Mãos à obra (6) – Ferraria de São João: Fazer acontecer

| 15 Abr 2021

Desta vez, pela mão de Ana Sofia Soeiro, fomos até à aldeia de Ferraria de São João, concelho de Penela. Inserida na rede de “Aldeias do Xisto”, com uma população residente de cerca de 50 pessoas, alguns adolescentes e crianças, as gentes da terra, com o apoio da Associação de Moradores, decidiram fazer acontecer. E agora, outras gentes em outros lugares, lhes seguem as pisadas. Assim se exerce a cidadania.

Atelier do pão. Ferraria de São João

Foto: Atelier de pão, fevereiro de 2019. © Amigos da Ferraria.

 

“Ferraria, Aldeia Viva” ou FAV, assim se tem apresentado o projeto, a tomar dimensões à escala nacional, a partir da aldeia da Ferraria de São João, no concelho de Penela. Na sua essência surgiu da necessidade de proteger a aldeia e os seus habitantes dos nefastos fogos que nos bateram à porta em 2017. Houve a urgência de pensar o território, o seu ordenamento e as atividades praticadas pelos habitantes, quer a nível florestal, quer a nível da sua vivência enquanto população, com o estigma da interioridade e com os recursos económicos e sociais baseados, para a grande maioria, no que a terra lhes dá.

Por de trás da sigla ou do nome que identifica o projeto, está a Associação de Moradores da Ferraria de São João, fundada em 2008, com o intuito de dinamizar a aldeia através da valorização dos seus recursos endógenos: as pessoas (saber-fazer), o património natural e edificado, as práticas culturais. Sendo uma entidade informal, constituída por um conjunto de membros de perfil e espírito pró-ativo e promovendo iniciativas inovadoras, de cariz ambiental e social, tem como objetivo primordial desenvolver a economia local, tornando a aldeia mais atrativa para os seus habitantes e para quem a visita.

Primeira reunião dos moradores, em 25 junho 2017. © Amigos da Ferraria.

Tendo o incêndio de junho de 2017 servido de ignição para um aproximar da população, podemos dizer que este foi o elemento motivador para gerar a necessidade de proteger a aldeia, as suas gentes e bens. A partir daqui e, reagindo a quente, a primeira reunião comunitária aconteceu uma semana após o fogo, onde tivemos o quórum de 50 dos 70 proprietários da aldeia. Ouvimos os nossos pares e levantámos as principais necessidades a pôr em prática. A maior decisão, nesse dia, foi a criação da Zona de Proteção da Aldeia (ZPA), que previa o arranque dos eucaliptos num perímetro de 100 metros em redor da aldeia. Muitas outras reuniões foram sendo realizadas, desde então, de forma que a tomada de decisões fosse sempre em coletivo e respeitando a opinião e a experiência de cada um.

Pusemos “mãos à obra” e arrancámos eucaliptos, plantámos espécies autóctones mais apropriadas à região, criámos socalcos para retenção do solo contra a erosão, introduzimos um rebanho de cabras Serranas (que, além da sua função de limpeza e de sustentação de ateliers tradicionais, pode tornar-se numa fonte de receita), resumindo, arregaçámos as mangas e lutámos com os nossos próprios meios, equipamentos e força motriz humana para “fazer acontecer”. Esta expressão tornou-se o slogan do projeto e convidámos voluntários para nos ajudar a dar continuidade a uma tarefa aparentemente infindável, a tarefa de lutar contra forças da natureza como o fogo.

Anteriormente, o trabalho da associação já tinha passado por todo um processo de promoção de atividades de animação do espaço da aldeia e de interpretação da sua envolvência natural (atividades de sensibilização/ educação ambiental/ cidadania). São disso exemplos: a criação de um centro de BTT, percursos pedestres em redor da aldeia, uma horta pedagógica para fruição pela comunidade pré-escolar, a realização de ateliers de saberes tradicionais, como o fazer do pão em forno de lenha e do queijo de cabra, proporcionando o contacto e interação de visitantes com os habitantes da aldeia, envolvendo-os de uma forma ativa e valorizando as atividades rurais. No culminar destas ações de animação está a nossa festa anual, evento que traz à aldeia visitantes, que partilham com os residentes um piquenique comunitário.

O espírito que queremos transmitir à comunidade em geral é o de incentivar uma prática ambiental sustentável e de respeito pelo património da Ferraria de São João. Incluímos nas nossas ofertas de serviços, por exemplo, um programa de adoção de sobreiros, da mancha florestal que nos veio a proteger do fogo, do nosso sobreiral centenário. As espécies autóctones introduzidas desde 2017, tiveram um programa de apadrinhamento e de voluntariado aquando da sua plantação.

Num futuro muito próximo, prevemos abrir o nosso espaço comunitário Casa Azul, que servirá de suporte à população e de ponto de venda dos produtos agrícolas produzidos na aldeia. Apostamos também na melhoria dos ateliers a oferecer e na promoção de showcookings para realçar a gastronomia local. Por último, mas não menos importante, estamos preparados, em termos de equipamento e formação, para promover percursos pedestres para uma visitação inclusiva, de forma a podermos envolver todos quantos os que queiram abraçar a nossa causa e “fazer acontecer” connosco.

