Mãos cheias de ouro, um canudo e uma intensa criatividade

| 21 Jul 19

(Foto da página de abertura: © Romão Figueiredo/DACS-Braga

Fachada do Convento e Palácio Nacional de Mafra, com uma das torres sineiras em restauro até Novembro. Foto © Guilherme Gomes Lopes

 

Na manhã de 7 de Julho, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) inscreveu o Convento de Mafra, o santuário do Bom Jesus de Braga e o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, na sua lista de sítios de Património Mundial.

O Bom Jesus integrava já a lista indicativa desde 2017. O Museu Machado de Casstro, por sua vez, recebera em 2014 o prémio Piranes/Prix de Roma.

Aqui fica uma curta viagem escrita e alguns percursos falados (em três programas Encontros com o Património, da TSF), como forma de convite à viagem para conhecer ou redescobrir os três novos lugares portugueses do Património da Humanidade.

 

Mafra, um palácio de mãos cheias de ouro

Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra. Foto © Guilherme Gomes Lopes

 

Todo o esplendor está no seu vasto corpo. Da torre sineira, agora em restauro, à basílica donde sai o extraordinário som dos seis órgãos de tubos, capazes de tocarem ao mesmo tempo. Únicos no mundo. Nos dois torreões moravam rei e rainha. A biblioteca não cabe em si de beleza e profundidade. A farmácia da enfermaria é rara. No Jardim do Cerco, junto ao palácio, cresciam hortas, pomares, regados por vários tanques de água. Hoje, é reserva para festivais e concertos. É extensa a Tapada de longos trilhos terrestres, com o fito de conviver com animais tranquilos, aves magníficas e árvores abundantes.

Como cresceu este palácio, hoje com mais de trezentos anos, sonho de um rei, de mãos cheias com o ouro do Brasil. É o maior monumento nacional, de estilo barroco joanino. Concebido, inicialmente, para acolher treze frades arrábidos, neste convento franciscano viveram, nos períodos áureos, mais de trezentos religiosos. Recebiam propinas duas vezes por ano, saídas dos bolsos do próprio rei. O monarca oferecia-lhes tabaco, papel e dois hábitos de burel.

Entregue à Fazenda Pública, depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento de Mafra é hoje sede de Escola de Armas.

 

De onde se vê Braga por um canudo

Miradouro no Bom Jesus, sobre a cidade de Braga. Foto © Romão Figueiredo/DACS-Braga

 

Lugar de antigos templos cristãos, o santuário do Bom Jesus do Monte, instalou-se na mata frondosa da freguesia de Tenões, no concelho de Braga. A igreja do Bom Jesus é um dos primeiros edifícios neoclássicos do país. Dirigiu as obras de construção, no século XVIII, o arquiteto Carlos Amarante, por encomenda do arcebispo de Braga, D, Gaspar de Bragança.

A igreja barroca, em forma de cruz latina foi elevada à categoria de basílica, em 2015. A fachada é ladeada por duas torres. Em dois nichos, mostram-se as estátuas dos profetas Isaías e Jeremias. Do adro da basílica estende-se um longo escadório com múltiplos elementos relativos à Paixão de Cristo. Paralelo ao escadório foi construído, em 1882, o primeiro ascensor funicular da Península Ibérica. Atualmente é o mais antigo, em serviço no mundo, utilizando o sistema de contra-peso de água, em desnível por mais de cem metros.

Lugar de grande piedade popular desde o século XVI, este santuário oferece uma visão panorâmica sobre a cidade dos arcebispos, com recurso a um telescópio, por onde se pode ver “Braga por um canudo”.

A basílica do Bom Jesus, com Braga em fundo. Foto © Romão Figueiredo/DACS-Braga

 
Machado de Castro, um museu de intensa criatividade

Tem do seu lado o facto de ser um dos mais importantes museus de Portugal. O nome homenageia um notável escultor conimbricense, Machado de Castro. Situado no centro da “cidade dos doutores” e com olhares para o Mondego, ocupa as antigas instalações do Paço Episcopal de Coimbra, na freguesia da Sé Nova, e um amplo edifício novo, inaugurado em 2012.

Criado nos alvores da República, em 1911, tinha como objetivo específico “oferecer ao estudo público coleções e exemplares da evolução da história do trabalho nacional”.

Depois de diversas transformações, a última remodelação que chegou aos nossos dias, revela-nos um extenso criptopórtico romano, conjunto de galerias de inegável atração. Descrições do antigo paço episcopal acolhem um significativo acervo, a partir do século XVI.

O edifício novo, projetado por Gonçalo Byrne reúne grande parte das coleções deste Museu, de escultura, pintura, ourivesaria e artes decorativas.

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