos cidadãos e grupos de risco, serviços ao domicílio, necessidades da comunidade hospitalar e centros de saúde e uma programação de atividades culturais, educativas e de atividade física que podiam ser fruídas à distância.

Uma das questões que emergiu como crítica era a informação aos cidadãos pois, com a profusão de fontes, tornava-se difícil perceber qual era verdadeiramente útil e fiável e de que modo podia ser acedida de forma expedita. Nesse sentido, o grupo lançou a Linha do Vizinho, uma linha telefónica comunitária gerida por cidadãos para informar os grupos de risco e com dificuldade de acesso à internet, sobretudo a população mais idosa residente no município de Aveiro. O serviço, coordenado por Rebeca Mendes, Filipa Miriam e Sandra Santos, estava aberto das 15 às 21h e procurou tornar mais ágeis contactos com os apoios sociais e os serviços ao domicílio.

A linha, baseada numa plataforma tecnológica desenvolvida por Diogo Gomes, um investigador da Universidade de Aveiro, funcionou durante um mês, com mais de 20 voluntários, pessoas com capacidade para utilizar plataformas e ferramentas digitais e com gosto por conversar, que tiveram formação específica para a tarefa. Infelizmente, a iniciativa não teve o impacto esperado, dado o receio que a comunidade mais idosa tem em falar com desconhecidos. Ainda assim, foram atendidas várias dezenas de cidadãos.

“Os Vizinhos têm apoiado e facilitado a ação de projetos e iniciativas que promovem a participação cidadã e a inovação social e ambiental.” Gravura: Vizinhos de Aveiro – Testemunhos.

 

No final de maio, o Governo aprovou a terceira fase do plano de desconfinamento, o que suscitou um abrandamento das atividades do coletivo, após três meses de intensa atividade. Foi um momento que serviu para refletir e discutir novas formas de atuação e preparar um novo projeto, o Cidadania Lab, já referido no 7MARGENS.

A par do Cidadania Lab, mantém-se a dinamização do grupo cívico VA no Facebook que junta mais de 20 mil membros e onde a entreajuda e a solidariedade ganham espaço, assim como o voluntariado e os laços de vizinhança. Os Vizinhos têm apoiado e facilitado a ação de projetos e iniciativas que promovem a participação cidadã e a inovação social e ambiental. Recentemente, foram criados dois projetos em parceria com a Rádio Terra Nova: um dedicado à cultura, aos vizinhos e aos projetos com impacto cultural, social, ambiental em Aveiro, e o outro à comunicação de ciência sobre covid-19, vacinação e outros temas pertinentes.

Neste momento, da equipa operacional do Coletivo Cívico Vizinhos de Aveiro fazem parte 18 cidadãos e cidadãs. Quem desejar apresentar propostas de ideias/projetos que gostaria de implementar na sua cidade de Aveiro, pode fazê-lo através do mail: geral@vizinhos-aveiro.pt

 

Alexandra Ataíde é doutoranda em Educação, Psicologia de Educação, na Universidade de Aveiro (UA). Tem integrado projetos de desenvolvimento social, como os referidos neste texto.

José Carlos Mota é professor auxiliar do Departamento de Ciências Sociais, Políticas e Territoriais da UA e investigador da Unidade de Investigação em Governação, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP). Tem dinamizado iniciativas cívicas em prol das cidades e da cidadania, entre as quais as referidas neste texto.

 

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