Foto: Piquenique comunitário, em setembro 2017. © Amigos da Ferraria.

 

Ana Sofia Soeiro, engenheira agroindustrial, presta serviços de consultadoria e apoio ao projeto “Ferraria, Aldeia Viva”.

 

Francisco alerta bispos para o perigo do “carreirismo”

Último dia na RD Congo

Francisco alerta bispos para o perigo do “carreirismo” novidade

Antes de se despedir da República Democrática do Congo (RDC), o Papa visitou na manhã desta sexta-feira, 3 de fevereiro, a sede da Conferência Episcopal do Congo (CENCO), onde se encontrou com os bispos do país. No seu discurso, desafiou-os a serem uma “voz profética” em defesa do “povo crucificado e oprimido”, e alertou-os para a tentação de “ver no episcopado a possibilidade de escalar posições sociais e exercer o poder”.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Assembleia continental europeia do Sínodo

Um bispo, um padre e duas leigas na delegação portuguesa novidade

A delegação portuguesa à assembleia continental europeia do Sínodo que vai decorrer em Praga de 5 a 12 de fevereiro é composta pelo bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), pelo padre Manuel Barbosa, secretário da CEP, e por Carmo Rodeia e Anabela Sousa, que fazem parte da equipa sinodal nacional. A informação foi divulgada esta quinta-feira, 2 de fevereiro, em nota enviada às redações.

Estudo decorre até 2028

A morte sob o olhar do cinema e da filosofia

O projeto “Film-philosophy as a meditation on death” (A filosofia do cinema como meditação sobre a morte), da investigadora portuguesa Susana Viegas, acaba de ser contemplado com uma bolsa de excelência do European Research Council, no valor de um milhão e setecentos mil euros, para um trabalho de equipa de cinco anos.

Normas inconstitucionais

Eutanásia: CEP e Federação Portuguesa pela Vida saúdam decisão do TC

O secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou a decisão do Tribunal Constitucional (TC), que declarou inconstitucionais algumas das normas do decreto sobre a legalização da eutanásia. “A decisão do TC vai ao encontro do posicionamento da CEP, que sempre tem afirmado a inconstitucionalidade de qualquer iniciativa legislativa que ponha em causa a vida, nomeadamente a despenalização da eutanásia e do suicídio assistido”, disse à agência Ecclesia o padre Manuel Barbosa.

Papa pede aos padres que não se sirvam da sua função para “satisfazer carências”

Encontro com consagrados

Papa pede aos padres que não se sirvam da sua função para “satisfazer carências” novidade

Depois de ter passado a manhã com mais de 80 mil jovens e catequistas, o Papa encontrou-se na tarde desta quinta-feira, 2 de fevereiro, com cerca de 1.200 padres, diáconos, consagrados e seminaristas, na Catedral de Kinshasa. Naquele que foi o terceiro dia da sua viagem apostólica à República Democrática do Congo (RDC), véspera de rumar ao Sudão do Sul, Francisco alertou que o sacerdócio ou qualquer forma de vida consagrada não podem ser vistos como um meio para “satisfazer carências e comodidades” ou para adquirir uma melhor “posição social”.

Americano judeu tenta destruir rosto de Cristo à martelada

Tensão no bairro cristão de Jerusalém

Americano judeu tenta destruir rosto de Cristo à martelada novidade

Um americano judeu de cerca de 40 anos deitou por terra e desfigurou esta terça-feira, 2 de fevereiro, uma imagem de Cristo na capela da Condenação, situada no perímetro da Igreja da Flagelação, na Terra Santa. O ataque deu-se logo de manhã, pelas 8h30, e a destruição só não foi maior porque o porteiro do templo se lançou sobre o atacante e imobilizou-o, tendo os frades chamado a polícia. Esta levou o homem sob prisão para uma esquadra.

Um bispo, um padre e duas leigas na delegação portuguesa

Assembleia continental europeia do Sínodo

Um bispo, um padre e duas leigas na delegação portuguesa novidade

A delegação portuguesa à assembleia continental europeia do Sínodo que vai decorrer em Praga de 5 a 12 de fevereiro é composta pelo bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), pelo padre Manuel Barbosa, secretário da CEP, e por Carmo Rodeia e Anabela Sousa, que fazem parte da equipa sinodal nacional. A informação foi divulgada esta quinta-feira, 2 de fevereiro, em nota enviada às redações.

Lista de padres pedófilos em Itália contém mais de 400 nomes

Casos de abusos nos últimos 15 anos

Lista de padres pedófilos em Itália contém mais de 400 nomes novidade

Nos últimos 15 anos, 164 padres foram condenados por abuso sexual de menores em Itália. A listagem divulgada em conferência de Imprensa pela organização Rete L’ABUSO no dia 1 de fevereiro foi apresentada como “um inventário incompleto” dos clérigos predadores objeto de condenações definitivas, a que se juntam 88 nomes de padres sinalizados pelas suas vítimas, mas cujos casos não foram objeto de investigação criminal por já terem prescrito os crimes de que foram acusados.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This